Entrevista de: Severina Gomes de Souza
Entrevistada por: Jonas Samaúma
São José do Egito, Pernambuco, 22 de Setembro de 2024
Projeto Vidas em Cordel, Programa Conte Sua História
Entrevista n.º: PCSH_HV1425
Revisado por Estfani da Costa
P/1- Severina, muito agradecido por você estar recebendo a gente na sua casa para contar um pouquinho da sua história. Queria começar pelo começo sempre, falar um pouquinho como foi que você nasceu, aonde você nasceu?
R- Eu já não falei nisso não.
P/1- Assim...
R- Eu nasci de Serrote Pintado. Perdi minha mãe com 2 anos de idade, ai me criei mais eu, meu pai, meus irmão. Eram seta, mas já faleceram todos, pai, irmão, tudo. E agora moro só, e acabou.
P/1- O que te marcou assim na sua infância? Assim, quando você era criança, como é que era São José aqui quando você era criança?
R- Não, quando eu era criança, eu nem São José ia . Era na luta mais minhas tia, mais meu povo, mais meu pai, mais meus irmão, nem São José eu ia. E eu vim conhecer São José já depois de idade, aos 22 anos, que eu vim conhecer São José.
P/1- Era na luta na onde, na roça?
R- Era na roça, em em casa, na roça.
P/1- E você já ouvia poesia naquela época?
R- Oi.
P/1- Você já ouvia poesia?
R- Ouvia, eu muito nova, tinha as cantoria lá de vizinha aonde eu morava, e eu sempre ia.
P/1- E aí, o que que você lembra dessas cantoria, o que marcou para você?
R- Oi?
P/1- Que que marcou para você, dessas cantorias, dessas poesia que você escutava?
R- Não ... das cantorias o que me marcou assim que eu é aquela canção, ``Lembro minha terra`` de Afonso Severo que eu decorei, eu tinha ...eu no tempo de nova... eu tenho uma memória muito boa , aí velha isso tudo acaba, né.
P/1- Você lembrou um trechinho dela ainda?
R- E aí eu vou falar assim...
eu passando um certo dia, numa casa abandonada que os donos não existia, ele também esqueci. Eu passei um certo dia... Eu passei um certo dia, uma da madrugada, numa casa abandonada que o dono não existia, oxe... que coisa. Esqueci agora, completamente. Casa velha, abandonada, oxe... Esqueci de tudo, de tudo. Agora eu vou dizer outra parecida, pode ser?
P/1- Pode! Depois se você lembrar, você fala.
R- Que eu esqueci da casa, da casa é a outra, é oxe ... que que é esse problema. Eu esqueci, esquecimento agora de tudo, que coisa!
Sim, lembrei.
Lembro minha Terra, onde fui criada, meu berço adorado. Lembro minha Terra onde fui criada.
Meu berço adorado, não posso esquecer se hoje me acho de lá muito ausente, mas meu peito sente um eterno sofrer.
Ali fui criada com riso e carinho, sem riso e carinho no mesmo cantinho, uma mãe faleceu. No lugar da rosa, fui somente esse mal, tristemente de quem já morreu.
Meu padre, amigo, Deus o convidou. Ele viajou de um balão de som e naquela casa de riso e beleza, hoje mora tristeza em lugar do seu dom, o aço de velho de água limpa doce, também acabou. Se foi na correnteza, aquelas paredes que águas podia estão sendo hoje em dia, um vulcão de tristeza. Terminou.
P/1- Como foi que a senhora aprendeu essa canção?
R- Sim, aí agora a outra que eu falei.
Adeus Serrote Pintado berço do meu nascimento, já posso ir apegado, hoje não tem um jumento e agora é muito novo a sua conta o seu sofrimento.
P/1- A senhora lembra quando foi a primeira poesia que você escreveu?
R- Lembro, não mais não. Eu falei tantas
P/1- Mas assim você começou a fazer poesia com quantos anos?
R- Não, desde criança toda vida gostei, toda vida admirei.
P/1- Desde criança eu já fazia poesia, né.
P/1- Você aprendeu com quem a fazer?
R- Assim, sei lá, não sei quem. Eu, eu, eu via também, né? As coisas naquele tempo. Tinha livros de folhetos de poesia. Minha irmã lia muito e eu sempre observava, escutava muito ela ler e aprendia.
P/1-Que bonito.
P/1- Menina a senhora falou assim, a minha história é muito longa, e muito triste.
P/1- Você quer contar um pouquinho dessa história pra gente?
R- Eu já não contei de lá que não conheci minha mãe e fui criada.
P/1- Aí você foi ficando mais adulta, né? Como foi sua vida assim, mais jovenzinha?
R- Não, a diferença para agora é grande. Que, enfim, comparara a mocidade, com a saúde de agora, né. Na pobreza, fui criada na roça, uma hora dessa, eu estava apanhando algodão lá dentro do serrote, é assim minha história.
P/1- Você pegava o quê? Algodão, feijão?
R- Quebrava milho, fazia de tudo, fazia carvão.
P/1- Você fazia carvão, tinha algum horário para fazer o carvão ou fazia sempre? Como é que era que fazia?
R- Não, o carvão, a gente cavava um buraco no chão, cumprido, meio estreito, um pouco. Aí bota a madeira igualzinha, assim, cortada, aí corta uns caras de de mal mileiro e forra, aí cobre com Terra, aí bota fogo e cobre com Terra. Aí com poucos dias a madeira está lá, toda assim tem, tem queimado aí está aí está o calvão aí a gente deixa esfriar, aí, tira, bota no saco, aí, amarra o saco aí. Vende é assim. Ah, lá mesmo, no sítio de Ouro Velho aqui.
P/1- Existia feira nessa época?
R- Não eu digo eu, mas meu pai, ele quem. Ele, ele, quem eu. Nós fazia, eu fazia, nós fazia com algum mais ele, mas ele quem vendia, ele quem resolvia, deixava da gente queimar e usar e vendia o outro.
P/1- Você já tem alguma poesia sobre? Seu pai sobre a sua infância.
R- Não, eu vou dizer só algo que eu já estou um pouco cansada. Vou falar em mãe, pode ser como a mãe. Eu sempre sonho ela em vison me aparece junto de mim, permanece com o seu gesto risonho.
Acorde. Fico tristonha pela contrariedade, se sonho fosse verdade.
Seria melhor o sono desse sonho. Eu era dona, não tinha tanta saudade.
P/1- Dona Severina fala um pouquinho do seu pai. O que que a senhora conta dele? Quais são as lembranças que a senhora tem do seu pai?
R- Ah, não esqueço ele não. Só do dia, não. Tenho muita saudade, muita pauta.
P/1- Era um senhor da sua, da da roça para casa também, né? Eu tinha a responsabilidade. Era um pobre de de de critério, né?
R- Era um não é porque era meu pai, não, mas era de sua direita.
P/1- Quem foi a pessoa que a senhora mais amou na sua vida?
R- Meu pai. E de amar assim, de namorar.
R- Ah, era umas coisa tão passageira que eu, que eu não sei nem como dizer.
R- Não era de um menos, outro mais outro.
R- De jeito nenhum.
R- Era. Era bagunçado do negociado.
R- A mesma quando você está com 45 namoradas, né? Ali de vida. Aí tem no meio de tudo, tem que ter uma que você sempre gosta mais, né?
R- De estar com ela.
R- Era o meu caso, de quem já gostei, já faleceu também.
R- Deixa pra lá respeitar ao senso da vida, né.
R- Posso.
R- Posso, posso, posso e gosto. Daqui a pouco espera que eu vou começar? Fala aí no 200 não dá, né?
R- Conheci meu chudu, conheci Jó, conheci louro.
R- Conheci Pedro, já sinto. Conheci ermael Pereira, conheci outros tantos e tantos que eu mais me lembro de tudo. Também não, mas não vou.
R- Severo é José Bernardino, sei lá, mas é tantos que eu não lembro mais de tudo, não, cinzé Lulu.
P/1- Você conheceu eles? Você conheceu eles foi em São José ou foi foi mais perto da roça, onde você morava?
R- Não. Eu conhecia por aí em São José. Venho para aqui também, fazer cantoria ainda por aí e ir lá para o sítio.
R- Eu conheci ele lá no seu rato pintado.
R- Isso é Lulu. Era ali da Serrinha, eu vinha pastor dinha, do tempo que eu vinha pra cá, conhecia assim por aí um tu paretama São José. Aquilo nesse sítio louro branco um bocado faleceu.
R- Tudo esse pouco que eu tô falando.
P/1- O dona Severina, de todos eles, qual que a senhora admirava mais, que a senhora gostava mais da poesia deles?
R- Eu gostava de todos, né. Mas cantava menos, outros mais. Mas eu gostava de todos.
P/1- E tem alguma história que você viveu com algum deles que você poderia contar?
R- Não vivi com nenhum deles. Não era o meu só livro pra cá. Vivi com nenhum não.
P/1-E Severina, como foi esse mote que você deu essa história do silêncio da noite aqui tem sido testemunha das minhas amarguras, podia contar essa história?
R- Sobre a minha vida ... assim ... sou muito só. Às vezes não. Não consigo dormir direito também. Eu era uma pessoa muito alegre e eu cantava muito. Já hoje, logo de manhã, eu estava sentada aí fora.
R- E estava passando aquela música, era do tipo de pai, sabe? Eu cantava, que já abusava. Eu dizia, deixa de cantar lora, menina, que cantar lora besta que não para.
R- Ele dizia, sabe, aí eu aí eu sozinha. Aí eu falei assim, eu digo, é.
R- Quem já cantou sorrindo, agora escutou chorando, né? Não, eu converso. Só aí eu falei assim pra ninguém, não.
R- Eu.
R- Falei assim sobre a velhice. Eu falei que eu falei aí para turma. Eu falei é que eu gostei muito desse Monte.
R- E eu tenho gostado também. Eu falei para para Ricardo Moura, é a delícia. Envelope é das cartas que foram lidas.
R- É bom, né?
R- A velhice é envelope das cartas que foram lidas.
P/1- Nossa, que maravilha.
R- A diferença da Mocidade pra pra velhice, né não? Mas eu falei também assim, o meu berço foi forrado com os farrapos de pano. Eu ainda continuo no sopro do desengano, o meu rosto maculado sentindo os pesos dos anos. Eu sou o mesmo sertanejo, filha de gente atrasada. Triste como é migrante suspirando na estrada derramando a minha queixa no avião de poeirada.
P/1- Você é boa poeta, poeta mesmo. Severina, nossa, impressionante. Você falou do tempo da velhice, o tempo da mocidade. Você podia contar um pouquinho do tempo da sua mocidade ?
R- Só foi muita pobreza, meu filho. Pobreza nunca botando de para frente, né?! Sofri muito também.
P/1- Por conta de que que sofreu?
R- Ah, sim, sobre a pobreza, né, meu filho, sobre a pobreza. Aí morava morei uns tempo mais mais 1 dia depois fui morar mais a outra. Tudo por pouco tempo também. E era uma escravidão muito grande também. Sofri muito, foi nada de futuro, não sabe?! Não consegui estudar que a pobreza não.
Como não deu, né?
P/1- Mas a senhora chegou a aprender a ler?
R- Não, só ali até o é só. Estudei uma parte só do só até do primeiro livro. O livro era até de mãe.
R- Quem tinha uma leiturinha era mãe, mãe era, professora era.
P/1- E aí os seus versos, você falava e alguém escrevia, como é que foi isso?
R- Muita, muita gente escreveu. Alguém por aí escreveu. Mas eu não, eu também.
R- Quando eu também tinha eu. Eu só sei o nome. Eu assino, sabe?
R- Mas depois desse problema no olho da da da visão que eu perdi.
R- Aí eu não assino meu nome mais, não eu votava, não voto mais e várias coisas que eu perdi depois do problema da saúde, sabe, ó, meu filho, esse olho, esse olho eu não tenho essa visão, eu não vejo não. Eu pego essa visão desse olho esquerdo eu só vejo e nem e tem e tem horas e tem dias que eu sou.
R- Vejo melhor assim. Se for só, claro que nem está agora. Estou vendo aquelas bandeiras, estou vendo a frente ali da casa das meninas, das minhas vizinhas aí, mas estou vendo você aí também.
R- Mas o rosto mesmo. Eu não estou vendo direito porque está na sombra. É complicado o negócio.
P/1- Se a menina se falou que teve muito sofrimento agora?
P/1- A senhora teve alegria também, você lembra algum momento de Alegria?
R- Poxa, tive muita, é, tive, foi, foi, foi, foi incluído, foi misturado. Meu passado não foi só de tristeza, não foi. Eu fui uma pessoa que também foi, foi muito distraído.
R- Eu era muito alegre, ia para os cantos da, da, da, da, de negócio, de de de festa, de coisa assim.
R- O mais que me que que eu sinto saudade é ... de... é dos Carnaval. Todo o Carnaval eu boto é pra chorar. Me dá uma saudade grande ... que eu era louca pro Carnaval, eu era louca pelo Carnaval eu gostava.
P/1- Como é que era o Carnaval daquela época que devia ser diferente, né, de hoje?
R- Era, era.
R- Era misturado, meu filho era. Era bebida. Era.
R- Então ser um povo fantasiado de vários tipos. Era a mesma coisa da agora. A diferença é pouca, da agora é a mesma coisa.
P/1- A senhora ia fantasiada ou não?
R- Às vezes ia com a roupinha assim, um negócio mais diferente de agora, né.
P/1- Qual que é a coisa que o Carnaval? Teve algum Carnaval que mais a senhora gostou?
R- Em São José.
P/1-É.
R - Brinquei muito naquele carnaval, sim, é outra coisa também, que toda vez eu gostei demais e ia que nesse tempo de política me dá uma tristeza.
R- Eu era louca.
R- As coisas mais que eu gostei da minha vida e primeiro eu toda vida eu gostei de poesia, Carnaval.
R- E que é outra coisa, meu Deus, que.
R- Mas eu já estou esquecida e esquecendo mesmo. Deixa eu ver poesia, Carnaval, o que era outra, sim, começo negócio.
R- Tipo eu, eu gosto de de política, eu gosto de política, adoro política, não entendo mais, eu gosto de política.
R- Eu gosto de político, eu gosto de eu gosto de comisso.
R- Eu era louca pro comício.
R- Eu ia quase todos eles de comício, Carnaval e cantoria, né?
R- Essas 3 coisas. Mas eu eu gostava mesmo. Eu gostava de.
R- Ir.
R- Eu ia. Eu sei que ia. Era a coisa mais difícil do mudar, eu perder um comício.
P/1- E falava poesia também.
R- Não, eu só escutar ó.
P/1- Pessoal falando.
R- É, não ia escutar só os candidato, cada um faz isso, os fala, né?
P/1- A senhora conheceu o pinto do Monteiro também?
R- Ave Maria, conheci mesmo. Eu fui cantoria dele.
R- Quer escutar um verso dele?
P/1- Quero
R- Era ele e milanês.
R- Aí milanês falou assim para um pinto, é bastante, um banho de água quente já mata, né?
Um Maracajá traz uma raposa de frente, um gabião na cabeça. Não há pinto que aguente aí.
Agora você vai entender a resposta de pinto, viu?
Agora é a resposta de pinto para milanês.
Aí pinto respondeu da raposa, tira o couro, ela não se aproxima.
O Maracajá se esconde, o Gavião desanima do donde eu faço puleiro canto do choque em cima, entendesse que pinto ganhou.
Para milanês, a resposta dele ganhou, cadê a menina daqui?
E caí, cadê Rafael?
Cadê?
Marcos, sim.
Tá aqui, ó, Ah, tá também.
P/2- Tô maravilhado aqui com esse momento, viu, Severina?
P/2- Estou muito feliz, muito emocionado em estar te vendo. Você está ótima e eu fiquei pensando, Severina, quando eu vim para cá, Jonas perguntou se eu tinha sonhado, né? Mas eu sinto que estou vivendo um sonho.
P/2- E aí eu lhe pergunto, como andam os seus sonhos? Você tem sonhado.
R- Ave Maria, meu teu sonho, tanto, tanto, tanto no mundo que tem.
R- Tem um sonho que eu acordo até animada, sabe? Mas tem sonho que eu acordo.
R- Fico até triste assim ...porque é é desanimado, sabe?
R- Tem um sonho até bom que eu acordo até animada, mas tem sonhos que eu acordo, fica até com medo. Eu já tive sonho, aquele que eu acordo eu já fiquei, pode ficar com medo.
P/1- A senhora podia contar algum sonho que você já teve pra gente?
R- Eu não lembro mais.
R- Meu filho nenhum da vida todinha.
R- Nenhum, nenhum que eu não lembro mais nenhum.
R- Meu filho, meu sonho é assim, sabe? Eu sonho aí quando eu acordo, passou, sabe, é, entendeu aí, pronto, meu sonho é assim, eu acordo aí, aí, pronto, aí passou.
R- Não lembro mais de detalhe, de nada.
P/1- Severina e da natureza, você tinha muito contato com pássaros, com os animais do sertão ?
R- Ave Maria, eu adoro os bichinho bruto. Ave, Maria, eu sou fã do bichinho bruto. Olha, eu gosto de gato, eu gosto de cachorro, eu gosto de até que cri.
R- Eu gosto de gosto dos passarinhos. Aí vai lá nos passarinhos onde um versinho falando nos passarinhos.
P/1- Pode falar, por favor.
Se eu pudesse, não via um Canário na prisão.
É de cortar coração quando ele canta meu dia, quando é a noite, ele chia, sentindo o cheiro das plantas, tempera sua garganta, canta sei tá com vontade.
E pra matar a saudade de um passarinho preso, canta
P/2- excepcional essa poesia!
R- Eu gosto. Eu gosto de de de de cavalo.
R- Ave Maria, adoro um gado.
R- Eu gosto de gado, gosto de tudo.
P/1- E de planta, você já plantou alguma árvore?
R- Ave Maria, eu adoro.
R- Eu adoro uma árvore.
R- Eu adoro as árvores. É que nessa aí eu adoro as árvores. Adoro uma sombra, adoro as árvores.
R- Eu gosto.
P/1- Você já fez algum versinho no pé de uma árvore?
R- Eu vou dizer o ´´pari cedo``parecido:
Um Juazeiro antigo que criado entre Rochedo, guarda do tempo e segredo de um verdadeiro amigo.
Sua sombra é um abrigo para quem, cansado, lhe apanha desde abre aranha, tudo vai descansar nela na quebrada da Montanha
R- tá certo?
P/1- E o Emanoel Sudua, você chegou a conhecer, como encontrar ele ?
R- Conheci
P/1- É como é que era ele? como é que podia contar um pouquinho?
R- Já era de idade, moreno, baixo, forte
P/1- Como foi que ele pediu esse lote pra você, como foi ?
R- Não, ele não me pediu, não.
R- Meu conhecimento era assim. Não tenho nem tenho intimidade de conversar com ele, não.
R- Eu conhecia ele assim, cantando mais os outros lá em São José Melo era um conhecimento assim, de passagem, sabe?
P/2- Aí eu tinha perguntado se era diferente de São José de antigamente e São José de hoje em dia.
R- É no meu tempo de criança, é São José.
R- Era muito pobre, entende?
R- Era muito pobre.
R- Assim era. Era pobre. Não tinha o conforto que é agora.
R- Não daqueles prédios ou comércios, nem pensar que não era daquele jeito.
R- Era tudo diferente, uma diferença tão grande desse mundo.
P/1- Tinha luz elétrica naquela época? luz tinha luz?
R- Assim, não lembro não da assim. Tinha luz? Já tinha.
R- Quando eu comecei a andar lá, já tinha luz.
P/1- Era luz, ou era candina.
R- E aqui aqui era motor de 9 horas, o homem ia... apagava aí pronto, aí ficava tudo 00, escuro aí pronto, aí não tinha baque... naquela. Eu vou contar a melhor daqui, né?
R- Eu cheguei aqui aos 17 anos e tô e vou faz tempo, não faz?
R- fazia tempo.
R- Aí pronto, aí há aqui não tinha energia da energia dessa, sabe?
R- Assim não tinha dentro das casas, era só fora, era o faz muitos anos que o homem que cuidava morreu, era era motor que chamava, né? Aí o horário 9 horas era tudo como se fosse portinha, fechada, tudo cansado da roça aqui em casa eu só se pôs, era nós e as galinhas.
R- Cada um parra a sua redinha, para suas caminhas, ia dormir, todo mundo, tudo cansado,.
P/1- Dormia em rede era?
R- era em rede, 2 cama velha que tinha, aí era misturado, né?
P/1- Mas você morava com quem? nessa época?
R- Minhas irmã e meu irmão e meu pai. Era era bom aqui, era bom aqui.
P/1 - Você tinha quantas irmãs?
R- Oi?
P/1 - Você tinha quantas irmãs?
R- Nós todos eram, deixa eu ver, deixa eu lembrar. Agora eu, cara, eu estou pensando que estou viva agora. Eu não estou contando a você que minha história é muito triste.
R- A minha irmã mais velha era Maria José, ela morreu aos 16 anos.
R- Sabe de quem é?
R- De um ferroada de abelha de capuçu na garganta, lá no serro pintado, na casa que eu nasci, lá, ela morreu.
R- Eu tinha 11 anos quando foi no meio de agosto, não lembro. Parece que numa terça-feira, não sei se foi o dia 17 por aí.
R- Eu lembrava de tudo, acho que eu não lembrava de tudo, mas ela não lembro mais não.
R- Ah, assim, minhas irmã era Maria José, a da ferroada de abelha, que faleceu é faleceu aqui de vizinho, que essa casa dela já foi nossa era.
R- Ela tomou, ela tomou, andrez, que ela ela nem se envenenou, né? Era a mais velha também, Sueli, e morreu a outra, a caçula, em Brasília.
R- Lindaura.
R- E estou aqui contando a história, e morreu a mãe de Rosinha aqui mora em São José, a mãe da minha sobrinha que eu falo, morreu aqui em casa.
R- Morreu nessa outra sala, lá por trás dessas paredes para lá.
R- É a minha vida é gostosa de contar, minha vida é triste.
P/1- E você tinha alguma que você era muito chegada, que você vivia muito mais, ela era muito amiga?
R- A mais a mais que eu queria bem na, na, na, na assim, na no, no jeito de de, de, de irmão, né?
R- É que queria a mais que eu queria bem, bem de Liberdade.
R- Era a quem morreu aqui, de de toda de eu queria ganhar tudo, né? Eu gostava de tudo, gostava de tudo.
R- Mas a mais que eu queria bem era a mãe de Rosinha, a que morreu aqui queria muito bem a ela.
P/1- Vocês faziam o que juntas nessa época, o que que vocês gostavam de fazer junto?
R- Bota água.
R- Ela torrava massa. Ela gostava de torrar massa, eu de varrer terreiro.
R- Era uma vida tão assim...
R- Eu... Eu e Ela, nós morava na época que nós morou 2 anos. No citar aqui próximo a Ouro Velho, no Serrado Vermelho.
R- Nós e nós morou lá 2 anos.
R- Aí deixa eu te contar como a situação .... aí era uma seca horrível... uma coisa séria, mas séria do mundo.
R- Era de se acabar tudo de cedo.
R- Aí eu e ela era... nós tinha por obrigação.
R- Era 4 lata d'água por dia que nós botava de manhã... só nós só aguentava dar uma viagem, né? Como chama? Só só era 2 latas.
R- Aí a tarde era dentro das 4h para ás 6h.
R- Uma légua.
R- A distância da água que nós botava era como data de Ouro Velho, aí pronto, aí todo dia nós saía de de 7 horas e depois das 6, aí da das 8h para as não vai, gente já, já, já dava para, já chegava com a água aí quando era tarde de 4h às 6h.
R- À noite, e aí a gente já chegava com as outras 2 latras, era carregando água com de 6 a 7 km de distância.
P/1- Carregava na cabeça, mesmo ?
R- Era, na cabeça!
R- nada de jumentinho, nada de carroça, não era na cabeça.
P/1- E era quantos litros que era ?
R- Ah, passou muito tempo essa era, né? esse sofrimento era no tempo da seca...
R- Nois lá não tinha açougue para nós lá...
R- Os açougue dos vizinhos era longe.
P/1- Você lembra se aqui já deu alguma seca, muito brava?
R- Lembro! Ave Maria
R- Lembro.
P/1- Como é que foi? Você pode contar?
R- Foi isso, acabando tudo, foi tudo seco, foi tudo.
R- Os... os, os animais, os gado, coisa morreu tudo sem água.
R- Gente, não, não chegou a morrer não, mas quase... quase .... andou perto também, aqui, em Serrote Pintado, essa região de São José do Egito, tudo, tudo.
R- A seca de 30... eu não conto não.
R- Eu não era nascida ainda não... faltava 15 anos para nascer, né
R- A seca de 30 se acabou muita gente, muita os animais, acabou tudo.
P/1- Qual seca você pegou?
R- Ah, eu passei.
R- Eu lembro de um de um tempo de seca, bem pelo bem, pelos 10 anos assim, encarreado não sabe?
R- Teve tempos em tempo, né? Eu lembro de muitas secas tristes.
P/3 - Tem alguma poesia sobre a seca, eu?
R- Vou lembrar um pouco, vou ver se eu lembro depois eu lembro.
P/1- Severina, será que eu tenho um cordel aqui sobre a senhora, será que eu podia ler para você?
R- Leia!
P/1- E aí você de repente tinha ouvido alguma história do cordel, conta um pouquinho dela, né?
P/1- Se lembrar...
Nossa Severina branca, como assim é conhecida, escolheu o seu Mundo Novo para ser dele concebida e veio para São José, abraçando cabaré, lugar de mulher da vida.
A guerreira Severina nunca jogou a toalha.
E sem ter o nocaute, enfrentou sua Batalha,
seguindo firme e Valente o mesmo tendo pela frente a mais potente muralha
No auge da Juventude, foi tida como princesa, apesar de nunca ter acumulado Riqueza e ser sem ser dona de nada.
Foi por muito cobiçada, devido a sua beleza, ela se viu obrigada nessa vida a se vender.
Às vezes se deparando com a missão de sofrer e noutras vezes no amor.
Chegou a sentir mais dor no lugar de ter prazer?
Todo mundo tem na vida seu momento inconsequente e com Severina branca também não foi diferente, pois na vida aqui adentrou, ela quase se afogou em um copo de argua dente.
Sua vida Severina tirou do seu peito a tranca, libertando a poesia da sua alma pura e Franca.
Em todo e qualquer lugar alguém se põe a citar pés de Severina branca.
Severina também tem os seus momentos de Glória, pois se encontra muito viva, conquistando mais Vitória.
Basta ir a Mundo Novo para ouvir dela e do povo sua famosa história.
R- Obrigada.
P/1- Quem conhece Severina?
Sabe seu temperamento é mulher que não deixa enganar por um momento.
Se alguém então se atrever logo vai se arrepender pelo seu atrevimento.
Veja assim que em alguns casos narrado aqui por mim, pois eu afirmo que vou contra Tim Tim, por Tim Tim fiz a pesquisa completa da vida dessa poeta que é mais ou menos assim.
No cabaré da chola, encontrou um conhecido.
Cujo nome era Valmir e Vavá, seu apelido que abraçou, ela beijou e ela logo soltou daquele bebo atrevido, revoltado nela, olhou bem no fundo da retina e em seguida foi fazendo sua pergunta, cretina, qual é a mulher da vida que é mais puta?
É mais sofrida que tu é Severina.
Vavá dessa vez ouviu o que não queria ouvir e assim disse Severina, sem ter medo de agredir, sem saber teu nome é a mãe de quem tem um nome 2 vezes.
Manda aí.
Uma vez certo, o fumante, ao tragar o seu cigarro, destemperou a garganta para livrar se do cigarro e sem ter educação, deixou jogada no chão a marca do seu escarro e em seguida perguntou, fumante, viciado, e tu fuma?
Como eu fumo?
Ela respondeu, amado, meu querido menininho, o teu fumo é tão pouquinho que não dá nenhum torrado.
Certa vez, ela chegou num velório de um parente, perguntou de quem morreu.
Disseram, foi de repente.
Ela falou, não sabia que verso também podia ter poder de matar a gente no tempo da ditadura.
No dia da eleição, a lei era mais severa para o pobre cidadão, quem tinha que obedecer a lei seca sem beber, para não parar na prisão.
Faltava a democracia.
O país era atrasado.
Ninguém podia ser contra o que ditava o estado e, para melhor informar, não podia nem votar alguém que fosse soldado.
Eu sou testemunha ocular dessa história aqui narrada. Após votar, Severina retornou embriagada.
A polícia apareceu, pegou ela e prendeu, dando empurra, empurrada.
Ela falou, soldado, eu sou puta sem pudor, mas pode vim conferir o meu título de leitor.
Veja que pela manhã fiz papel de cidadã, quem de nós tem mais valor? Certo dia, Severina Alves mael Pereira disse, meu grande poeta, o silvesse de primeira, faça uma poesia, como faz a cantoria sobre mulher cajacina, respondeu.
Não vai dar não. Que inspirado não estou.
Severina é o poeta dessa maneira falou, muitas vezes sou cantada mesmo sem estar inspirada e das vezes que mais dou contam que cavalo brabo assim falou com carinho.
Severina quer fazer amor com cavalinho, ela é uma dose bebeu? E em seguida respondeu, nem se tu fosse o Marinho.
Cavalo mais bravo, disse, vai tomar esse teu rabo. Severina retrucou, o mesmo cavalo brabo é o cavalo do cão e não leva pro colchão quem tem o nome do diabo? Ao conversar com o Luiz, o conhecido espoleta, ele perguntou para ela, tem um no rosto careta, por que Severina branca?
Ela disse com voz branca, e por acaso eu sou preta?
Ao entrar no vá de elite, falou assim, Zé melé, tu és para mim. Severina poeta, tirando o é, respondeu com voz arguta, e tu, sem melé, alguém falou?
A polícia prendeu um Monte de gente na operação Pajeú.
O bandido é paciente operando com a Penha e vai dormir na cadeia com seu couro mais quente.
Severina foi dizendo, Cruz, credo, virgem Maria, Deus me livre para sempre de passar essa agonia só de pensar, estou suando. E pergunto, desde quando cacete anestesia certa vez de sem cureita, minha querida divina, quero morar com você, pois você me assina. Ela falou, meu amigo.
Para alguém morar contigo merece ser Severina a correta disse...
Amor dessa vida eu só me queixo se tu não morar comigo para te botar no meu eixo de se ver quem tá falando tu tá se preparando para passar para outra certa vez você assistia ao jogo de Futebol e o time de São José levava um Caracol quando o 4 gol levou o goleiro se falou a culpa toda do Sol, ela falou dos goleiros que eu já vi no pajeu o pior é esse aí com o nome de Curu, coitado de São José. Para mim, esse curu é um cururu sem o cu.
E para saber quem é Severina, maravilha, sinta se o extro poético, que tenha verve, que brilha e se quiser ter certeza, veja incidida a grandeza da sua nova existia.
Sou mulher de sentimento.
Ás 2 da madrugada levando a chave na mão, deixando a porta trancada e uma filha na cama, sem esperança de nada.
Severina branca, mulher de sentimento do Arlindo Lopes.
P/1- Obrigada.
[Fim da Entrevista]
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