Projeto Diversidade Capixaba
Realização Instituto Museu da Pessoa
Entrevista de Bebeto dos Bonecos
Entrevistado por Jadson dos Anjos da Silva, Ian Pereira Silvares e Sofia Tapajós
Santa Leopoldina, 18 de abril de 2026
Código: DCC_HV016
Transcrito por Stephanie Ferreira Lima
P/1 – Entrevista Carlos Alberto Pereira, Bebeto dos Bonecos, entrevistado por Jadson dos Anjos da Silva, Ian Pereira Silvares e Sofia Tapajós. Santa Leopoldina, 18 de abril de 2026. Projeto História de Vida, Diversidade Cultural Capixaba. Entrevista, número DCC_HV016. Muito obrigado, Bebeto, pela sua disponibilidade, essa entrevista pra a gente aqui. Qual o seu nome, local e data de nascimento?
R – Carlos Alberto Pereira, nascido em 29 de maio de 1945. Sou de Santa Leopoldina, Espírito Santo.
P/1 – Qual o nome de seus pais?
R – Pai, Alberto Pereira, e a mãe, Ieda Armelau.
P/1 – O que seus pais faziam?
R – Meu pai faleceu quando eu tinha dois anos de idade. Eu não convivi muito com ele, mas a minha mãe contava que ele era classificador de café, na época que em Santa Leopoldina o auge era o comércio do café, né? E minha mãe, funcionária pública na Secretaria de Saúde.
P/1 – E o que eles costumavam fazer?
R – Olha, eu vou falar mais da minha mãe, que o meu pai eu não tive convivência com ele. A minha mãe foi uma pessoa muito dinâmica, teve comércio, né? E uma pessoa muito, assim, caridosa, que hoje, por exemplo, eu tenho muitas pessoas que falam: “Rapaz, aquela era minha mãe”, né? Então, ela teve uma vida dedicada à Santa Leopoldina, tanto no trabalho, como na assistência social voluntária.
P/1 – Ela contava alguma história pra você de infância?
R – Sim. Eu sempre convivi muito com as histórias, porque eu sou filho único, e filho único ouve muita conversa de adulto, né? Então, por isso talvez que eu tenha essa vasta facilidade de contar as histórias.
P/2 – Tem alguma história que você lembra e que você...
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Realização Instituto Museu da Pessoa
Entrevista de Bebeto dos Bonecos
Entrevistado por Jadson dos Anjos da Silva, Ian Pereira Silvares e Sofia Tapajós
Santa Leopoldina, 18 de abril de 2026
Código: DCC_HV016
Transcrito por Stephanie Ferreira Lima
P/1 – Entrevista Carlos Alberto Pereira, Bebeto dos Bonecos, entrevistado por Jadson dos Anjos da Silva, Ian Pereira Silvares e Sofia Tapajós. Santa Leopoldina, 18 de abril de 2026. Projeto História de Vida, Diversidade Cultural Capixaba. Entrevista, número DCC_HV016. Muito obrigado, Bebeto, pela sua disponibilidade, essa entrevista pra a gente aqui. Qual o seu nome, local e data de nascimento?
R – Carlos Alberto Pereira, nascido em 29 de maio de 1945. Sou de Santa Leopoldina, Espírito Santo.
P/1 – Qual o nome de seus pais?
R – Pai, Alberto Pereira, e a mãe, Ieda Armelau.
P/1 – O que seus pais faziam?
R – Meu pai faleceu quando eu tinha dois anos de idade. Eu não convivi muito com ele, mas a minha mãe contava que ele era classificador de café, na época que em Santa Leopoldina o auge era o comércio do café, né? E minha mãe, funcionária pública na Secretaria de Saúde.
P/1 – E o que eles costumavam fazer?
R – Olha, eu vou falar mais da minha mãe, que o meu pai eu não tive convivência com ele. A minha mãe foi uma pessoa muito dinâmica, teve comércio, né? E uma pessoa muito, assim, caridosa, que hoje, por exemplo, eu tenho muitas pessoas que falam: “Rapaz, aquela era minha mãe”, né? Então, ela teve uma vida dedicada à Santa Leopoldina, tanto no trabalho, como na assistência social voluntária.
P/1 – Ela contava alguma história pra você de infância?
R – Sim. Eu sempre convivi muito com as histórias, porque eu sou filho único, e filho único ouve muita conversa de adulto, né? Então, por isso talvez que eu tenha essa vasta facilidade de contar as histórias.
P/2 – Tem alguma história que você lembra e que você possa contar?
R – Sim, da cidade nós temos muita, né? Eu sempre falo, por exemplo, que eu quero fazer um personagem pra contar as curiosidades de Santa Leopoldina, né? Que, muitos anos atrás, tinha um cidadão que ele era vida torta, né, e ele era chamado de Alemão Preto, porque ele era de origem preta e foi criado com os alemães e ele falava muito bem o alemão. E ele se tornou um cara perigoso, então, de vez em quando, eles estavam prendendo ele. E teve uma vez que ele foi preso e que ele ameaçou botar veneno na caixa d'água da cidade. E isso foi o que deixou a cidade pavorosa vários dias. Todo mundo com medo, a polícia vigiando a caixa d'água, mas felizmente só ficou na vontade dele mesmo.
P/1 – E mais lá da sua infância, o que você lembra de escola? O que você lembra?
R – Ah, minha infância foi muito boa, rapaz. O que eu vejo hoje, a diferença, né, que na minha época você chegava da escola, você malmente tirava o uniforme e já caía pra a rua pra brincar. Hoje, eu vejo, né, meus filhos, minhas netas, totalmente ligada a celular, a tablet. E na nossa época era muito diferente, a gente tinha vários tipos de brincadeiras, né? Nós tínhamos futebol que a gente praticava, tínhamos campos abertos pra a gente jogar, hoje os campos estão todos fechados, né? E era muito gostoso a nossa época de criança brincar de carrinho, carrinho de rolimã. Na época, não tinha rolimã, não, era de madeira mesmo. A gente descia essa ladeira da igreja com aqueles carrinhos de roda de madeira. Então, era bem diferente. A gente tinha o prazer de ser criança. Hoje, eu acho que está se perdendo isso, né? As crianças já estão sabendo de tudo muito cedo, não aproveita a infância.
P/1 – Qual era a brincadeira que você mais gostava?
R – O futebol pra mim era o melhor, né, com certeza. E depois, nós tínhamos uma brincadeira muito interessante, que era 21 tiro. Era como se fosse um batalhão, soldado, cabra, sargento, tenente, assim consecutivamente. E tinha o 21 tiro que é o que fazia a chamada. Então, ele falava: “Passei a revista do meu batalhão, faltou sargento”, mas ele apontava pra o soldado. Se o soldado respondesse, ele é que ia pra a faxina, porque tinha faxineiro, soldado, cabra. Essa era a brincadeira que eu falo sempre que devia ter hoje as crianças brincando disso, que era muito gostoso.
P/1 – E para além das brincadeiras, da escola, como o senhor falou. O que mais você fazia por aqui em Santa Leopoldina? Tinham festas, eventos?
R – Sim. O forte de Santa Leopoldina sempre foi o carnaval, né? O carnaval de Santa Leopoldina era muito animado. Era um carnaval... Contam que, na época das canoas, né, viam pessoas de outros estados, do Rio, de São Paulo, de Vitória mesmo pra cá, pra brincar o carnaval aqui. Olha só, desde quando, né? E o carnaval continuou forte. Na época, tinha vários clubes aqui em Santa Leopoldina. O carnaval de rua era de dia, à noite, era só clube. E foi aí que eu comecei a me envolver com o carnaval. Foi quando, com sete anos, eu fui campeão num concurso de fantasia no clube chamado Ália, que eu tirei em primeiro lugar com a fantasia de toureiro. E, daí pra cá, que eu ingressei no carnaval e estou até hoje.
P/1 – Como que foi essa interação, você começar? Foi com quem?
R – Olha, eu toda a vida fui muito criativo, entendeu? Então, depois dessa fantasia que a mamãe fez pra mim de toureiro, que era muito bonita, eu comecei a participar do carnaval, mas nunca brincando como os outros brincavam. Eu sempre queria uma coisa diferente. Eu sempre me fantasiava de múmia, de índio, de diabo, entendeu? Sempre eu estava na rua com uma fantasia diferente, mesmo guri. E foi pra ali que, na adolescência, eu já comecei, criei a Negra Maluca, que eu dançava com ela. Fiquei dançando muito tempo com a Negra Maluca, até entrar no carnaval com os bonecos gigantes, né? Que os bonecos gigantes eu vi em Olinda e falei: “Um dia eu vou fazer esses bonecos”. Fiz um que não deu muito certo, por falta de conhecimento. Ficou muito quente, porque ela era toda colada no corpo, uma vara só, que não tinha suporte pra equilibrar. Até que depois, com o tempo, a gente foi aprimorando, descobrindo o que podia ser. Eu usei muito aquela madeira gravatá, que a pita, aquele pendão dela, é levinho. Eu usava aquilo, com estrutura de ferro pra poder apoiar no ombro do homem. Mas, depois, eu descobri que o PVC é muito mais prático e hoje eu trabalho com cano de PVC.
P/1 – Você fez algum curso pra isso?
R – Nunca vi ninguém fazer. Foi tudo criação minha mesmo.
P/2 – E esses carnavais da sua infância, que música que tocava?
R – Várias marchinhas mais gostosas que tinha, né? “Chegou a turma do funil”, “Mamãe, eu quero”. Essas marchinhas que, até hoje, elas predominam no carnaval de Santa Leopoldina, que são as marchinhas tradicionais.
P/2 – Você tem alguma favorita que você queira cantar ou falar pra a gente?
R – Olha, são tantas que a gente... Mas a mais cantada é a [entrevistado canta]: “Mamãe, eu quero. Mamãe, eu quero. Mamãe, eu quero mamar”. Essa aí que é o carro-chefe do carnaval, né?
P/1 – Você lembra quando começou mais ou menos o carnaval de Santa Leopoldina?
R – Quando começou o carnaval? Ah, isso desde a década de 20, porque o carnaval daqui é muito animado, né?
P/1 – E os bonecos gigantes?
R – Ah, os bonecos gigantes já vieram bem depois. Em 1985, foi quando eu fiz o primeiro, entendeu?
P/2 – E aí, voltando pra a escola, você chegou a ir pra a escola?
R – Sim.
P/2 – E o que você lembra da escola?
R – Olha, eu fico olhando hoje a facilidade que os alunos têm pra chegar na escola. Eu não sofri isso, mas assisti muito alunos que vinham de 4, 5 quilômetros a pé, chegava dia de chuva, chegavam todos molhados. E a gente, que tinha um poder aquisitivo melhor um pouquinho, levava as merendas e trocava com eles com laranja, com frutas, né? Porque eles traziam as frutas e a gente trocava com eles, que pra eles era bom, porque iam pegar uma merenda diferente, né? E nós, logicamente, com as frutas que eles traziam.
P/2 – E teve alguma professora que te marcou mais?
R – Sim. Eu tive uma professora chamada dona Mariazinha (Alcimaster?). Era filha do pessoal do museu aqui, que foi minha professora. Era uma professora muito, muito, legal mesmo. Eu lembro muito dela quando dava aula.
P/1 – E você tem algum amigo até hoje de escola ainda que você lembra?
R – Rapaz, pela minha idade, 81 anos, são poucos. Quando eu vejo uma foto do futebol, né, eu fico contando a dedo ali quem ainda está aí. Tem hora que eu fico pensando. Por exemplo, eu tocava numa banda aqui em Santa Leopoldina, que naquela época não era banda, não, era conjunto musical. Desse conjunto musical, nós éramos em seis ou sete. Não tem mais nenhum vivo. Só eu que fiquei pra contar a história.
P/1 – E como começou essa banda?
R – Rapaz, você sabe como é que é jovem, né? Eu aprendi a tocar violão. Aqui, tinha um rapaz chamado Miúdo, que era um violonista muito bom. Eu aprendi a tocar com ele e rapidinho peguei o violão e comecei a tocar. E a gente fazia muita serenata na época, entendeu? Porque na época era liberado você chegar de madrugada na rua e fazer serenata, cantava. Você marcava as casas que você ia, né? A pessoa que você se propôs a fazer a serenata pra ela já ficava com a janela preparada pra abrir na hora e agradecer. E isso nós fazíamos muito aqui em Santa Leopoldina, a serenata. Eu tive uma vida muito participativa em Santa Leopoldina, tá? E pra você ter uma ideia, na época, eu participei desse conjunto musical, da banda Lyra, aquela que tocava retreta no coreto. Eu era saxofonista da banda e no conjunto eu tocava violão e cantava, né? Fui locutor de parque de... Não era parque de diversões. A pracinha lá do outro lado tinha um serviço de alto-falante que você podia chegar e botar, oferecer a música à sua amada, à sua namorada, né, à sua esposa. E eu era locutor desse serviço de alto-falante. Então, dali pra cá, depois fui... Consegui ser vereador em Santa Leopoldina. Fui presidente da Câmara duas vezes. Fui diretor do hospital daqui de Santa Leopoldina também. Ajudei a criar o Sindicato dos Trabalhadores Rurais, que na época só tinha o patronal, né, e não existia o do trabalhador rural. E pra a gente formar esse sindicato foi muito difícil, porque os patrões eram contra, né? Eles queriam que eles ficassem sem assistência. E foi um sacrifício, até briga se deu por causa disso. O presidente do patronal agrediu um dos nossos, porque nós estávamos fazendo a campanha pra formar o sindicato. A gente saía com Fusca, com alto-falante em cima, e naquela época não tinha pendrive, não tinha fita. Era no gogó mesmo, era no microfone. Então, você passava aqui, tinha uma pessoa, você falava. Ali na frente, você encontrava outra, você tinha que falar. E acabou a gente conseguindo, graças a Deus, criar o Sindicato dos Trabalhadores Rurais, que está até aí hoje.
P/1 – E esse como locutor que você falou aí, como que surgiu?
R – Rapaz, eu toda a vida gostei muito de microfone. Até tinha uma moça aqui que sempre falava: “Bebeto não pode ver o microfone”, né? E, devido à facilidade de lidar com o microfone, acabou ele me convidando lá pra criar esse estudiozinho lá no Coreto. E a gente fazia esse serviço.
P/1 – E quando você, o que você fazia?
R – Bom, minha mãe era dona de um bar, né? Nós tínhamos um bar Elite, onde em 1914. Então, eu ajudava muito no bar, mesmo quando criança, né? Porque a gente foi criado assim, vendo uma mamãe sempre trabalhando muito, né? Ela ficou viúva muito cedo. E isso aí fez com que ela se tornasse aquela pessoa dinâmica que era. Até os 89 anos, ela ainda fazia bombom caseiro e chupe-chupe pra cidade.
P/1 – Você acompanhava ela muito no bar?
R – Nem tanto, né? Você sabe que jovem gosta mais é de se divertir. Gostava mais de estar tocando violão, jogando futebol, por aí. Eu já tive banca de revista aqui em Santa Leopoldina também. Colocamos uma banca de revista aqui, mas Santa Leopoldina, até hoje, não se consegue botar uma banca de revista, porque é uma cidade pequena. Um comprava a revista, emprestava pra o outro e acabava ficando com o estoque encalhado, né?
P/2 – Você falou do futebol. Onde vocês jogavam?
R – Aqui, sempre teve um campo de futebol muito bom, que é lá no Mochafongo. Chama-se Mochafongo. Você passa o cemitério e logo depois tem o campo. Ainda está lá o campo, né? E tinha um campinho, onde hoje é o estacionamento embaixo do posto de gasolina, ali era um campinho aberto. Ali que a gente brincava todo santo dia, fazia torneio de ruas, né? Porque aqui tem uma coisa muito interessante que poucos sabem, que as ruas aqui tinham apelido. Além de ter o nome da rua, as ruas tinham apelido. Aquela rua que pega pra a entrada de Santa Maria, onde tem Elemacol, ela chama-se Marechal Floriano Peixoto, mas, na minha época, ninguém conhecia ela por esse nome. Era Rua do Gringo. Por que Rua do Gringo? Porque, na época das canoas, os gringos vinham pra cá, porque Santa Leopoldina foi tão importante naquela época, que os representantes de comércios do exterior, eles vinham primeiro pra Santa Leopoldina, pra fazer a praça daqui, pra depois ir pra Vitória, né? E dizem que eles ficavam muito, que ali tinham as casas de divertimento, né? Então, eles ficavam muito naquelas casas e por isso foi o apelido Rua do Gringo. E todo mundo conhecia por Rua do Gringo. Hoje mais não, né? Outra curiosidade daquela rua também, que hoje se reclama que o trânsito engarrafa toda hora, na época era pior ainda. Aquela rua ali era mais estreita. Cortaram aquela casa, primeira casa onde tem a locadora do Teco, ela foi cortada, porque na época passava pouco carro. Quem pensava que Santa Leopoldina um dia ia passar bitrem, essas carretas enormes de Santa Maria, que Santa Maria explodiu depois da emancipação, né? Santa Maria cresceu estupidamente, porque Santa Maria era distrito de Santa Leopoldina, né? Aliás, Santa Leopoldina foi uma colônia que deu origem a todos esses municípios vizinhos. Santa Tereza, Santa Leopoldina, Itaguaçu, Afonso Cláudio, né? Isso tudo saiu da... Era uma colônia só, que era Santa Leopoldina. E por isso que Santa Leopoldina tem 139 anos de emancipação. E eu já vivi mais da metade dessa emancipação [risos].
P/1 – Você falou da banda também. Qual instrumento você tocava?
R – Eu tocava sax, saxofone.
P/1 – A banda continua?
R – Não, a banda acabou há muitos anos. Aí, depois eu... Toda a vida eu tive uma paixão muito grande, porque, quando eu via bandas de Cariacica vir aqui puxar desfile, eu falava: “Pô, Santa Leopoldina com tanto menino talentoso aí, né, que podia estar se formando uma banda aqui”, mas ninguém tomava essa iniciativa. Foi quando eu consegui uma emenda parlamentar do deputado Hélder Salomão, deputado federal, Hélder Salomão que é do PT. Eles vieram aqui pra me procurar se eu queria fazer a campanha dele, por eu ter sido vereador, né? Então, eu sou muito procurado toda vez que tem essa campanha política. Aí, eles falaram: “Quanto é que você quer pra trabalhar pra a gente? Que você vai ter despesa?”. Eu falei: “Eu não quero nada. Arranja uma emenda parlamentar pra mim, pra a prefeitura comprar esses instrumentos”. Ele arranjou 100 mil. Nós compramos os instrumentos e a banda hoje está tocando. Amanhã mesmo acho que ela faz Alvorada, né? Ou fez hoje? Não. Acho que é amanhã que ela vai fazer Alvorada. E isso pra mim foi um motivo de orgulho, porque eu tinha, eu vi essa carência em Santa Leopoldina de ter uma banda, né? E hoje tem, graças a Deus.
P/1 – Por quem você aprendeu o sax? Por quem?
R – Olha, o sax foi influência de um primo meu que chamava-se Ronaldo, que foi um dos maiores instrumentistas do Espírito Santo. Ele era saxofonista e eu vi ele tocar e falei: “Um dia eu vou tocar saxofone”. E na época, quando surgiu a banda daqui, que era o maestro José Helena de Paula, né, que era o maestro, eu entrei, com poucos dias, eu já estava tocando junto com eles na banda, né? A vontade era tanta que eu tive essa facilidade.
P/1 – Você disse que ele não faz mais parte de banda, né? Mas o senhor ainda toca?
R – Sim, há pouco tempo eu fiz participação numa tarde de rock aqui na praça. Eu fui lá e cantei junto com a banda cá, né? E foi bacana pra caramba. Na Festa do Gengibre também, lá no palco da festa também cantei. A gente faz de pouco com tudo. E eu tenho um filho que hoje é produtor musical e é um dos bons tecladistas do Espírito Santo, o Will. Ele é formado em Música na Ufes [Universidade Federal do Espírito Santo], né? E tem na veia o dom da música e isso é motivo de orgulho, né? Como é bom você ver o filho dar continuidade àquilo que você começou, né? Ele só não quer ficar nos bonecos. Os bonecos ele não quer, não.
P/1 – Quantos filhos o senhor tem?
R – Três. Tem duas meninas. Uma é a Marcele, que é dona da Farma Plus, a Carla Isla, que é supervisora da Sadia, e o Will, que está comigo aqui em casa, é professor no colégio aqui e toca na noite e tem um estúdio onde ele faz produções. Inclusive, fez uma produção pra Litoral. Aquela música da rádio Litoral é ele que fez a produção.
P/2 – Queria voltar um pouco no tempo. Na sua adolescência, o que você fazia pra se divertir?
R – Olha, Santa Leopoldina antigamente era muito bom. Toda sábado e domingo tinha dançante, chamava-se dançante, né? O clube, a gente ia pro clube e dançava, se divertia, né? O futebol, que era o que eu mais praticava, principalmente o futebol de salão. Quando foi construída a quadra, eu consegui me destacar. Jogava até em outros municípios que vinham me buscar pra me jogar. Tinha facilidade de driblar. Enfim, Santa Leopoldina era muito bom. Aliás, é muito bom pra se viver. Eu reforço que é muito bom. Santa Leopoldina é uma cidade tranquila, acolhedora. Uma cidade que faz dois anos que não acontece um crime aqui em Santa Leopoldina. Isso é motivo de se louvar, né?
P/2 – Em que posição você jogava no futebol?
R – Eu jogava de meia-esquerda. Na época, chamava-se meia-esquerda. Meio de campo, né? Eu era o armador. E no futsal, eu fazia o pião lá na frente, só driblando e tocando a bola pra trás. Enfim, tive destaque mais no futsal do que no... Mas joguei no Cachoeirano. Tem fotos minhas todas no Cachoeirano, entendeu?
P/2 – Teve alguma história, algum momento do futebol ou do futsal que você não lembra?
R – Bom, do futebol a única coisa que eu tenho interessante é que Uma vez eu fiquei uma semana sem ir pro colégio. A professora passou, viu eu jogando bola no campinho. Quando eu fui pra escola, ela mandou todo mundo levantar que estava chegando um craque [risos]. Essa foi interessante. Mas o futebol aqui em Santa Leopoldina, nós tivemos muitos, muitos, jogadores bons, né? Aqui, teve um técnico chamado Hermínio Braz, que tinha o apelido de Pinto. Ele era fora de série. A gente respeitava tanto ele, que quando tinha o jogo no domingo, no sábado, a gente só podia ficar no clube até dez horas, onze horas. Passou dali, ele chegava no clube, cruzava os braços, olhava assim, só via neguinho descendo embora, porque senão no outro dia estava barrado, não jogava.
P/1 – E sobre esses clubes que o senhor falou. Quantos eram? Como eles eram? O que se tinha neles?
R – Os clubes? Por incrível que pareça, aqui tinha uma divisão de sociedade, se você quer saber. Tinha a Ália, que era da elite, dos ricaços, né? Tinha o Cachoeirano, que era da classe média. E tinha o Brasil Acorda, que era do João Fura-monte, que era dos menos favorecidos, entendeu? E, por sinal, o mais animado era esse. E o João Fura-monte foi o primeiro carnavalesco de Santa Leopoldina. Pra você ter uma ideia, ele tinha um bloco, com o mesmo nome do clube, né, Brasil Acorda, que ele saía na rua com aquele bloco enorme, com as pessoas fantasiadas de verde e amarelo, tinham músicas próprias deles, entendeu? Mas, olha, era o mais animado. Agora, mesmo com essa divisão de sociedade, não importava de um clube, à meia-noite, no carnaval, visitar o outro. Um grupo fantasiado ia, fazia uma roda dentro do salão e saía. O outro vinha no dele e fazia a mesma coisa. Então, era uma coisa interessante. Mesmo com a divisão de sociedade, não existia rivalidade. O objetivo era um só, brincar o carnaval.
P/2 – E nessa época que você era locutor ali no Coreto. Teve alguma história, algum momento que você se lembra?
R – Tem, tem. Tem uma gafe que eu cometi. Eles levavam papelzinho escrito, pra mim ir lá e dedicar a música, né? E vieram três meninas, me deram um papelzinho. Aí, eu li essa música que Maria, Joana e Tereza oferecem a Miguel e Valdemar, a Valdemar e Miguel. Caramba. E aqui tinha, tem um comerciante chamado Valdemar Níquel. E eu, em vez de Valdemar e Miguel, li Valdemar Níquel. Botei no ar. Aí, elas foram lá: “Menino, você está ficando doido, rapaz? Olha o que você fez”. Aí, eu voltei pro ar, né? Falei: “Uma hora dessa, a mulher dele já tinha chamado ele” [risos]. Essa foi uma gafe muito boa.
P/1 – E acabou? Por que acabou?
R – Ah, não. Isso ficou pouco tempo, né? Esse serviço de locução lá foi pouco tempo, não ficou muito tempo, não. Foi uma época, assim, de animado e tudo, mas depois acabou.
P/2 – Nessa sua juventude, você era muito namoradeiro? Como que era essa parte?
R – Caramba, aí você me complica. Com certeza, né? Eu toda a vida estive assim, por tocar violão, por cantar, isso atrai muito, né, quando você chega na rodinha, coisa e tal. E eu gostava muito de carro sem capota, com descarga aberta. Naquela época, saíam os óculos espelhados. Eu toda a vida fui cabeludo, nunca tive cabelo curto, né? Então, quer dizer, isso aí com certeza que a gente arranjava as namoradas, até conhecer dona Amília, que aí acabou. Conheci ela em 1974, em 1981, nós casamos e estamos até hoje.
P/2 – Como que você conheceu ela?
R – Rapaz, foi numa tocada de banda que nós acabamos de tocar na cidade e tinham as meninas de Santa Tereza que vieram passear aqui. Aí, ela me viu, conversar, ela falava: “Vamos sentar na pracinha, vamos tocar violão. Chama Bebeto”. E daí foi que a gente começou a se entender, né? Já estamos o quê? Desde 80? 40, 46, né, por aí.
P/1 – E como foi seu casamento com ela?
R – Ah, não fala, não, tem coisas interessantes.
P/2 – Como foi o seu casamento?
R – Meu casamento tem história.
P/2 – O dia do casamento você lembra como foi?
R – Lembro. Nós tivemos dois casamentos. O primeiro, 12 dias antes nós rompemos o casamento, com tudo pronto. Aí, ficamos um ano separados. Depois, voltamos, fomos casar. Aí nós fomos casar em Jardim América. E minha mãe era doceira, minha mãe fazia bolo muito bem, torta. E ela fez uma... Tinha uma irmã de criação minha que morava em Porto Santana, em uma casinha humilde, de madeira, né? Aí, ela foi e fez a torta lá, só que a torta enorme. Eles não mediram se a torta passava na porta. Depois da torta pronta, como é que sai com ela? Virar não podia. Aí, o meu cunhado falou assim: “Vamos fazer um negócio”. Pegou um serrote, serrou um dente na porta pra poder passar com a torta. Quer dizer, isso foi uma das coisas interessantes que aconteceu.
P/1 – Você falou, voltando um pouquinho na infância de novo, você falou que sua mãe fazia doce, né?
R – Sim.
P/1 – Você lembra de algum doce, algum prato favorito seu?
R – Rapaz, minha mãe fazia doce de tudo quanto é jeito, né? Ela fez uma réplica desse cruzeiro, em homenagem aos imigrantes, ela fez uma réplica perfeita. E ela fazia muito assim, por exemplo, Toddynho está fazendo ela. Toddynho é um jogador de futebol, torce pra qual time? Eles encomendavam, ela fazia o campo com o jogador, com a camisa do time de Toddynho. E eu acostumei com isso. O doce dela era todo gostoso, não tinha um. O bombom recheado com morango, por exemplo, era uma delícia, né?
P/1 – E você aprendeu alguma receita com ela nessa época?
R – Olha, a gente nunca se importou muito com esse negócio de fazer, né? Mas eu sempre ajudei ela a fazer. Hoje, de vez em quando, eu passo as coordenadas pra a Miriam de como a mamãe fazia, né? Isso eu sei. Por exemplo, a jenipapo. O que é a jenipapina? É o licor de jenipapo. Você tem que pegar... O certo é o álcool de cereal, né, mas você pode botar na cachaça também. Você pica ele, bota dentro do litro e deixa ali dois, três, quatro meses curtindo pra depois você fazer uma calda de açúcar, misturar e fazer o licor, né? Isso aí até esses dias eu coloquei o jenipapo lá no vidro pra ver se vai dar certo. Ela fazia muita jenipapina.
P/2 – Voltando pra o carnaval um pouco. O seu primeiro bonecão, você falou que foi em 85, né?
R – Sim.
P/2 – Como que era esse bonecão?
R – Olha, foi uma coisa assim que, quando eu fiz, eu peguei uma vara dessa de gravata, né, essa madeira. É aquela que eles espetam algodão doce, né? Eu peguei uma vara daquela, fiz uma cruz, pendurei os braços. Na cabeça eu fiz um torso com a meia calça de mulher, né? E pintei o rosto com tinta. Ficou aquele negócio bem estranho, compridão, mas quando foi pra a rua todo mundo admirou: “Rapaz, tinha um bonecão lá de todo tamanho”. Aí, no outro ano, já me pediram pra fazer outra vez. O dono da loja de tecido, quando eu fui lá comprar, ele falou: “Não. É pra o boneco, eu vou dar o tecido”. Luciano (Mansky?), que está aí até hoje, né? Então, foi o primeiro que eu fiz, mas ele ficou muito difícil de carregar. Aquilo que eu falei no começo, ele não tinha suporte pra você segurar, né? Era uma estrutura bem difícil. Agora, voltando ao Carnaval de Santa Leopoldina, o carro-chefe do carnaval de Santa Leopoldina, na verdade, é o boi e a mulinha. Que isso foi criado lá atrás, na década de 30, 40, que tinha o Jair Silva, que é o Jajá, de tanto que minha mulinha leva o nome dele, Jajá, mulinha Jajá. Foi ele o criador dessa mulinha. E o boi, como o boi em todo lugar, ele tem nome, né? Tem caprichoso, tem boi de Mamão, tem Pintadinho, tem boi Janeiro. Aqui não tinha o nome do boi, eu criei o nome, porque dizem que tinha um tal do seu Romeu que gostava muito de carnaval e que vinha com o boi lá de Monte Alegre, onde é a Curva da Morte, brincar o carnaval. Então, eu dei o nome do boi, boi Romeu. Então, é a mulinha Jajá e o boi Romeu. Mas eu só fiz esse boi e essa mulinha bem depois, por quê? Outros carnavalistas vinham brincando com esse boi e essa mulinha, mas chegou uma determinada época que ele quebrou a tradição, ele deixou de usar o boi na cabeça e fez um boi de montaria. Aí eu falei: “Não. Eu vou resgatar o boi da história de Santa Leopoldina, que é o boi da cabeça”. Por sinal, nos outros lugares, o homem que trabalha no boi chama-se miolo do boi. Então, eu falei: “Não, eu vou”. Aí, foi quando eu fiz o boi e a mulinha, mas eu fiz já bem diferente deles, que, hoje você vê a minha mulinha, dá a impressão que eu estou montado nela mesmo. Fica perfeito. As pessoas ficam admirando, olhando, pra ver se descobrem como é que eu fiz aquilo, né? E até hoje nós estamos aí, com o boi e a mulinha sendo o carro-chefe do carnaval de Santa Leopoldina.
P/1 – Tem ideia, mais ou menos, de quantos bonecos você já fez até hoje?
R – Rapaz, entre pequenos e grandes, né? Porque eu faço muito boneco pequeno também. Esses bonecos ilusórios, exóticos, que você pensa que tem dois e é um só, né? Você pensa que é o cara mais um. Por exemplo, o banheiro químico. O banheiro químico tem um cara segurando o banheiro e outro dentro do banheiro, usando o vaso, mas é uma pessoa só. O bebê conforto, que agora eu já botei até o bebê reborn, né? Porque mudou o assunto. O que que é? É uma babá carregando um bebê conforto. O homem, o bebezinho, né? O bebezinho mexe com as perninhas, os bracinhos, mas a cara é do homem. Aí eu pego o barraco pra botar no... Que aí o bebê fica bem bonito, né? Eu levei pra Santa Teresa, fez um sucesso, cara. Foi um sucesso.
P/1 – E qual foi a sua criação mais difícil, assim, a que deu trabalho pra você fazer?
R – Rapaz, todos eles são muito difíceis. Mas hoje, por exemplo, eu tenho uma equipe muito boa, né? Eu tive muita dificuldade no começo, quando eu me propus a fazer esses bonecos. Por exemplo, a cabeça a gente não sabia como fazer. Aí na época eu pedi à Prefeitura, que eles me pediram se eu podia levar os bonecos pro carnaval. Aquele boneco grandão feio que eu fiz. Aí eu falei: “Olha, mas eu queria fazer uma cabeça do boneco mais bonita”. Aí eu falei: “Você não arranjava alguém pra vir ensinar a gente?”. E assim foi feito. Falou: “Me arranja dez pessoas que eu trago uma professora pra ensinar”. E veio uma professora de Vitória, eu arranjei as dez pessoas, chamada Layla. Ela muito inteligente, criatura muito legal. Só que ela falou, quando ela viu o tamanho do boneco, ela falou: “Gente, eu sou acostumada a fazer biscuit, essas coisinhas pequenas. Eu nunca imaginei”. Até perguntou: “Isso é como é que é com perna de pau?”. Não tinha nem noção do que era. Aí eu falei: “Bom, então faz uma coisa, ensina pelo menos a fazer o papel machê, que daí já é um passo pra gente estar criando isso”. Aí ela começou a ensinar. No primeiro dia, foi dez, no segundo dia, foi oito, no terceiro dia, quatro, no fim, ficou só eu e um tal de Félix, que é até um rapaz que tem habilidade, é um artista também. Nós dois é que ficamos pra aprender. Foi quando eu comecei a fazer os bonecos com papel machê, junto com a Layla. Fizemos as cabeças, montamos o boneco, quando chegou na hora, quem que tentava suspender aquilo? Ficou pesado, porque você botar um quilo de qualquer coisa numa vara e suspender de três metros, se ela prender pro lado, você não consegue voltar não. E foi isso que aconteceu. Aí, na época, pra não perder os bonecos, eu sugeri ao prefeito que a gente enfeitasse a cidade com os bonecos nos postes, que ficou lindo. Foi um carnaval que a cidade ficou enfeitada desse jeito. Inclusive, eu ofereci ao secretário de Cultura e Turismo, esse ano, se ele quisesse, eu tinha feito isso. Eu e minha equipe, entendeu? Nós tínhamos colocado em cada poste um boneco, né? Até com características, se quisesse, das etnias, ou mesmo bonecos de carnaval, como fantoche, alecrim, colombina. Enfim, a cidade ia ficar muito bonita. Então, voltando lá, nós fizemos isso e não deu certo. Eu fiquei muito grato por ela ter nos ensinado a fazer o papel machê, que dali que despertou a gente fazer ele mais leve, mais fácil, né? Nós começamos a fazer só com papel, sem usar muito o papel machê, mas só o papel. Fazia armação de tela e enchia de papel e depois com massa corrida, né? Passava a massa corrida que ficava lisinha, mas nós fomos vendo com o tempo que isso quebrava muito, né? Qualquer lugar que o bonequeiro... Bonequeiro é o cara que carrega o boneco, porque os bonecos têm as pessoas que dão vida a ele. Eu tenho bonequeiro aí que já tem 18 anos comigo trabalhando, entendeu? Então, quando eles encostavam na parede, o nariz quebrava. Aí já tinha que trazer pra casa pra remendar ou substituir, porque eu sempre tinha o boneco já preparado pra qualquer eventualidade que tivesse de acidente, a gente ter o boneco pra substituir. E a gente começou a... Eu comecei a pensar em outra maneira. Aí nós começamos a descobrir o isopor. Aí tinha um rapaz aqui em Santa Leopoldina, Jean do Santos, ele é um artista fora de série. Ele desenha muito fácil, né? E eu falei: “Cara, esse menino vai me servir”. Falei com ele, falei: “Rapaz, você não quer trabalhar comigo lá pra fazer as cabeças?”, “Não, não sei fazer isso, não, rapaz”. Falei: “Sabe sim, quem desenha desse jeito sabe. Vamos lá comigo”. Aí ele veio, nós dois juntos, nós desenvolvemos... Pra você ter uma ideia de fazer, hoje nós fazemos bonecos caracterizados. Você pede à pessoa e nós fazemos, tá? Ele tem uma habilidade na pintura, de sombra, de marca, que é fantástico, né? E eu tenho um outro menino que chama-se Barraco, que é quem mexe com a estrutura do boneco, que agora eu faço de PVC, todo de cano. Meu boneco pesa 12 quilos. Olha só, um boneco de três metros e meio de altura pesa 12 quilos. É muito, muito, muito leve. Qualquer criança carrega, né? Então, o Barraco, que é o José Miranda, ele é habilidoso também, ele é tatuador, ele faz faca, é cuteleiro, né? Então, ele tem muita habilidade. E essa equipe formando, com a costureira, nós temos duas costureiras, aliás, costureiras passaram várias por mim, né? Já ao longo do tempo, a Célia, foi a que mais ficou com a gente, a Célia (Barth?), que costurava as roupas, né? Hoje nós estamos com uma equipe muito boa. Tem o Jean Barraco, a Néia (Endrige?), que é uma artesã também, e a Janaína, que já esteve aqui hoje revisando os bonecos pra mim pra poder sair amanhã no desfile. Então, a equipe é muito, muito, muito boa. Eu hoje estou chegando a esse ponto da gente poder pegar uma encomenda que nós fizemos agora pra um político lá da Serra, o tal do Muribeca. Rapaz, ficou perfeito. Nós fizemos Sérgio Reis uma vez, né? Nós fizemos Sérgio Reis. E nós fomos lá na quadra, ele fez aquela xaropada, parou o show, falou que ia comprar o boneco, me botou lá em cima do palco, né? Mas foi um sucesso danado. Depois, eu fiquei conhecido até pelo cara que fez o boneco do Sérgio Reis. E infelizmente eu não tenho mais esse boneco. Eu desmanchei o boneco quando o Sérgio Reis se colocou contra a democracia. No meu galpão, não tem lugar pra quem é contra a democracia, entendeu? Eu fiz questão de desmanchar. E eu tinha vontade de encontrar com ele pra falar isso pra ele, né?
P/1 – E qual foi o boneco que mais te marcou até hoje?
R – Por incrível que pareça, o Sérgio Reis foi o que deu esse boom em tudo quanto é lugar, mas tiveram outros, né? Por exemplo, o Dal Márcio, que foi um carnavalesco de Santa Leopoldina, que é o pai do professor Tuca, né? Esse também teve muito destaque. Pelé, que foi muito perfeito. Enfim, eu acho assim, nossos bonecos, todos, todos têm destaque. Quando a gente faz as etnias, porque Santa Leopoldina, pouca gente sabe, nós temos 11 etnias aqui em Santa Leopoldina. Olha só. Tanto que nós não temos a identidade. Santa Tereza, italiano, né? Santa Maria, pomeranos. E nós aqui não temos a identidade. Por quê? Porque são muitas, são várias, né? E eu faço questão de retratar. Quando eu fiz os bonecos de Olinda, que se chama boneco de Olinda, eu falei: “Eu não vou copiar Olinda. Eu vou fazer alguma coisa que tenha raiz com Santa Leopoldina”. Foi quando eu peguei os bonecos, transformei em bonecos representando as etnias do município, porque aí ninguém podia falar assim: “Não, mas isso não é tradição de Santa Leopoldina. O boneco gigante não é tradição de Santa Leopoldina”. Não era, que hoje já é, tá? Não era tradição, mas ele representava as tradições de Santa Leopoldina. Estava ali retratando em tamanho gigante, né?
P/2 – E aí, eu queria voltar um pouco pra esse carnaval de rua, assim, o começo dos bonecos. Como que era? Os bonecos saiam pela cidade toda, cada rua tinha seu boneco?
R – Não, não tinha boneco. As pessoas fantasiadas. As pessoas se fantasiavam. E se fantasiava, por exemplo, de médicos e paramédicos, né? Saia aferindo pressão, em troca você pagava a cerveja, aquelas brincadeiras, né? Usava muito também, comprar um pinico, um urinol virgem, e botar cerveja dentro, botar uns pedaços de linguiça e ir com a canequinha distribuindo pra o pessoal na rua [risos]. Tinha um tal de Juarez (Alcimastre?) aqui, que ele era um pintor fora de série. Então, no carnaval, ele levava uns pedacinhos de madeira, tabuazinha pequenininha, e lá ele com um monte de tinta, com a mão, não usava pincel, não. Ele ia fazendo ali, fazia as imagens que ele queria e vendia pra o pessoal, troca, assim, simbolicamente. A venda era simbolicamente, entendeu? Não era o valor que ele dava. Então, era um carnaval muito divertido, e era de dia. Seis horas da manhã você já encontrava gente fantasiada. O Dalmacio abria o carnaval às seis horas da manhã com o tarolzinho dele vestido de mulher, com o torso na cabeça, vinha cantar, abria o carnaval cantando as marchinhas dele. E o Pitone, Pitone ele gostava muito de se fantasiar de urso. Ele pegava aquela barba de Papai Noel que eles chamam que cai nas árvores, que fica pendurado, colava na roupa e fazia aquele bichão de todo tamanho. E a gente ficava encantado com aquilo, né? Então, o carnaval era o carnaval de rua, era animado. Aí à noite tinha o Zé Pereira. O Zé Pereira era esse bloco que tem hoje que passa na rua pra lá e pra cá. Só que ele começava, vamos dizer, às sete até às nove. Ali parava tudo e a gente ia se preparar pra ir pra o clube, pra o carnaval de salão, porque na época tinha serpentina, tinha lança-perfume, né? Era um carnaval muito, muito bonito. Os clubes se enfeitavam todos. Era muito bom.
P/1 – E você já saiu daqui de Santa Leopoldina com seus bonecos ou nunca chegou a expor eles a outros lugares, a não ser no carnaval daqui?
R – Não, já sim. Olha, eu já desfilei na escola de samba Barreiros, acho que foi em 2010, quando o tema deles foi as Três Santas, né? Aí eu fui representando a Santa Leopoldina com os bonecos vestidos de imigrantes, né? No sambão do povo, a gente desfilou. Já participei da Feira dos Municípios, o ano passado. Eu fui com os bonecos lá, foi um sucesso, lá no pavilhão de Carapina. E este ano eu fiz o carnaval de Santa Tereza e São Roque do Canaã. Já fiz também lá na Praia da Costa, em Vila Velha, levei os bonecos lá no bloco. E a gente sempre está sendo chamado, né? Já tive o João Bananeira, que eu fiz em exposição no aeroporto. Ficou três meses lá em exposição. Depois, foi pra o Tribunal de Justiça, ficou lá também em exposição. Enfim, hoje eu já sou muito conhecido. Olha, eu digo pra você que hoje o meu trabalho é reconhecido no mundo todo. Eu recebo muita, muita, mensagem dos outros países, de pessoas que às vezes são daqui, que moram lá, que mostram o trabalho e eles se interessam e entram em contato com a gente, né? Eu tenho amigos que trabalham com cultura em outros estados, que me chamam de mestre e dizem que têm orgulho de falar comigo. Isso é muito bom pra mim, porque é o que eu falo sempre. Gente, o meu sucesso, modéstia à parte, não é em cima dos bonecos gigantes, não. Os bonecos gigantes é uma consequência. O meu reconhecimento que eu estou tendo hoje, que pra vocês terem uma ideia, o Toddynho é reconhecedor, a Secult, a Funcultura, fez uma cartilha contando a minha história pra ser entregue nos colégios de Santa Leopoldina, né? Mas isso tudo é devido à minha dedicação à cultura de Santa Leopoldina. Não é por causa do carnaval, por causa dos bonecos. Eu faço palestras nos colégios, contando a história do carnaval, contando a história da cidade. Todo ano eu me fantasia de Papai Noel, com um trenó. À noite, eu rodo a cidade todinha, com o carro todo iluminado. Eu sentado em cima do trenó, com uma reina, fiz uma reina. Quem entrar no meu Instagram vai ver. É Bebeto dos Bonecos, Instagram. É uma coisa que todo ano eu faço que é muito gratificante. Quando você passa numa casa, às vezes tem um idoso sozinho na casa, batendo palma, porque você está ali desejando um Feliz Natal pra ele. Eu, por várias vezes, choro em cima do trenó, emocionado com essas pequenas coisas.
P/1 – E de onde saiu sua inspiração para fazer os bonecos?
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P/2 – Como você se sente com esse reconhecimento?
R – Olha, aos 81 anos, você tem um mural na escola principal de Santa Leopoldina, que é o Alice Holzmeister. Ter seu trabalho retratado no muro, com sua figura e o seu trabalho, isso já marca bastante o meu trabalho, né? E o bom é que eu estou sendo homenageado em vida, que é triste quando você faz um trabalho que depois que você morre é que você é reconhecido. Aí dão nome de rua, nome de estádio. A minha felicidade é essa, que eu estou recebendo várias homenagens, entendeu? Eu desfilei no ano retrasado em cima de um carro aberto com uma personalidade marcante do município. Quer dizer, isso é muito importante. É um motivo de orgulho, mas muito mesmo. Então, eu vejo que todo esse trabalho, todo esse sacrifício, que eu resisti, que eu trabalhei muito tempo tirando dinheiro do bolso pra poder trabalhar, né? Quem pensa que a arte dá dinheiro está enganado. A arte, se você quer entrar nela, se prepare, você vai por amor, por gostar, porque dinheiro não dá, não. Mas, então, todo esse sacrifício meu eu estou colhendo os frutos agora, em vida, isso é que é bom, né?
P/1 – Voltando um pouco pra a sua vida, né? Você falou que tem três filhos. Como você se sentiu quando virou pai?
R – A melhor coisa do mundo, gente. Caramba, eu sempre falo: o que seria de mim se eu não tivesse esses filhos, né? Eu sou o pai mais babão que tem. Meus filhos não cresceram pra mim, entendeu? Eu tenho dado um carinho com eles, é incrível. A Marcele já está casada, é dona de farmácia, me deu duas netas lindas, lindas, que brincam comigo no carnaval, nas mulinhas. Elas já estão com o vovô no carnaval, né? A Carla mora lá na serra, é meu xodó, e o Will é minha raspinha de tacho. Como diz o outro, pra você ter uma ideia, ele toca na noite em Vitória. Ele sai de lá de Vitória às vezes duas horas da manhã, ele me liga, dizendo: “Pai, estou saindo daqui agora”. Eu fico acordado, vou monitorar quantos minutos gasta de lá aqui, pra se qualquer coisa que ele não chegar, eu vou buscar. Eu fico a noite inteirinha acordado, esperando ele chegar. Aí, quando ele chega, em vez de a gente dormir, ele vai contar a história do show dele, entendeu? E a gente acaba amanhecendo o dia conversando. E família é a coisa mais importante do mundo, né? A dona Miriam foi professora uma vida aqui em Santa Leopoldina, né? Eles cantaram parabéns pra ela pra aposentar umas quatro ou cinco vezes. Aposentava e voltava, né? Mas hoje ela tá aposentada. Mas é uma família maravilhosa. Eu acho que eu sempre digo, ter uma família boa é muito bom, e eu tenho. Eu, como diz o outro, com 81 anos, eu só tenho que agradecer a Deus, nada mais. Eu não tenho nada que pedir a Ele mais. Só saúde, pra me dar saúde, pra eu continuar nessa luta aí. Agora, tem uma coisa, só que a família, ninguém quer herdar os bonecos. É uma preocupação que eu tenho. É uma preocupação que eu tenho. E daí? Eu não sou eterno. Quem é que vai continuar com isso? Porque “Ah, vamos fazer oficina, vamos ensinar”, eu já falei isso pro prefeito, não só eu. Olha que coisa interessante. Eu fui sabatinado por um grupo de alunos, lá no colégio Ilma Nascimento. Tudo pequenininho, né? Cada um fazia sua pergunta. Aí um me perguntou: “E quando você morrer, quem vai fazer isso?”. Eu falei: “Olha, essa pergunta que fica no ar”. Aí quando acabou a entrevista, todos, todos os alunos fizeram uma cartinha ao prefeito pedindo que ele fizesse oficinas pra eles aprenderem, e até hoje não saiu a oficina, entendeu? Mas é aquele negócio, deixa eu te falar, eu tenho dois meninos aí que são ótimos, que trabalham, que se botar o projeto na mão deles, eles fazem. Mas, agora, a criatividade, bicho, isso é nato. Isso aí não se ensina, a criatividade. Eu sempre digo, seja curioso, que a curiosidade desperta a criatividade. Você sendo curioso, você vai fazendo e vai vendo que ali não deu certo, você vai fazendo de outro jeito e acaba você sendo criativo, né? Mas que é muito difícil, a gente fica pensando como é que vai ser, porque os dois meninos são bons, mas eles não têm a criatividade. Fazem aquilo que eu monto, a estrutura que eu montei, e eu ainda tenho que estar perto, tanto eles como a costureira. Eles falam assim: “Não, eu não vou. Se você sair, eu paro, porque se não, quando você chegar, você vai mandar desmanchar que está tudo errado”. Às vezes, a costureira faz a roupa, ficou linda. Eu olhei e falo: “Cara, não ficou bem essa roupa nesse boneco, vamos tirar”. Às vezes, eu não acredito. E faz o boneco, o nariz ficou pequeno, ficou grande. Eu falo: “Não. Vamos fazer diferente”. Enfim, então eu tenho que estar junto com eles pra poder a gente fazer a coisa bem certinha, né? E eu hoje tenho dificuldade em esculpir, por causa da minha vista também. Eu tenho um problema sério na vista direita. Então, a gente tem que estar com a equipe mesmo. Mas assim mesmo eu ainda dou minhas cacetadas. E esse boneco que está pendurado aqui no galpão, que é a minha figura, esse aí foi eu que fiz ele, mesmo com o olho torto [risos].
P/1 – E o que você acha indispensável pra a continuidade dos bonecos, além de saber fazer o boneco?
R – Estrutura. Estrutura é fundamental, gente. Eu fico vendo Olinda, eu vou ser franco com vocês, eu fui a Olinda, fui com muito medo. Eu falei: “Caramba, vou ter uma decepção desgramada de chegar lá ver aquela coisa fantástica”. Mas eu posso ser franco? Não é tão diferente, não, gente. Não estou querendo comparar, porque é aí que eu chego a vocês. Olha a estrutura de Olinda e olha a minha, olha onde é que eu trabalho. Vocês viram ali o galpãozinho? Quais as ferramentas que eu tenho? Eu fico inventando material, fico reciclando, né? Eu comecei agora a cair um coliriozinho no olho do velho com esses projetos da Lei Rouanet, de Paulo Gustavo, enfim, agora que eu comecei a ter... Antes era praticamente zero. Carnaval me pedia dois bonecos durante dois dias. Quer dizer, hoje não, hoje está diferente. O meu trabalho tomou uma dimensão grande, porque toda festa eu estou participando, né? E eu acho que mais do que justo, porque qual é o outro município que tem isso? Nós somos únicos em retratar as etnias. E outra coisa, esses bonecos pequenos que eu faço, eu tenho o Chaves no barril, com o Seu Madruga carregando ele. O cara entra dentro se tivesse de Chaves. Seu Madruga está agarrado no barril. Você entra dentro do barril, bota a toquinha do Chaves, a camisa do Chaves, e você é o Chaves e o Seu Madruga carregando, né? Eu tenho um anãozinho que carrega uma geladeira, uma caixa enorme, do tamanho da geladeira, ele carrega a geladeira nas costas. Mas eu que estou dentro da caixa, ele cresce da minha cintura pra baixo. O anãozinho está aqui embaixo. E isso é que é a curiosidade do povo, né? De ficar pensando: o que vem esse ano? Qual é a novidade? Eu tenho aqueles três bonecos intercalados por varas, que você movimenta e eles acompanham. Aquilo ali é difícil de montar, tá? É um quebra-cabeça. E eu consegui fazer. Aquilo ali é um sucesso quando a gente sai, entendeu? São esses bonecos pequenos que preenchem o carnaval, porque a curiosidade é de ver o que vem. Eu tenho a jaula. A jaula é um policial levando uma grade, um cidadão preso. E eu sempre boto um tema educativo. “Se beber não dirige”, aí boto o cara todo quebrado, com umas peças de carro pendurado no meio. Ou “Não é não, respeite a mulher”. Enfim, isso aí é educativo. Eu sempre procuro... “Um dia é da caça, outro dia é do caçador”, boto o macaco carregando o caçador com a espingarda toda quebrada. Então, esse é o meu trabalho com esses bonecos pequenos, que o povo já fica esperando, né? Próximo a carnaval já fica: “Ei, o que vem esse ano? O que vai sair de novidade?”, porque sempre tem uma novidade. Então, não é só os bonecos gigantes. Eu sempre faço os bonecos gigantes. Lógico, teve um destaque fora de sério, até pelo tamanho, mas o meu sucesso, essa alavancada que deu na minha vida artística, é um conjunto de coisas. É a minha dedicação à cultura de Santa Leopoldina, voluntário. Eu me apresento nas escolas, não cobro nada. Eu sou Papai Noel, não cobro nada. Quer dizer, isso é um trabalho que está trazendo os frutos agora. Que pode pensar: “Não, ele faz sucesso por causa dos bonecos gigantes”. Não, não é só isso não. O reconhecimento, por exemplo, você acha que a Funcultura ia fazer uma cartilha pra entregar nos colégios só porque eu fazia bonecos gigantes? Não. Foi pelo meu trabalho, pela minha história com Santa Leopoldina. Eu sempre falo, eu desafio qual cidadão leopoldinense que mais deu entrevista em televisão. Eu desafio o cidadão leopoldinense que mais fez entrevista com alunos fazendo TCC, alunos da Ufes, da Pio 12, daqui do ginásio. O ginásio eu acho que ele já até proibiu de me entrevistar, de tanta entrevista que eu dei. Todo trabalho é comigo, né? Eu recebi carta dos alunos do Ilma Nascimento, dos colégios, cada carta linda, agradecendo pelo meu trabalho, entendeu? Outra coisa, a professora deu uma tarefa pra eles, pra eles fazerem um histórico sobre a pessoa mais importante que eles achavam em Santa Leopoldina. Cara, por incrível que pareça, a professora falou pra mim: “Rapaz, foi todo mundo”, os guris da classe dela, todo mundo botou a minha história. Quer dizer, isso é consequência de uma vida dedicada à cultura de Santa Leopoldina. Tanto que eu não gosto que me chamem de artesão, de artista. Não, me chamem de fazedor de cultura, que é o que eu sou, que tenho orgulho de fazer, entendeu? Eu acho que é muito mais importante você se dedicar à cultura do que fazer um boneco bonito. Fazer um boneco bonito é só um boneco bonito. Agora, se dedica à cidade, tome amor pela sua cidade. Que, além disso tudo, eu já fui vereador, presidente de campo, e hoje sou presidente da Associação de Moradores de Santa Leopoldina. Que Santa Leopoldina, com 139 anos de emancipação política, nunca teve uma Associação de Moradores. Eu criei, eu digo eu, que foi eu que criei. Lógico que com companheiros que toparam aceitar, mas a iniciativa foi minha, né? Com 81 anos, eu sempre falo, eu podia estar em casa, sentado numa cadeira de pijama, pedindo da dona Miriam: “Traz meu mingau, traz minha sopinha”. Nada, estou em reunião. Faço parte de tudo quanto é conselho, conselho de saúde, conselho de cultura. Não é vaca de presépio, não, de chegar lá e ficar balançando com a cabeça, não. É de levantar, de cobrar, de dar sugestão. Eu tenho uma coisa muito boa comigo, eu não só cobro, eu cobro e dou a sugestão. Eu acho que isso é importante. Não adianta você ficar cobrando do prefeito e você não contribuir com nada, né? Eu sempre falo, eu acho que a gente tem que ter isso na gente. Eu amo Santa Leopoldina. Quem ama, cuida. Então, nós temos que cuidar do nosso município. Isso eu sempre falo. Santa Leopoldina é uma cidade linda, é uma cidade histórica, com um passado cultural incrível, uma história linda, que eu acho que nenhum outro desses municípios vizinhos tem. Santa Tereza tem um turismo muito forte hoje, acho que é o turismo mais forte do Espírito Santo, Santa Tereza. Mas eles tiveram que criar. E nós temos isso na mão, nato, que é a beleza natural que nós temos, que são as cachoeiras, são as montanhas, né, e a história. Qual lugar que tem um casarismo, um circo histórico desse? Com um rio passando no meio da cidade? Agora eu te pergunte, por que que não deslancha, gente? O que que impede de Santa Leopoldina crescer, a 45 minutos de Vitória? Vocês tiveram dificuldade de jantar em Santa Leopoldina, porque não tem um estabelecimento aberto pra jantar. As pousadas já não estão dando café de manhã. Aí, o turista vem uma vez só, ele não volta. Eu falei esses dias com o secretário de Cultura e com o prefeito, convidar o turista pra vir a Santa Leopoldina, primeiro, eles vão criar a infraestrutura. Porque você pra convidar alguém pra ir pra a sua casa, você tem que ter um café de manhã muito bom, um almoço, uma janta e um lugar pra ele pernoitar muito sossegado. E nós não estamos tendo isso. Então, Santa Leopoldina infelizmente ela vive da história. E eu acho que é o seguinte, sempre eu falei, o futuro de Santa Leopoldina está em cima do passado. É só aproveitar isso. Nós temos histórias incríveis de Santa Leopoldina, né? Da época do café, da época das canoas, dos tropeiros. Nós não temos um monumento em Santa Leopoldina que retrate essa história. Eu fui em Olinda, quando cheguei lá, lá é o seguinte, o cara morreu afogado, eles fazem uma estátua e botam aqui falando: “Afogado, o cara morrendo afogado”. Aqui, nós temos tanta história e não temos uma estátua. Quer dizer, um monumento que podia ter dos tropeiros, né, dos canoeiros, que é uma história maravilhosa de Santa Leopoldina. Pra ser verdade, foi uma cidade tão importante que o primeiro lugar a ter telefone foi Santa Leopoldina. Santa Leopoldina tinha um movimento incrível. Na época, eles fizeram as casas aqui em Santa Leopoldina, todo o estilo europeu, que eram aquelas casas bem pontiagudas, né, com aquela telha bem fininha pra se cair se a neve escorrer e não ficar em cima. Se cair neve aqui, ia ser difícil [risos]. Mas, pois é, Santa Leopoldina, uma cidade linda, que eu tenho orgulho de ser leopoldinense, tá? Esse trabalho todo meu é por amor à cidade, nada mais. Olha, quando eu fiz a Associação de Moradores, muita gente achou que eu queria isso pra poder me promover, pra vir candidato a vereador, a prefeito. Não é nada disso. Eu criei a Associação pra gente ter… pra o povo ter voz, porque eu acho que a gente tá cansado de vir de cima pra baixo. Eu acho que tudo tem que ser consultado ao povo. E, então, nós criamos isso pra isso. E não fui candidato. E agora, na eleição de Fernando, o Fernando me chamou pra ser secretário de Cultura e Turismo do município. Eu agradeci, fiquei muito, muito, emocionado com o convite, mas eu falei pra ele: “Eu tenho um trabalho a cumprir que é os meus bonecos. Se eu for pra secretaria, eu vou ter que parar com isso tudo. Eu não vou ter tempo e nem vou poder me contratar pra apresentar nas festas, no carnaval”. Eu preferi perder de estar lá ganhando seus oito, nove mil, não sei quanto é, mas ficar com meus bonecos aqui.
P/1 – O que você sente quando você vê seus bonecos na rua?
R – Olha, cada vez que sai, é como se fosse a primeira vez, a emoção é a mesma, entendeu? Eu fico feliz da vida quando a gente desce a ladeira do táxi ali, onde tem os táxis, quando a gente vai descendo aquela ladeira, que eu vejo lá embaixo aquele monte de celular, muito mesmo, uma multidão lá embaixo esperando, tirando foto. Aí a gente, como diz o outro, fica muito feliz de ver o reconhecimento do trabalho, né? Isso é bom demais. Outra coisa que eu acho interessante é quando eu encontro uma criança que vira pra mãe e fala: “Mãe, o boneco”, aponta pra mim. Isso é interessante demais, né? As crianças já me têm como referência dos bonecos.
P/1 – E aí, eu queria te perguntar como que você chegou na vereância? Como que foi esse movimento?
R – Bom, é o seguinte, a minha família sempre foi envolvida com política. A minha mãe casou com um cidadão de ________, que tinha o apelido de Alemão, e ele era político. Ele era uma pessoa muito envolvida com a sociedade, ajudava muitas pessoas, né? E eu, com 14 anos, 13 anos, eu andava com eles pra tudo quanto é lugar na política, porque, em Santa Leopoldina, na época, as propriedades eram pequenas e tinha muita porteira, entendeu? O interior todo era uma porteira em cima da outra. E eu era o menino da porteira, né? Eu que ia abrindo a porteira pros políticos. Eu ia na frente, saltava, abria e pegava o último carro. Aí, sempre fazia isso, né? Ia revezando. Mas aí, eu fui tomando gosto daquilo, né? Quando chegou em 80, 82, 82, eu... Minha mãe falou: “Por que que você não se candidata?”. Eu falava: “Não quero mexer com isso”, “Não, tu tenta”. E mamãe era uma criatura que ela tinha um jeito de fazer política que era incrível. Todo mundo adorava ela, né? Tanto que ela... Esse padrasto meu, ele foi candidato várias vezes e chegou a ser prefeito. Ele foi prefeito, em 72, ele foi prefeito. Com mamãe elegendo ele. Aí ela falou: “Eu vou te eleger”. Aí, quando chegou em 82, eu consegui me eleger. Mandato tampão de 6 anos. Eu fui presidente da Câmara duas vezes, né? Depois, eu não quis mais. Eu vou ser franco pra vocês o porquê. Eu tive uma experiência muito desagradável de você ter que chegar nas casas e implorar pra pessoa votar em você. Por que tem que ser assim? Não seria a pessoa analisar se você é merecedor daquele voto? Você ter que estar pedindo: “Não, rapaz, você vote em mim”. Quase pedindo pelo amor de Deus. A gente escutava um monte de desaforo por causa dos péssimos políticos, né? Eles diziam: “Ah, política é tudo igual, aqui eu não vou votar em ninguém”. Aí foi na última campanha que eu fiz, eu e a Mirian, nós quando a gente vinha de uma comunidade eu falei pra ela: “Olha, essa é a última. Isso é humilhante. Você está implorando pra pessoa votar pra você”. Eu acho que bastava um currículo e a pessoa analisar aquilo ali, se você é merecedor ou não. Aí vem troca de favores, né? Você, de repente, vai disputar com um cara que dá o telhado de uma igreja evangélica, o outro deu o material do time pro time e eu nunca quis fazer isso. Eu nunca quis trocar a minha eleição por nada. Ou é mérito ou não é. Quando eu fui candidato a prefeito, eu fiz minhas propagandas com resto de papel de bobina da Gazeta, do jornal Gazeta, eu comprava aqueles restos de bobina e com máscara, com rolinho, fazendo. E o outro candidato, rico, com carro, com outdoor, aqueles troços todos, e eu perdi 119 votos disputando em 4 candidatos. Inclusive, o meu padrasto, que tinha separado da minha mãe, foi candidato também a prefeito comigo. Eu ia nas casas e eles falavam: “Aqui eu vou votar em você e no seu pai”. Eu falava: “Caramba!”. E foi por isso aí que eu não perdi. Se ele não sai, eu tinha dado uma lavada. Mas olha, eu vou ser franco com vocês, tá? Hoje, se me oferecer, eu não quero, não. Ser prefeito é muito difícil, gente. Eu sou muito exigente, eu sou muito chato, eu ia arranjar muita inimizade. Porque eu sempre falo, o dia que aparecer um prefeito em Santa Leopoldina que não tenha medo de agir pra não perder voto, Santa Leopoldina vai melhorar. O cara, um dia de festa desse, faz a coleta de lixo, Santa Leopoldina faz a coleta de lixo duas vezes por dia. Acho que isso é um dos poucos municípios que faz, tá? De manhã e de tarde, à noitezinha. Numa época de festa dessa, o cidadão sabe que não vai passar carro de entulho, desmonta uma cama de ferro toda enferrujada, vai e joga ali na frente. E não se pune, porque eu acho que tem que se punir. A hora que o cidadão começar a sentir no bolso, ele vai respeitar. E eu, se eu sou, era a hora de eu fazer, entendeu? Eu ia arranjar muita inimizade. É a pessoa que bota um jarro de planta no meio da calçada, olha, calçada pra as pessoas passarem, mas o prefeito não chama atenção, porque vai aborrecer a família, com certeza não vai voltar mais nele. Isso não estou falando de Fernando, não, tá? Estou falando de todos que passaram, né? Então, sinceramente, eu prefiro contribuir com Associação de Moradores. Olha que bom, não sou remunerado, faço por amor, ninguém pode cobrar de mim, né? Outro problema sério também, com o vereador, que a minha casa é muito bonita, é aquela de frente aqui, que tem aquelas plantas ali na frente, aquelas flores. Eu comecei a fazer minha casa e vários vizinhos começaram a fazer junto. Eles acabaram a deles num tempo normal, logicamente, com o suor deles, com o trabalho deles, mas a minha, demorando 30 anos pra fazer, com financiamento em tudo quanto é lugar, aí onde é que está indo o nosso dinheiro? Você ouvir isso é triste, cara. Me perdoe, mas essa pessoa não ter vergonha na cara. E eu não quero isso, eu não quero que meus filhos escutem. Por exemplo, fizemos uma área gourmet lá toda de vidro. No dia que eu estava fazendo, eu falei para o menino que estava fazendo, eu falei: “Ó, se eu sou vereador uma hora dessa, quantos tinham passado ali gritando, falando: ‘Ó, lá, onde é que está o nosso dinheiro’?”. Isso é triste. O político brasileiro ficou numa situação que não tem mais moral, a verdade é essa, né? E foi aí que eu desisti de política, de uma vez por todas.
P/2 – Teve algum momento, alguma história que você gostaria de contar que você passou na Câmara Vereadores?
R – Bom, primeiro que hoje, ser presidente de uma Câmara é a coisa mais fácil do mundo, cara. Qualquer dúvida, você tem um celular na mão que te mostra na hora. Você vai no Google, na IA e pede, ele te fala a lei que você precisa, datas, tudo. Na minha época, tinha disso, não. Você tinha que se basear na lei orgânica do município e no regimento interno da Câmara e na Constituição. E aí, você ia ter tempo de uma pergunta de um vereador para você responder? Como? Hoje, imediatamente, você tem um assessor do lado, na minha época não tinha. A gente ganhava um salário-mínimo, era coisa mínima, entendeu? Então, naquela época, era, sim, muito difícil você assumir uma presidência de Câmara, porque não tinha assessores, não tinha facilidade que você tem hoje de sanar dúvidas, né? Eu me lembro que teve um fato da gente julgando as contas de um prefeito e o Tribunal de Contas tinha dado o parecer rejeitando as contas. E quando chegou na hora da votação, que já não tinha mais como tirar o projeto de circulação, um vereador falou: “Presidente, você vai votar qual carimbo? Aprovado ou rejeitado? Porque se você votar aprovado, você está aprovado. Eu mando as contas dele. Se você botar rejeitado, você está rejeitando o parecer do tribunal”. E aí, o que fazer? Chamei o menino que me assessorava lá, falei: “Me dá uma folha em branco aí”. Fui dentro do processo, botei, chamei pra votação, eles rejeitaram a conta, eu bati o carimbo na folha em branco, ninguém viu lá o que eu estava fazendo. Botei rejeitado, conforme o parecer do tribunal de contas. Fechei, meti na gaveta, tranquei com chave. No outro dia, desci pra a assembleia pra pedir orientação de como passar isso pra o processo. Que, por coincidência, estava certo como eu botei rejeitado as contas do prefeito falando de tal, conforme o parecer do tribunal de contas. Mas olha o que eu tive que fazer por falta de, no momento, ter um instrumento como a gente tem hoje, de celular, tablet, computador, pra sanar dúvidas.
P/2 – E o seu trabalho na Associação de Moradores hoje em dia, como que se dá?
R – Olha, a associação é uma coisa muito difícil de se trabalhar. Primeiro que o pessoal não gosta, em Santa Leopoldina, não gosta de reunir, né? É difícil. Se é pra juntar dez pessoas aqui, é difícil, mas a gente agora está começando também a trabalhar com as reuniões online, né, que já fica mais fácil pra aqueles que entendem participar. Mas eu sou atuante, eu estou em todo lugar. O prefeito me convida pra tudo, me manda convite pra participar das reuniões. Com esse trânsito, o desvio que vai ter em Santa Leopoldina, eu acho que isso é uma coisa fundamental. Santa Leopoldina vai crescer muito depois do desvio, porque esse trânsito ninguém suporta mais, né? Então, eu fui muito influente nessa parte das reuniões com o DR. Eu sempre levantei, falei, dei opiniões. E agora, graças a Deus, já está sendo liberada a verba pra fazer o desvio. E a associação teve muita participação nisso, com certeza. E eu participo de tudo. Cobro, por exemplo, essa escadaria, que é a escadaria Jair Amorim. Ela é uma homenagem àquele compositor Jair Amorim, que nasceu aqui em Santa Leopoldina. Então, foi dada o nome a essa escadaria Jair Amorim. Os corrimões ali, se vocês olharem, vocês vão ver que dá a impressão que o povo naquela época era anão, porque eles eram baixinhos. Eu tirei uma foto ali, mandei pra a Câmara, um velho de 81 anos agarrado num corrimão. Ele estava quase cabeça pra baixo. Aí, eu pedi ao prefeito pra que ele faça o corrimão, porque nossa região aqui, nossa rua aqui é a que mais tem idosos. São muitos. Então, com certeza, a associação é muito atuante. Mesmo com toda a dificuldade de reunião, mas é atuante.
P/2 – E no seu dia a dia, além da associação, o que você faz?
R – Boneco [risos].
P/2 – Já está preparando os bonecos pra o ano que vem?
R – Eu faço sempre em cima da hora, pra ver qual tema eu vou pegar. Aquilo que está em evidência, eu costumo fazer, né?
P/2 – Mas qual boneco você tem feito agora? Tem feito algum?
R – Esse último agora foi a homenagem das profissionais. Médico, policial, gari, professor, produtor rural. Esses aí. Eu quis fazer uma homenagem aos profissionais.
P/2 – E o que os bonecos e a cultura Santa Leopoldina te ensinaram?
R – Me ensinaram a gostar cada vez mais de Santa Leopoldina, com certeza, né? Cada vez que você faz um bem pra a sua cidade, você se sente feliz, né? E isso me deixa, assim… de ouvir as pessoas falando de como eu me dedico. Isso tudo é motivo de muito orgulho.
P/2 – E o que o carnaval te ensinou?
R – A ser alegre, ser feliz, né? A contribuir com a alegria do povo. Com certeza.
P/2 – E você tem sonhos pra o futuro de Santa Leopoldina e pra o seu futuro?
R – Com 81 anos ainda tem sonho pra o futuro, hein? Mas tem sim, lógico que tem. Eu quero ver Santa Leopoldina ainda uma cidade bem movimentada, com turismo forte, com turistas chegando aqui, tendo um lugar onde eles sentar com a família, fazer um lanche, conversar. Que hoje nós não temos. Temos só boteco, não temos nem um lugar assim aconchegante pra a família, né? O restaurante. Mas a culpa não é dos comerciantes, gente. Eu defendo eles. É porque não tem demanda. Se você não tem demanda, como é que você vai montar uma pizzaria? Aqui tinha uma pizzaria. O Luca é campeão de pizza no país. Ele ganha concurso de pizza aí fora. Ele é um italiano. Tinha a pizzaria aqui, fechou por falta de demanda, gente. Não tem. Quer dizer, é difícil. Eu quero ver Santa Leopoldina ainda bem desenvolvida.
P/2 – Pensando na sua história, qual é o seu legado?
R – Eu acho que eu deixo um legado muito grande, viu? Com certeza, né? Um dos maiores é se preocupar com a cultura do seu município. É de se dedicar à cultura do município, né? Eu me envolvo em tudo. Em tudo que você pensar, eu estou envolvido, né? Como eu falei, eu fui fundador do Sindicato dos Trabalhadores Rurais aqui. Quer dizer, olha só quanta história, né? Isso tudo é um legado que eu vou deixar, com certeza, de amor à cidade.
P/2 – O que você achou de contar a sua história hoje?
R – Ah, é muito bom, gente. Não tem coisa melhor do que você poder contar aquilo tudo. O bom é você ter história pra contar, né? Não precisar inventar. É você falar com fluidez, porque você viveu aquilo realmente. Eu acho que é muito importante, né? Eu sempre falo que nós tivemos carnavalescos aí que se dedicaram ao carnaval, mas eram pessoas que brincavam com suas fantasias, né? Nós temos vários. Aqui nós tivemos o Hélio Braz, que foi um rapaz que já é falecido. Saudoso, Hélio Braz. Que chegou a fazer um matinê no clube sem música, ele cantando, só com os tambores, né? Olha o que é segurar um carnaval no punho. Tem o Jairo, que era um menino que brincava no carnaval. A família Teles. A família Teles era uma família que no carnaval se destacavam mesmo. Tem o Léo Ferreira, que até hoje ainda tem, ele tem um boi e uma mulinha. Só que o boi dele quebrou a tradição. Ele fez de montaria e o boi é de cabeça, mas é um folião que brinca no carnaval. Eles falam: “Mas por que eles não tiveram esse sucesso?”. Eu volto a dizer, porque não se dedicaram à cultura de Santa Leopoldina, não se disponibilizaram a lutar pela cultura, a fazer cultura. Brincar o carnaval com sua fantasia é uma coisa. Agora, preparar um carnaval, fazer um carnaval do jeito que eu faço é outra. Hoje, eu acredito que não se vê o carnaval de Santa Leopoldina sem o Bebeto dos Bonecos.
P/2 – Tem alguma coisa que você não falou, que a gente não perguntou, que você queira falar?
R – Não, eu acho que foi ótimo. Eu só quero dizer que eu agradeço muito a Deus por estar com 81 anos e ainda na ativa, né, participando do carnaval. Tenho que agradecer muito a minha família, principalmente a dona Miriam, minha esposa, que tolera essa loucura toda minha. Ela não participa, mas aceita, tolera, né? Enfim, é isso aí que eu tenho a dizer. Só agradecer, nada mais.
P/2 – A gente que agradece a você também.
R – E eu estou sempre à sua ordem. Se precisarem, estamos aí.
P/2 – Obrigada.
--- FIM DA ENTREVISTA ---
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