sobre a coleção

criada em: 18/05/2026

No interior do Brasil a economia criativa prospera como uma antiga alquimia. Os saberes populares das mestras e dos mestres que, sem fórmulas ou laboratórios, reinventam a antiga busca pela pedra filosofal — não para transformar metais em ouro, mas para transmutar o saber e o que é “simples” em riqueza simbólica e social, o trivial em algo valoroso. São as pessoas e seus ofícios a matéria bruta dessa metamorfose. Porque a verdadeira alquimia não é feita de metais, mas de saberes. O ouro, aqui, é o conhecimento. O entendimento profundo da terra e dos seus ritmos, da memória e da tradição que esses saberem agregam. Quando a economia criativa se ancora nesses saberes, ela não apenas gera renda, mas também, e principalmente, produz um encantamento que enleva a todos. Não é à toa que em Minas Gerais existe uma cidade chamada Paracatu, onde – de certas maneiras – práticas éticas e estéticas têm o poder de transmutar a rotina em rito, o trabalho em arte, o passado em presente, a sabedoria popular em ouro.

As narrativas, as vozes reunidas aqui são testemunhos de uma cultura que transforma. É pela palavra dita, pela conversa, pelo ensinamento informal e oral que o conhecimento circula e se renova. Cada história apresentada carrega consigo uma potência de invenção coletiva, como se existisse uma pedagogia invisível transmitida de avó e avô para netas e netos, de pai para filho, de mãe para filhas em um fluxo [in]finito de gerações. Na qual o tempo é outro e a oralidade age como a escrita do [in]visível criando novas narrativas que misturam, como em uma alquimia, arte e vida.

Benedito, Flávio, Janaína, João, Maria, Mércia, Ronaldo e Solano - mais do que personagens, protagonistas desse projeto – são pessoas de um país que são vários em um só. Artistas visuais, benzedeiras, lavradores, músicos, pequenos produtores rurais, quitandeiras, radialistas, rendeiras, parteiras e uma infinidade de pessoas, de trabalhadores que se tornam os verdadeiros autores da memória coletiva de Paracatu.

Juntos, a Kinross, o Museu da Pessoa e Paracatu celebram a economia criativa como herança dos saberes populares, uma continuação viva de práticas ancestrais. Cultiva a criatividade que nasce dos encontros, das memórias e das partilhas. Um convite a compreender que a criação é comunhão.