Aniversário De Belém: Oficinas gratuitas no Museu do Estado do Pará

O aniversário de Belém ganha novos sentidos com as ativações da exposição Você Já Escutou a Terra?, do Museu da Pessoa. A mostra convida o público a desacelerar e exercitar uma escuta sensível da Terra, propondo reflexões sobre memória, território e a relação entre seres humanos e natureza, a partir de uma perspectiva biocêntrica.

Essa experiência se amplia com uma programação especial que reúne as oficinas Encontra-se: Vivo, Encantado ou Extinto (9/01) e Tecido: Rios de Memórias e Visita Guiada (11/01 e 18/01). As ativações acontecem no Museu do Estado do Pará (MEP), em Belém, e convidam o público a escutar a cidade, a terra e as histórias que atravessam a cidade. Assim, arte, educação e história se encontram em experiências sensíveis, coletivas e gratuitas.

Oficinas integram a programação do aniversário de Belém

As duas primeiras oficinas acontecem durante o Preamar Cabano, um período simbólico para Belém, realizado próximo ao aniversário da cidade, celebrado em 12 de janeiro. Nesse momento, a capital paraense recebe uma programação cultural intensa, que convida o público a refletir sobre sua história, seus territórios e suas memórias coletivas.

Promovido pela Secult, o Preamar Cabano faz referência à Revolta da Cabanagem, uma das mais importantes mobilizações populares da história do Brasil. Liderada por populações indígenas, negras e pobres da Amazônia, a Cabanagem reivindicava dignidade, pertencimento e direito à terra. Suas marcas permanecem vivas em Belém do Pará, atravessando gerações, paisagens e narrativas.

É nesse contexto que se inserem as oficinas Encontra-se: Vivo, Encantado ou Extinto e Tecido: Rios de Memórias e Visita Guiada. Ao propor a escuta da Terra, a criação coletiva e o reconhecimento do território, as atividades dialogam diretamente com as histórias de resistência, pertencimento e luta evocadas pela Revolta da Cabanagem. Enquanto a caminhada mobiliza o corpo e a palavra para recontar a cidade, o tecido ativa memórias sensíveis e afetivas. Assim, o aniversário de Belém é celebrado como uma experiência de escuta, reflexão e criação compartilhada.

Crédito: Marco Nascimento

Encontra-se: Vivo, Encantado ou Extinto

A oficina-caminhada Encontra-se: Vivo, Encantado ou Extinto tem como objetivo manter viva a memória do tempo presente. Antes de tudo, dialoga com a Revolta da Cabanagem. Além disso, reconhece os territórios indígenas e negros que formam Belém do Pará. Ao inverter o sentido histórico do “procura-se”, a proposta afirma, assim, o encontra-se como gesto político, poético e coletivo de reexistência.

Além disso, a oficina propõe uma caminhada de re-conhecimento do território cabano e de Mairi. Território indígena soterrado pela cidade. A atividade parte da exposição Você Já Escutou a Terra?. A partir daí, articula escuta, corpo e palavra. Ao mesmo tempo, reconhece presenças vivas. Da mesma forma, provoca a reflexão sobre quem pode declarar um povo extinto. Assim, memória, território e luta se entrelaçam no percurso.

Por fim, a guiança é coletiva, reunindo diferentes saberes e trajetórias. Participam o historiador João Lúcio Mazzini e o escritor indígena Porake Munduruku. Também estão presentes a artista visual indígena Warasy Tupinambá e o líder quilombola Magno Cardoso. A mediação é de Tainá Marajoara. Juntos, os convidados conduzem uma escuta compartilhada das histórias indígenas, negras e populares que seguem firmando o céu cabano de Belém.

9 de janeiro

  • Horário: 19h
  • Local: Museu do Estado do Pará (MEP) – Cidade Velha, Belém
  • Oficineiras: Tainá Marajoara e convidados
  • Não precisa de inscrição para participar
Crédito: Marco Nascimento

Tecido: Rios de Memórias e Visita Guiada

A oficina Rios de Memórias e Visita Guiada trabalha com artes têxteis e memória. Ou seja, utiliza o tecido como metáfora de rio, tempo e atravessamentos. A partir disso, os participantes elaboram afetos, lembranças e narrativas ativadas pela exposição.

Primeiro, acontece uma visita guiada pela exposição Você Já Escutou a Terra?. Em seguida, os participantes são convidados a criar intervenções artísticas em tecidos crus. Assim, surgem colagens, bordados, desenhos e palavras. Depois, cada criação passa a integrar um grande trabalho coletivo: o Rio de Memórias.

Enquanto isso, a metodologia da oficina ativa a escuta biocêntrica. Dessa forma, estimula uma relação de comunhão com a Terra, como propõe Ailton Krenak. Portanto, a atividade amplia a experiência da exposição e aprofunda seu sentido educativo.

🔗 Acessar exposição digital

Primeira oficina: 11 de janeiro

  • Horário: 10h–12h e 14h–16h (escolha o horário na inscrição)
  • Local: Museu do Estado do Pará (MEP) – Cidade Velha, Belém
  • Oficineiras: Thaissa e Katja

Segunda oficina: 18 de janeiro

  • Horário: 10h–12h e 14h–16h (escolha o horário na inscrição)
  • Local: Museu do Estado do Pará (MEP) – Cidade Velha, Belém
  • Oficineiras: Ronize e Tainá

Crédito: Marco Nascimento

A exposição Você Já Escutou a Terra? faz parte da Programação Cultural do Museu da Pessoa, viabilizada pelo Programa Nacional de Apoio à Cultura, por meio do Ministério da Cultura, com patrocínio oficial da Petrobras e patrocínio do Mercado Livre, 3M, Itaú e Pepsico. A iniciativa conta com apoio financeiro do BNDES, apoio do Museu do Estado do Pará, do Sistema Integrado de Museus e Memoriais e do Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Cultura – Secult, e parceira do Museu Nacional dos Povos Indígenas – Funai, Museu das Culturas Indígenas, Redes da Maré, Museu da Cultura Hip Hop RS, Casa Iacitatá – Amazônia Viva, OCAS ONG, GEMPAC, Associação Folclórica e Cultural Colibri, Gueto Hub, Nugen, Brigada Ribeirinha, Guardiões da Memória, IBEAC e GPDH – IEA/USP.

Programação cultural “Vidas, Vozes e Saberes em um Mundo em Chamas”


O Museu da Pessoa reafirma seu compromisso com a memória, a diversidade e a reflexão sobre os desafios do mundo contemporâneo com sua Programação Cultural. Exposições, mostras audiovisuais e projetos educativos fazem parte dessa trajetória, ampliando o diálogo e valorizando as histórias de vida como ferramentas de transformação social. Por isso, acompanhe nossas ações ao longo do ano e participe dessa jornada!

A Programação Cultural do Museu da Pessoa é viabilizada pelo Programa Nacional de Apoio à Cultura, por meio do Ministério da Cultura, com patrocínio oficial da Petrobras e patrocínio do Mercado Livre, 3M e Itaú Unibanco. As ações ainda contam com apoio financeiro do BNDES e parceria do Museu Nacional dos Povos Indígenas, da Funai.

🔗 Programação completa