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“Por muito tempo, eu não percebia que a minha maior força estava exatamente onde eu nasci.
Na minha família, o artesanato sempre existiu. A panela de barro fazia parte da rotina, da mesa, da história. Mas, por muito tempo, eu não me via ali. Achava que precisava ir além, procurar algo novo, diferente, distante daquilo que parecia comum demais.
O que eu não entendia era que não era comum — era raiz.
E raiz sustenta.
Quando eu aceitei quem eu sou e de onde venho, algo mudou. Passei a olhar para o trabalho da minha família com outros olhos. Percebi que eu poderia ser a ponte entre o que eles sabiam fazer com as mãos e o mundo que precisava conhecer esse valor. Eu me tornei comunicação, voz, presença.
A partir disso, o artesanato deixou de ser apenas tradição e passou a ser também visão de negócio. A panela de barro ganhou narrativa, identidade, propósito. E isso gerou renda, dignidade e reconhecimento para a minha família. Mais do que vender peças, eu aprendi a contar histórias.
Hoje, entendo que muitas mulheres carregam tesouros parecidos. Histórias, saberes, talentos que já existiam, mas que foram silenciados pelo medo, pela comparação ou pela ideia de que o valor está sempre fora.
Minha história não é sobre começar do zero.
É sobre olhar para dentro.
É sobre reconhecer que, muitas vezes, aquilo que pode nos transformar já estava plantado na nossa raiz — só precisava ser visto.
Se eu puder inspirar alguém, que seja para isso:
escute sua própria história.
Ela pode ser exatamente o caminho que você procura.”