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História
Personagem: Luciene Ulhôa Faria
Por: Museu da Pessoa, 15 de junho de 2026

Um Pedaço de Terra, Uma Vida Inteira

Esta história contém:

Um Pedaço de Terra, Uma Vida Inteira

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Os carnavais antigos

Olha, falar do Sarana é quase como se a história tivesse começado bem antes da gente colocar a mão na terra. Em 2005, um amigo nosso que já tinha cachoeira na região convidou o Élder para passar um dia lá e, de repente, nos levou para ver esse terreno que estava sendo vendido ali acima. Foi uma coisa quase de impulso: o Élder gostou tanto do poço, daquele lugar, que de lá mesmo pegou o telefone, ligou para a proprietária — que morava no Sul — e comprou. Ali era só Cerrado bruto, pedra, mato e aquela cachoeira linda no fundo, mas a gente olhou e já enxergou o nosso refúgio.

No começo, não tinha nada, nem casa, nem estrutura. A gente descia com mochila, tralha toda, e acampava ali onde hoje é a varanda da casa. Era fogão a lenha improvisado, barraca e muita aventura. As meninas, a Sara e a Ana, eram pequenas, viviam explorando aquilo tudo. Aliás, o nome ’Sarana’ veio justamente dessa união das duas.

Com o tempo, a coisa foi ganhando forma. O Élder, que não para, cuidava da parte pesada, e eu ali insistindo, querendo transformar aquilo num lugar de convivência nossa. A gente construiu aquela igrejinha de Nossa Senhora da Abadia no ponto mais alto, de onde se vê a cachoeira e aquele poço de água verde que todo mundo que vai lá se encanta.

Hoje, o Sarana até recebe gente de fora, amigos, grupos, pessoal do CrossFit que faz evento lá, mas para mim, o que realmente dá sentido àquele lugar são os nossos momentos em família. É muito bom ver minhas filhas voltando, os netos correndo pelo gramado, ocupando o mesmo chão onde, anos atrás, a gente dormia dentro de barraca no meio do mato. Para mim, o Sítio Sarana é mais que propriedade rural; é nosso lugar de encontro, de memória, onde a gente vê as gerações passando, compartilhando o mesmo chão e mantendo viva um pouco da nossa história aqui em Paracatu

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