Quem eu era ?
Nos últimos anos, fui alguém extremamente tímido e introvertido. Eu acreditava que ser comunicativo era desnecessário, o que gerava uma distância silenciosa entre mim e meus pais; vivíamos sob o mesmo teto, mas sentíamos um estranhamento constante.
O medo constante de ser julgado — não apenas pelos meus pais, mas também por amigos e colegas de escola — me deixava travado entre fazer e não fazer. Eu evitava atitudes simples, como entrar em uma escolinha de futebol ou frequentar a igreja, por temer rótulos como 'o crente'. Com poucos amigos, assumi uma postura antissocial, mesmo assim vivia em uma bolha onde acreditava ser 'diferente'.
Passava os dias e as noites trancado no quarto, imerso em jogos, saindo muito pouco. Por isso, a pandemia foi apenas um detalhe na minha rotina já isolada.
Resumindo: a timidez, o medo do julgamento e a fuga para o mundo virtual definiram minha vida, construindo uma barreira invisível entre mim e a realidade