Durante meu estágio em Serviço Social, acompanhada de uma psicóloga em um CRAS, participei de uma visita domiciliar que marcou profundamente minha forma de compreender os direitos da pessoa. Ao chegarmos à residência, percebi que a porta de entrada estava apenas encostada. Durante a conversa, perguntamos à família se precisava de ajuda para consertá-la. A assistida respondeu que preferia deixá-la daquela forma, pois, segundo ela, quando a porta estava fechada, “ora era o tráfico que a arrombava, ora era a polícia à procura de algum deles”. Aquela resposta revelou uma realidade de extrema vulnerabilidade, violência e insegurança, em que até um elemento básico de proteção da moradia havia perdido seu sentido.
Na mesma visita, outro fato me impactou profundamente: quatro crianças raspavam panelas vazias, como se buscassem algum alimento que já não existia. Aquela cena evidenciou, de maneira muito concreta, a violação de direitos fundamentais, especialmente o direito à alimentação adequada, à segurança, à proteção integral da criança e à dignidade humana.
Essa experiência transformou minha percepção sobre os direitos da pessoa. Compreendi que esses direitos vão muito além do que está previsto na legislação. Eles precisam ser efetivados para que as pessoas possam viver com dignidade. Também reforçou em mim a importância do trabalho do assistente social na garantia de direitos, no fortalecimento da cidadania e na articulação da rede de proteção social para famílias em situação de vulnerabilidade.
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