Facebook Informações Ir direto ao conteúdo
História
Personagem: Debora Ramos
Por: Debora Ramos, 8 de julho de 2026

Quando Entendi Que Também Tinha Direitos (Ponto de Cultura Brasil dos Buritis)

Esta história contém:

Quando Entendi Que Também Tinha Direitos (Ponto de Cultura Brasil dos Buritis)

Meu nome é Talita Luiz de Moura. Sou quilombola e nasci no povoado quilombola do Moinho, no município de Alto Paraíso de Goiás.

Um breve relato de uma experiência que eu vivi foi ainda na minha fase de adolescência, entre os anos de 2008, 2009 e 2010, quando terminei o ensino médio. Na época, o povoado do Moinho ainda não era reconhecido como quilombola; era somente o povoado do Moinho.

Lá só havia escola até o ensino fundamental. Quando chegava a hora de cursar o primeiro, o segundo e o terceiro ano do ensino médio, a gente tinha que se deslocar do povoado, que fica a 12 quilômetros de estrada de terra da cidade de Alto Paraíso de Goiás, para poder cursar esses três anos restantes.

Na época, o povoado do Moinho tinha cerca de 150 a 200 habitantes. Quando a gente chegou à cidade de Alto Paraíso de Goiás para estudar no Colégio Estadual Moisés Nunes Bandeira, encontramos uma realidade totalmente diferente.

Quem morava na cidade, na época, nos retratava como "os meninos da roça", "os roceiros". E era aquela forma de falar de antigamente, não era uma coisa legal. Era uma forma depreciativa. Eles achavam que, por morarem na cidade, eram superiores a quem morava no interior.

Então, sempre retratavam a gente como menor, como inferior. Eles podiam mais, e a gente podia menos, digamos assim. A gente já chegava à escola de cabeça baixa e ficava nos cantos da sala de aula, porque a forma como eles nos retratavam era muito depreciativa.

Por mais que conversassem normalmente com a gente, sempre havia aqueles que diziam: "Olha os meninos do Moinho!", e começavam a rir. Essa foi uma experiência muito ruim, porque a gente ainda não sabia como se defender.

A gente pensava: "Nossa, eu moro no Moinho, eles moram na cidade." Chegamos até a acreditar que éramos inferiores a eles.

O primeiro ano foi muito difícil. Quando chegou o segundo ano do ensino médio, lembro que tivemos uma aula sobre bullying. Eu nunca tinha escutado...

Continuar leitura

O Museu da Pessoa está em constante melhoria de sua plataforma. Caso perceba algum erro nesta página, ou caso sinta falta de alguma informação nesta história, entre em contato conosco através do email atendimento@museudapessoa.org.

fechar

Denunciar história de vida

Para a manutenção de um ambiente saudável e de respeito a todos os que usam a plataforma do Museu da Pessoa, contamos com sua ajuda para evitar violações a nossa política de acesso e uso.

Caso tenha notado nesta história conteúdos que incitem a prática de crimes, violência, racismo, xenofobia, homofobia ou preconceito de qualquer tipo, calúnias, injúrias, difamação ou caso tenha se sentido pessoalmente ofendido por algo presente na história, utilize o campo abaixo para fazer sua denúncia.

O conteúdo não é removido automaticamente após a denúncia. Ele será analisado pela equipe do Museu da Pessoa e, caso seja comprovada a acusação, a história será retirada do ar.

Informações

    fechar

    Sugerir edição em conteúdo de história de vida

    Caso você tenha notado erros no preenchimento de dados, escreva abaixo qual informação está errada e a correção necessária.

    Analisaremos o seu pedido e, caso seja confirmado o erro, avançaremos com a edição.

    Informações

      fechar

      Licenciamento

      Os conteúdos presentes no acervo do Museu da Pessoa podem ser utilizados exclusivamente para fins culturais e acadêmicos, mediante o cumprimento das normas presentes em nossa política de acesso e uso.

      Caso tenha interesse em licenciar algum conteúdo, entre em contato com atendimento@museudapessoa.org.

      fechar

      Reivindicar titularidade

      Caso deseje reivindicar a titularidade deste personagem (“esse sou eu!”),  nos envie uma justificativa para o email atendimento@museudapessoa.org explicando o porque da sua solicitação. A partir do seu contato, a área de Museologia do Museu da Pessoa te retornará e avançará com o atendimento.