Memória Petrobrás
Depoimento de Álvaro Maia da Costa
Entrevistado por Márcia de Paiva e Douglas Thomas
Rio de Janeiro, 21 de agosto de 2009
Realização Museu da Pessoa
Entrevista nº PETRO_HV174
Transcrito por Paula Leal
P/1 – Bom dia Álvaro.
R – Bom dia.
P/1 – Queria agradecer inicialmente por você ter vindo aqui colaborar com a gente. Ficou meio assim em cima da hora.
R – É um prazer.
P/1 – Gostaria de começar pedindo que você nos diga seu nome completo, local e data de nascimento.
R – Meu nome é Álvaro Maia da Costa. Eu nasci no Rio de Janeiro em 11 de junho de 1954.
P/1 - O nome de seus pais Álvaro.
R – Meu pai é Átila Maia da Costa, já falecido e minha mãe Alicia Maia da Costa.
P/1 – Atividade do seu pai?
R – Meu pai era comerciante, tinha oficina, trabalhava em oficina mecânica, né, agencia de automóveis e minha mãe sempre trabalhou em casa.
P/1 – Mãe mesmo?
R – Mãe.
P1 – Você tem irmãos?
R – Eu tenho uma irmã, Ângela Maia da Costa, é mais velha do que eu, dois anos mais velha, eu tenho 55 anos e ela tem 57 anos.
P/1 – Você cresceu no Rio Álvaro?
R – Eu nasci no Rio de Janeiro, antiga cidade da Guanabara, estado de Guanabara, acredito eu, e eu sou Tijucano, nasci na tijuca e atualmente eu moro em Niterói.
P/1 – Cresceu na Tijuca mesmo?
R – Cresci na Tijuca, estudei na Tijuca.
P/1 – Como é que era a Tijuca da sua infância?
R – Era uma Tijuca mais fácil, mais segura, nós brincávamos na rua, morávamos em casa e era uma vida mais simples, talvez uma vida mais simples, mas talvez até mais feliz do que hoje em dia, né?
P/1 – Você estudou lá na Tijuca?
R – Eu estudei na Tijuca.
P/1 – Em que colégio?
R - Eu estudei num colégio, deixa eu tentar me lembrar, o primário foi numa escola pública ali da região, depois primário e ginásio, se eu me lembro, depois eu fui para o colégio Batista fazer o científico e depois eu fui, ingressei na faculdade UFRJ.
P/1 – Ta. Você foi,...
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Depoimento de Álvaro Maia da Costa
Entrevistado por Márcia de Paiva e Douglas Thomas
Rio de Janeiro, 21 de agosto de 2009
Realização Museu da Pessoa
Entrevista nº PETRO_HV174
Transcrito por Paula Leal
P/1 – Bom dia Álvaro.
R – Bom dia.
P/1 – Queria agradecer inicialmente por você ter vindo aqui colaborar com a gente. Ficou meio assim em cima da hora.
R – É um prazer.
P/1 – Gostaria de começar pedindo que você nos diga seu nome completo, local e data de nascimento.
R – Meu nome é Álvaro Maia da Costa. Eu nasci no Rio de Janeiro em 11 de junho de 1954.
P/1 - O nome de seus pais Álvaro.
R – Meu pai é Átila Maia da Costa, já falecido e minha mãe Alicia Maia da Costa.
P/1 – Atividade do seu pai?
R – Meu pai era comerciante, tinha oficina, trabalhava em oficina mecânica, né, agencia de automóveis e minha mãe sempre trabalhou em casa.
P/1 – Mãe mesmo?
R – Mãe.
P1 – Você tem irmãos?
R – Eu tenho uma irmã, Ângela Maia da Costa, é mais velha do que eu, dois anos mais velha, eu tenho 55 anos e ela tem 57 anos.
P/1 – Você cresceu no Rio Álvaro?
R – Eu nasci no Rio de Janeiro, antiga cidade da Guanabara, estado de Guanabara, acredito eu, e eu sou Tijucano, nasci na tijuca e atualmente eu moro em Niterói.
P/1 – Cresceu na Tijuca mesmo?
R – Cresci na Tijuca, estudei na Tijuca.
P/1 – Como é que era a Tijuca da sua infância?
R – Era uma Tijuca mais fácil, mais segura, nós brincávamos na rua, morávamos em casa e era uma vida mais simples, talvez uma vida mais simples, mas talvez até mais feliz do que hoje em dia, né?
P/1 – Você estudou lá na Tijuca?
R – Eu estudei na Tijuca.
P/1 – Em que colégio?
R - Eu estudei num colégio, deixa eu tentar me lembrar, o primário foi numa escola pública ali da região, depois primário e ginásio, se eu me lembro, depois eu fui para o colégio Batista fazer o científico e depois eu fui, ingressei na faculdade UFRJ.
P/1 – Ta. Você foi, antes da faculdade, você foi um bom aluno, você gostava de estudar?
R – Eu sempre fui um aluno muito estudioso, muito dedicado, né, sempre gostei muito de estudar, sempre tive o habito de fazer experiências científicas, meu pai até construiu um pequeno laboratório, um barrocozinho nos fundos da casa que eu fazia ensaios químicos e físicos, desde criança sempre fui muito ligado a essa parte mais científica de pesquisa, né, e Deus acabou me dando a oportunidade de na minha carreira profissional eu acabar numa Petrobras, que fomenta o desenvolvimento pessoal da pessoa, que fomenta a pesquisa, que acredito, que investe em desenvolvimento tecnológico do país, então para mim eu considero que foi um privilégio que me foi dada à minha vida, porque desde criança eu sem pré fui uma pessoa muito ligada a essa área mais de pesquisa. Eu era conhecido na rua como cientista maluco, né, fazia as experiências e brincava com os colegas, mas sempre ligado a essa atividade.
P/1 – Tem alguma experiência dessas, de quando você era pequeno, que você se lembre, que tenha te marcado?
R – Por incrível que pareça não que eu pensasse um dia em trabalhar na indústria do petróleo, né, perfurar poço, mas eu morava numa casa, que grande parte da população morava em casa, né, classe média, não existiam tantos prédios, apartamentos. Eu tinha um grupo de amigos, né, como eu era a pessoa que fazia toda parte de química, comprava aquele pequeno químico juvenil, não sei se ainda existe esse brinquedo, e eu tinha o hábito de fazer, cravar tubos no terreno, quer dizer, talvez Deus já estava me preparando para trabalhar na industria do petróleo, e eu cravava tubos que chegava, ás vezes dois, três, quatro metros, e colhia material lá de baixo, fazia testes e media acidez, e aí chegava a conclusões as mais que eu considerava na época, sofisticados sobre o terreno e tal, e com isso eu brincava com os amigos tipo de um laboratório, fazia uns tipos de laboratório, né, então desde aquela época eu já estava perfurando poço, né, com oito, dez anos de idade sem saber que um dia eu estaria trabalhando em projetos de poços de cinco mil metros, interessante isso, e meu pai brigava muito comigo porque eu estragava o terreno todo, né, vivia cheio de furos e tubos enterrados no terreno, e eu arrombava a oficina dele, que ele tinha uma série de produtos químicos, até que queimavam, né, e eu fazia, misturava e jogava, e verificava as reações, coisa e tal. E gozado eu lembrando agora é interessante, acho que eu já estava preocupado já em fazer sondagens naquela época.
P/1 – Não teve nenhum acidente assim?
R – Alguns acidentes. Tive alguns acidentes, uma vez me queimei com ácido clorídrico, mas nada muito sério, nada que um castigo de uma semana não curasse.
P/1 – Isso pra mãe então devia ser, se queimar?
R – Ela vivia desesperada, minha mãe coitada, ela sofreu muito comigo, porque eu realmente sempre estava inventando uma coisa nova, alguma brincadeira nova.
P/1 – E aí você desde pequeno você tinha essa.
R – Eu lia muito, eu sempre gostei muito de estudar, a minha ávida toda sempre foi muito ligado na parte muito assim científica, eu nunca fui muito ligado a ler romances, eu sempre estudei muito, vamos dizer assim, eu sempre estudei muito coisas ligadas à parte mais científicas de física, termodinâmica eu estudava muito, a parte de física nuclear, mesmo desde garoto eu sempre estava muito ligado nessas coisas, né, uma vez eu pensei em ser físico nuclear, depois pensei em ser engenheiro químico, aí entrei no fundão e acabei voltado pra área de engenharia civil porque eu comecei fazer estágio, gostei e fiquei fazendo engenharia civil, né?
P/1 – Mas aí você optou por engenharia por alguma razão, como você definiu?
R – Eu acho que desde cedo, pela minha ligação muito forte com matemática, com física, com química, né, eu era muito ligado a ciências exatas, eu realmente tinha que acabar como engenheiro, né, apesar de eu também fazer brincadeiras com remédios e misturas, testava lá nos meus, nos menores, nos mais fracos, né, testava lá os produtos químicos e tal, eles diziam que eu ia ser médico, mas no fundo eu acabei muito ligado a parte da engenharia, né? Minha cabeça era muito, ciências exatas.
P/1 – E aí você passou, foi fazer engenharia em outra cidade?
R – Fui fazer engenharia civil na UFRJ, ai eu fiz engenharia civil, escolhi, no UFRJ nós temos, nós fazemos primeiro um básico, são dois anos, depois nós fazemos três anos de especialização, e aí minha especialização foi em mecânica dos solos, né, mas eu acabei que eu atuava não só na área de solos, mas como na área de estruturas também, na pós-graduação eu fui fazer mestrado também voltado para métodos computacionais voltados a engenharia, naquela época computador ainda estava no inicio da computação, quer dizer, os computadores eram muito precários, para nós era algo fantástico.
P/1 – Vamos com calma, você acabou a faculdade e foi direto pro mestrado?
R – Eu acabei a faculdade praticamente eu já estava estagiando na (Cope) né, quer dizer eu entrei faculdade já no primeiro ano eu era muito bom em programação científica, né, eu fazia programas (Fortran), a (Sembler), fazia programas até sofisticados pra época, né?
P/1 – Qual foi o ano que você entrou?
R – Eu entrei em 70 e, não eu terminei em 72 e terminei a faculdade em 76, né, isso em 72, eu terminei em 76, em 76 eu já trabalhava na (Cope) como técnico de laboratório, comecei como estágio, já era técnico de laboratório e logo diretamente ingressei na parte de mestrado, né, fiz dois anos de mestrado normal.
P/1 – Aí engenharia civil também?
R – Engenharia civil, na época eu tive oportunidade de desenvolver na minha tese de mestrado um programa que tinha por objetivo análises de cargas de impactos e reatores nucleares, análises dinâmicas, né, dinâmica não linear era, pra época era um programa muito sofisticado e o interessante que esse programa que eu desenvolvia esse, simulador acabou sendo, vamos dizer assim, o pai de um conjunto enorme de simuladores que eu fui desenvolvendo ao longo dos anos, tendo como inicio aquele pequeno, aquele programa que eu desenvolvi no mestrado, né, e até hoje são usados na Petrobras, quer dizer, uma grande parte dos projetos que são usados na área de geomecânica, interação de geomecânicas com estruturas utilizam essa família de programas que eu desenvolvi que eu comecei lá no mestrado, né? Depois fiz o doutorado também.
P/1 – Então o seu primeiro trabalho formal foi na (Cope)?
R – O primeiro trabalho formal foi na (Cope) foi, eu fui monitor de calculo numérico na faculdade, minto eu na realidade eu fui monitor de calculo numérico e eu trabalhei como operador de computador no núcleo de operação eletrônica da UFRJ, que era chamado de núcleo de núcleo de computação eletrônico, então isso foi no básico, na realidade a (Cope) seria meu segundo emprego, né?
P/1 – Aqueles computadores enormes?
R – Enormes e eu ficava lá à noite, fim de semana e trabalhava, me divertia desenvolvendo programas, na época eu não tinha muito conhecimento de engenharia, então eu fazia uma série de programas, na época era muito, se falava muito em guerra, em lançamento de mísseis, então a gente desenvolvia com os colegas, os computadores praticamente ficava na nossas mãos, a gente fazia uma série de programas pra lançamento de mísseis, de interceptação, coisas desse tipo, né? Foi uma fase divertida também, né.
P/1 – Esse lado também de que você acabou também passando pela sua dissertação de mestrado, você ligado a energia nuclear?
R – Isso é porque na época tinha bolsas de estudo, a melhor bolsa de estudo era dada pelo _______ eles selecionavam os melhores alunos, né, e acabou que a minha bolsa de estudo foi pelo ________ .
P/1 – Mas tinha um lado de incentivo pelo governo, tinha acordo com a Alemanha?
R – Tinha lado de incentivo, esse acordo com a Alemanha, nós fazíamos, vamos dizer assim, trabalhávamos em desenvolvimento de teses de mestrado que tivesse alguma ligação com a área nuclear, como eu estava fazendo, como eu tinha terminado engenharia civil existiam alguns problemas, né, quer dizer como você dimensiona um reator nuclear, existem vários aspectos estruturais importantes que deve ser analisado, né, por exemplo, um deles é dimensionar calota de proteção do núcleo do reator nuclear, não o núcleo interno mas onde fica os equipamentos do reator nuclear, você tem que dimensionar aquela parede, que é um parede de concreto e aço de forma suportar, por exemplo, o impacto de um avião, né, na época era um grande avião, um 707, hoje acredito eu que deve estar projetando pra um 767, uma coisa assim. E aí a minha tese de mestrado, ela foi desenvolvida com esse objetivo, né, para realmente avaliar o impacto, por exemplo, de um avião numa calota de um reator nuclear, ou míssil em terra, né, como que pode ter um míssil interno? Porque as tubulações de um reator eles trabalham com altíssimas pressões, né, mais de 100 atmosferas, então quando rompe um tubo, aquele tubo em função da energia cinética ele sai um pedaço como se fosse um míssil, e interno, um pedaço de tubo que bate na calota e poderia ter um vazamento do material radioativo, então também eu usava esse programa pra isso, e vários projetos que estavam ligados a minha tese, então foi uma tese até muito avançada, eu tive um orientador fantástico que foi o Nelson Francisco Becker, que hoje talvez tenha sido a pessoa, vai fazer 60 anos, vai até ter uma comemoração agora, pessoal da (Cope), e ele realmente foi a pessoa que talvez tenha criado toda geração de pesquisadores e professores que hoje estão na (Cope), não só na área de civil, é uma pessoa fantástica, que já tinha uma visão muito além do momento que ele vivia, né, e era difícil fazer uma tese com ele porque realmente ele exigia, vamos dizer assim, pra época sistemas e modelagens computacionais bem sofisticadas, né, mas pra mim foi muito bom, quer dizer, novamente acho que foi um premio que Deus me deu, me colocar uma pessoa assim porque na realidade ele foi o inicio da minha carreira nessa área de mecânica computacional ,né.
P/1 – E você fez o seu doutorado direto também?
R – Não. Eu terminei o mestrado e fui trabalhar na Petrobras de mineração, passei pra Petrobras Mineração.
P/1 – Como é que foi seu ingresso, em que ano, você fez concurso?
R – Foi, foi em 1978, em 1978 eu estava terminando, eu tinha acabado de terminar o mestrado, e aí no caso, a Petromisa, que era Petrobras Mineração eles precisavam de um engenheiro que fosse bom em computação, né, eles tinham um consultor chamado (Charles Ferreti), que fornecia consultoria para o projeto da mina subterrânea de potássio, que é uma mina que existe até hoje lá em Sergipe.
P/1 – Esse consultor não era brasileiro?
R – Não era brasileiro, ele era da Universidade de Minneapolis de Minnesota, ele era consultor e ele aí mais ou menos delineou qual seria, vamos dizer assim, a pessoa ou profissional que poderia ser treinado para fazer os projetos das escavações subterrâneas dentro da mina de potássio, e ai novamente eu fui selecionado lá na (Cope) e ingressei na Petrobras Mineração, né, havia uma previsão que ao entrar na Petrobras Mineração eu passaria um ano, como foi nos Estados Unidos, né, trabalhando com esse professor na universidade de Minneapolis em Minnesota.
P/1 – O projeto da Petromisa era um projeto contratado?
R – Foi um projeto, não, não. O projeto da Petrobras Mineração era um projeto de uma mina subterrânea de produção de potássio, na realidade na época, a Petromisa era uma subsidiaria da Petrobras, né, e ela existia, aquela mina ela apresentava uma característica geotécnica que na realidade veio suportar todo meu trabalho atual no Pré-sal, né, por que isso? Existem vários tipos de minerações, existe aquela mineração convencional a seco que você faz um _______ chega na mina e começa a fazer as escavações, as galerias exploratórias e os painéis de lavra onde você retira o minério, né, e essa mina o minério de potássio, para explicar melhor, se usa no fertilizante, cloreto de potássio fertilizante, né, e era a primeira praticamente talvez do Hemisfério Sul, talvez fosse a primeira mina de potássio, né, essa reserva, esses sais foram encontrados em programas exploratórios da Petrobras lá em Sergipe, daí eles encontraram e criaram a subsidiaria pra explorar esse sal que era muito importante, até hoje é um insumo agrícola, não só agrícola mas na industria química, muito procurado, né, mas aí naquela mina existia uma peculiaridade diferente das demais minas de potássio no mundo, existiam minas de potássio já na França, no Canadá onde tem as maiores reservas de potássio do mundo, mas aquela mina tinha a jazida de potássio, quer dizer, o minério que é (silvinita), é um composto de cloreto sódio, cloreto de potássio ele era sobrejacente, né, ele era _______ , ele era a melhor camada de minério, existiam duas, a melhor camada inferior sobre uma rocha chamada taquidrita que é um sal também, né, falam muito no Pré-sal, Pré-sal né, e vencer a barreira do sal e foi a única mina no mundo em que eu tinha a camada inferior sobre a taquidrita diretamente, na época eles contrataram algumas empresas de engenharia e eles diziam que era inviável fazer aquelas escavações sobre a taquidrita, seria a mesma coisa que construir um prédio como esse em fundação direta, sem fundações profundas sobre um pântano, por exemplo, mais ou menos de uma maneira simples de explicar, né, e ali junto com o professor (charlies Ferreti) eu fiquei com ele um período de quase um ano nos Estados Unidos, onde também eu aproveitei junto com o meu trabalho, eu terminei as cadeiras de doutorado, foi quando eu realmente eu comecei fazer o doutorado.
P/1 – Deixa eu só entender, então estava previsto de você entrar e fazer seu doutorado no.
R - Não, não era fazer o doutorado, na realidade eu ia trabalhar com ele por um período de mais ou menos um ano lá em Minneapolis num projeto da mina, onde eu seria treinado naquele tipo de atividade, só que em paralelo eu aproveitei já que eu estava numa universidade americana, né, não existiam esses cursos de doutorado assim da maneira como é hoje na Petrobras muito bem planejado e tal, existiam alguns mas eram em menor número, eu aproveitei e acabei as cadeiras de doutorado lá, né, aí quando eu voltei, eu aproveitei os créditos e desenvolvi aqui a tese de doutorado, fiz mais algumas cadeiras mas praticamente eu já tinha completado os créditos. Bom, a mina então quando falando, eu iniciei esse trabalho com ________ que o objetivo era viabilizar a lavra, né, a extração de minérios de potássio sobre essa rocha taquidrita. Na minha tese de doutorado desenvolvi um simulador, né, que na época eu chamava de _______, hoje ele está na Petrobras chama _______ que é um simulador.
P/1 – O primeiro nome como é que é?
R - _________ Comportamento ________ de escavações subterrânea, hoje é a _________ , análise de _______ elásticas de escavações subterrânea, que hoje é o (software) principal que nós utilizamos hoje para estudar a estabilidade do poço durante a travessia do sal, vê que ligação interessante, né, quer dizer iniciei o meu trabalho em mina subterrânea, desenvolvi um conjunto de simuladores que foram aplicados à mina, na realidade nós viabilizamos a ________ aquilo que se dizia que era inviável eu posso dizer que talvez eu tenha sido um dos caras que tenha sido pai da viabilidade porque os (Ferreti) saiu pouco tempo depois, eu praticamente fiquei sozinho trabalhando, fizemos uma série de experimentos de campo, e eu sempre rodando programas, simulando, comparando resultados de simulação com resultados das escavações, né, nós medíamos a mina inteira.
P/1 – Vocês tiveram sucesso lá?
R – Tivemos sucesso total, hoje se a senhora for lá na mina eles vão me reconhecer como a pessoa que viabilizou a _______ da camada inferior de (suvinita), né, e todo aquele conhecimento na realidade,eu usei depois na Petrobras, né quer dizer, eu não vim para a Petrobras para trabalhar em poço, mas quando surgiu a oportunidade que nós começamos a atravessar as camadas de sal profundas, no caso a Bacia de Campos, antes do Pré-sal, o pessoal ficou sabendo que eu já tinha trabalhado com isso, e a gente, eu passei a utilizar todo aquele conhecimento, inclusive algumas propriedades mecânicas no projeto do Pré-sal, que é o que a gente usa até hoje.
P/1 – Então vamos por parte. Você terminou esse trabalho ligado a Petromisa.
R – Na Petromisa. Aí eu pedi demissão em 86, de lá na Petrobras Mineração, eu já era engenheiro três, na época seria equivalente a engenheiro sênior aqui.
P/1 – Mas você pediu demissão por quê?
R – Eu não conseguia, a administração naquela época, eu não aceitava o modo como eles estavam conduzindo a Petrobras Mineração e aí eu acabei decidindo, pedi demissão, logo em seguida surgiu o concurso para a Petrobras, aí eu fiz novamente o concurso para a Petrobras, entrei na Petrobras em junho de 86, quer dizer, pouco tempo depois de eu sair eu fiz o concurso, passei na Petrobras, né, mas ainda continuei ajudando a Petrobras Mineração, quer dizer, houve um acordo vamos dizer assim, porque eles poderiam impedir o meu concurso porque era uma subsidiaria, mas aí houve um acordo que eu continuasse, vamos dizer assim, por algum tempo dando essa consultoria, três anos depois a Petromisa foi extinta, né, e aí a Vale assumiu a mina, mas ela utilizou praticamente os conhecimentos que nós deixamos naquele período, né?
P/1 – Você pode fazer a gentileza de repetir, a mina era.
R – A mina de potássio, ela fica localizada no município de Rosário do catete, em Sergipe fica mais ou menos uma hora de Aracajú na BR 101.
P/1 – Ela é uma mina grande?
R - É uma mina, não em termos de produção de potássio ela não se compara, por exemplo, a uma mina no Canadá, né, mas hoje é considerada uma das minas mais rentáveis do Vale do Rio Doce, quer dizer, em termos de volume ela não se compara a um Carajás, por exemplo, mas em termos de rentabilidade ela é, até porque o preço do potássio saiu de 100 dólares a tonelada, né, e hoje está mais de 1000 dólares, produto muito, foi um dos poucos _________ que não sofreu queda de preço durante essa última crise econômica que nós tivemos, então hoje a mina, como eu disse, a mina, eu acho que eu posso dizer que eu consegui estender a vida da mina por uns 20, 25 anos com esse projeto que eu desenvolvi lá, e agora ela está chegando no final de vida, então a Vale está meio desesperada, então está pensando já em outros métodos de _______ extrair outros tipos de minérios porque realmente o potássio se tornou um mineral muito, vamos dizer assim, muito procurado, né.
P/1 – Ta certo. Obrigada. Vamos voltar para sua trajetória, aí você entrando na Petrobras, você foi pra que área?
R – Eu fui trabalhar na divisão Diprex, na divisão de projetos de exportação, na engenharia básica, né, e lá eu fiquei durante muito tempo, na Diprex. E meu trabalho basicamente continuou sendo trabalhar em estruturas, projetos de estruturas e fundações, grande parte fundações, aí tive oportunidade de projetar fundações especiais na época, para plataformas fixas, né, e logo tem uma patente da estaca de ponta fechada que desenvolvemos para as plataformas do pólo Nordeste.
P/1 – Que estavam entrando naquela época?
R – Naquela época, vamos dizer assim, o nosso grande desafio, né, isso foi em 86,87 mais ou menos, era de projetar de formas independentes, sem usar conhecimentos externos, plataformas fixas com lamina d’água em torno de 80 a 90 a 100 metros, né, esse era o grande desafio daquele momento, né, e eu tive essa oportunidade de trabalhar naquela equipe, logo em seguida nós saímos de uma lamina d’água de 80 a 90 metros e fomos pra 400 metros, logo em seguida pra 1000 metros. E nesse período todo, eu trabalhei muitos anos na engenharia básica, eu era, depois de algum tempo eu virei chefe de setor de uma gerencia de desenvolvimento de métodos ________ que logo em seguida houve uma reestruturação, alguns anos depois virou métodos científicos que existe até hoje, então é uma gerencia que trabalha diversas áreas, né, voltadas todas elas a mecânica ocupacional que foi o meu inicio como profissional, e trabalha bem, quer dizer, é uma gerencia bem reconhecida dentro da empresa, apesar de ser um nome estranho, métodos científicos, né, todo mundo utiliza métodos científicos mas na realidade criou um portfólio de programas que são usados em diversas áreas, fundações, estruturas, _______ , a parte de movimentos comportamento hidrodinâmico de plataformas, de uma maneira geral.
P/1 – Álvaro só pra eu entender, a sua gerencia atendia as demandas na companhia.
R – AS demandas das áreas do AIP, da área de Exploração e Produção.
P1 – Tinha todo esse leque?
R – Tinha, trabalhava em todo esse leque de atividade, né, quer dizer a nossa gerencia ela é multidisciplinar, então nós tínhamos, como temos até hoje um grupo ligado à área de engenharia submarina, mas a área de mecânica ocupacional aplicada à engenharia submarina, um grupo ligado a hidrodinâmica de corpos flutuante, que é os movimentos das plataformas, um grupo de __________ , um grupo de estruturas e um grupo de fundações, o que para mim foi muito bom, eu era, sempre fui um gerente muito técnico, quer dizer, eu sempre trabalhei como gerente, porém e metia a mão na massa, rodava programas análises e fazia projetos, trabalhava junto com a equipe, então como a minha gerencia era muito diversificada eu conhecia ganhar conhecimentos em diferentes áreas, né quer dizer, hoje eu acho que eu tenho condições de fornecer consultoria pra empresa em diferentes áreas que não a minha especialidade fundamental de mecânica ocupacional aplicadas a estruturas e (geometria) e (Geotec)
P/1 – Devia ser uma loucura, né, atendendo todas essas.
R – É eu participava, quer dizer, eu fazia.
P/1 – É muito grande, né?
R – Muito grande. Eu conseguia, era um esforço grande, sempre trabalhei 12 ou 14 horas por dia, até mais, né, mas fazia sempre, até hoje eu sempre fiz com muita satisfação, né?
P/1 – Me diga dessa época algum trabalho que vocês tiveram, que realmente foi um desafio.
R - É interessante a pergunta. Logo quando eu cheguei como eu disse, naquela época em 86, 87 nós estávamos projetando as primeiras plataformas fixas com uma lamina d’água de 80 metros, isso era o pólo Nordeste, era o campo do pólo Nordeste na bacia de Campos.
P/1 – O Nordeste é cherne?
R – Não, não. Era de vermelho, plataforma de vermelho, do carapeba, era pargo 1B, carapeba um, dois, três, vermelho um, dois, três. E naquela época existiam, nós tínhamos um problema, uma grade de fundações, nós tínhamos uma areia calcária que era um solo, era uma areia, mas um material de baixa resistência e geralmente em projetos de plataformas fixas as fundações até aquela época eram tubulões abertos com dois metros de diâmetro mais ou menos, nós tínhamos que cavar cento e poucos metros mais ou menos dentro do solo, né, então estacas com 100, 150 metros de comprimento, com dois metros de diâmetros, espessura de parede de aço de uma polegada e meia, a ¬¬¬¬¬--¬¬¬¬¬_________ gigante, né, tudo é gigante, né, tudo é muito grande, e aí surgiu a idéia naquela época de se fechar a ponta da estaca como se usa na industria civil normal, né, e aí nós decidimos fechar a ponta da estaca pra aumentar a capacidade carga da estaca, quer dize não seria só por atrito lateral mas também por capacidade de ponta. E foi a primeira vez na indústria uma empresa a Petrobras ela é ousada né, que ela teve a coragem de usar, vamos dizer assim, de fechar essas estacas dessas dimensões, então existiam empresas que na época trabalhavam no projeto, consideravam que era inviável cravar aquelas estacas, novamente eu usei meu programa de tese de mestrado que eu desenvolvo pra área nuclear, eu utilizei pra simular a cravação dessas estacas de pontas fechadas para o pólo Nordeste, junto com uma equipe muito boa também na época.
P/1 – E foi a que você patenteou?
R – Uma das minhas patentes foi essa. E aí nós tivemos sucesso, conseguimos cravar uma quantidade, sei eu não me engano, 70 e poucas estacas. Economizamos algumas dezenas de milhões de dólares e na realidade garantimos uma segurança maior, as plataformas como estão em operação há mais de 20 anos, né, sem problema nenhum de fundações, né? Mas houve, foi uma briga grande porque existia uma empresa italiana que queria, na realidade ela era a dona da balsa que fazia instalação, que era a (Micrope 7000)), hoje virou _____ 7000, e eles queriam porque queriam considerar uma solução própria deles para vencer aquele problema de fundação e aí nós fomos contra e foi uma briga feia, n é, a administração da empresa preocupada, vamos dizer assim, com o que poderia acontecer durante a instalação, naquela época o superintendente da área de AIP se eu não me engano era o Estrela, né, e a gente sempre recebeu muito apoio do diretor Estrela, atualmente diretor de AIP para colocar as nossas, os nossos resultados, os nossos vamos dizer assim, os nossos trabalhos, né, viabilizar aquilo que é a nossa engenharia estava fazendo, ele era da área de Exploração e Produção e o Portinho era da Engenharia básica, era superintendente da Engenharia básica. Foi um momento muito bom, quer dizer, a gente teve sucesso e na realidade a estaca de ponta fechada, apesar de ela ser cravadas com martelos hidráulicos, né, submersos, ela acabou veio ser o inicio da estaca torpedo, que é cravada por gravidade que hoje nós utilizamos na Bacia de Campos, né? É praticamente um tubo tipo um torpedo e que a gente larga por gravidade ele crava, e a gente então usa aquilo como ponto fixo de ancoragem.
P/1 – E é sua também a.
R – Eu também faço parte da patente, não é só minha, né, quer dizer essas patentes têm outras pessoas, em média duas ou três pessoas, mas é vamos dizer assim, o inicio teve lá nas estacas de pontas fechadas quando nós fechamos a ponta da estaca, então eu usei os programas que simulam hoje a capacidade carga.
P/1 – Que a ponta fechada é em seta?
R – Tipo uma seta, né? Na realidade os americanos quando viram as estacas de pontas, chamavam de ________ , parecia um lápis, né, e hoje virou a estaca torpedo, só que ela não é mais cravada por martelo hidráulico mas por gravidade, né? É uma solução fantástica, já economizou quase um bilhão de dólares para a Petrobras, não só n aparte de fundações, mas também na economia de _______ .
P/1 – E é super simples, né, a idéia.
R – Super simples. É muito interessante a idéia.
P/1 – Álvaro você deu um exemplo bem claro, né, de vocês utilizarem uma solução própria e nacional, ________ de uma italiana que já trabalhava com vocês.
R – Isso. Existem várias outras, né?
P/1 – Esse período foi bastante rico, talvez até pra impulsionar as indústria brasileira?
R – Com certeza.
P/1 – Você poderia falar um pouquinho sobre isso.
R – Eu não digo só a indústria brasileira, mas eu acho que, na época as plataformas foram construídas no Brasil, essas plataformas fixas, né?
P/1 – Algumas lá na Bahia, né?
R - Isso, isso. Lá em São Roque, né, mas eu acho que o que é mais importante aí no caso é que naquele momento nós começamos a criar todo um portfólio de ferramentas computacionais junto com a (Cope) que foi a primeira universidade que ingressou na Petrobras, que você vai ver que ela vai ser o início da rede Galileo, né, a (Cope) começou a desenvolver junto com a Petrobras um portfólio de simuladores, na época nós não tínhamos nada pra calcular plataformas fixas, né, nós desenvolvemos um programa chamado ADEP que acredito que até hoje alguns engenheiros ainda utilizem cálculos de plataformas fixas, existem outras.
P/1 – ADEP é?
R – Análise de estrutura de porte, alguma coisa assim, o nome, era um sistema grande que foi desenvolvido junto com a (Cope), também com o professor Nelson, que ele foi digamos assim o cara que coordenava o Lobo Carneiro uma grande figura também que coordenava também, coordenava também esse convenio, o professor Agustinho Ferranti que infelizmente faleceu, se eu não me engano, esse ano, né, foi esse ano que ele faleceu, que foi o início então da criação de todo esse embasamento de mecânica computacional aplicada a engenharia e no caso engenharia Workshop no Brasil, né, então vamos dizer assim, foi um momento muito rico para a Petrobras, né, não só pela possibilidade de construir essas plataformas aqui no Brasil, mas também adequação dos projetos que existiam por exemplo, Cherne, Garoupa, Enchova, eram projetos importados, né, não eram projetos desenvolvidos com as características ambientais de cargas ambientais das nossas características da Bacia de Campos, então as nossas estruturas foram muito mais leves, um custo muito menor, e veio criar, vamos dizer assim, um grupo de trabalho excelente que está nos ((Cempes)) até hoje que trabalha nos projetos de engenharia básica das plataformas, né?
P/1 – Deixa eu te perguntar um lado bem pessoal, qual é o seu sentimento quando você vê seu projeto ali sendo utilizado?
R – É quase como criar um filho, né, eu acho que o prazer de todo engenheiro é ver aquilo que ele projetou se tornando realidade, quer dizer, seria muito chato você projetar um prédio e nunca ver o prédio construído, então pra mim é uma satisfação enorme ter a possibilidade de trabalhar em determinados projetos e ver aquilo se tornar realidade, né, eu sempre tive por prática, eu hoje cm mais idade, né, pra alguns novos que me chamam de idoso já né, pra não dizer velho, mas eu incentivo que o bom profissional de engenharia é aquele que trabalha na atividade de projeto, né, no computador, antigamente falavam na prancheta, e ele vai pro campo fazer a instalação, né?
P/1 – Você acompanhava também?
R - Eu acompanhava as instalações, então durante uns 15 anos eu embarquei muito, tudo aquilo que eu trabalhava em projeto eu acompanhava a instalação porque eu acho que existe uma distancia grande daquilo que se projeta e aquilo que se executa, se você não estiver próximo, né, às vezes como uma solução como a estaca de ponta fechada como os Italianos não queriam essa solução, eles durante todo momento durante a cravação queriam parar, que não iam cravar, e ia quebrar a estaca, e nós criamos um grupo de monitoração e se não estivesse lá presente provavelmente não tivesse sido feita a instalação, então esse é um habito que eu procuro transmitir para os mais novos que estão ingressando na empresa agora, de sempre trabalhar na atividade do projeto, mas olhar para a realidade, né, ter aí idéias das dimensões, saber o que é uma estaca com dois metros de diâmetros e cem metros de comprimento, né quer dizer, essa dimensão é muito importante para o profissional, seria a mesma coisa que um cirurgião se forme em cirurgia e jamais faz a cirurgia num corpo humano, trabalha sempre lá no robozinho, ele nunca vai ser um bom cirurgião.
P/1 – Então vamos retornar Álvaro, você estava contando dessa parte ou do projeto das estacas?
R – Das estacas. Eu acho que talvez agora a gente poderia entrar um pouco no Pré-sal, né? Em 97, 98 eu trabalhava ainda no (Cempes). Na realidade o Pré-sal é um sonho antigo da Petrobras, quer dizer, sempre houve, na época que o Estrela ainda era superintendente lá no (Cempes), né, sempre teve, vamos dizer assim, a procura pelo reservatório abaixo das camadas de sal, é bom frisar que existem aí dois tipos de reservatórios, existe o Pré-sal que é aquele que se formou, que o reservatório se construiu antes da deposição do sal e o pós sal que é aquele reservatório que se construiu após a deposição do sal. Na Bacia de Campos nós temos as duas possibilidades, e naquela época em 97, 98 apareceram dois grandes projetos, como eu tinha colocado no inicio, que era o projeto dos poços RJS 457 ou 480 que iam atravessar a camada de sal. O pessoal do (Cempes) sabia que eu tinha trabalhado em mina de sal, que eu tinha um simulador que eu utilizava, esse meu simulador que eu utilizava representava as escavações com dezenas de metros quadrados de abertura, logicamente conseguiria representar a abertura de um poço, né, atravessando o sal.
P/1 – Esse poço era em águas ultra profundas?
R – Era em torno de mil, mil e poucos metros mais ou menos, eu não me lembro exatamente à localização, mas eram dois poços que iam atravessar, um se eu não me engano, cerca de 600 metros de sal e o 480, ou 400 metros, não me lembro muito bem, e aí eu utilizei o meu simulador que já na minha tese de doutorado eu não expliquei, a minha tese de doutorado eu desenvolvi como um simulador computacional que foi utilizado no projeto das escavações subterrâneas na mina de potássio, lembra que eu tinha dito que eu tinha desenvolvido um simulador para a indústria nuclear. Quando eu entrei na mina de potássio, que eu comecei a trabalhar na Petrobras na mineração, no meu doutorado, eu passei em 79 nos Estados Unidos, quando eu voltei, eu fui fazer o meu doutorado, terminar os meus créditos, não os meus créditos, mas a tese de doutorado eu desenvolvi aqui, aí eu fiz, eu desenvolvi um programa também sobre a orientação do professor Nelson, e que ele tinha por objetivo projetar as escavações subterrâneas lá da mina, esse é o mesmo simulador que todos os engenheiros geomecânicos hoje na Petrobras utilizam para fazer o estudo de estabilidade dos poços frente ao sal, então olha que interessante, quer dizer, eu desenvolvi algo basicamente, eu terminei a minha tese de doutorado em 84, né, e hoje 21 anos depois eu utilizo aquele simulador nos projetos dos poços durante a travessia da camada de sal.
P/1 – O simulador tem nome?
R – É (enveck), o nome dos meus programas são muito feios, eu não dou nomes assim diferentes, muito sofisticados.
P/1 – Tem que botar simulador Maia.
R – Eles traduzem o que as analises que eles fazem, né, eu tenho cerca de oito a nove simuladores que são utilizados hoje na Petrobras para diversas áreas na empresa, mas hoje o que é muito utilizado é esse de previsão de comportamento de rocha salina. Bom, eu estava dizendo que esses dois projetos ocorreram na bacia de Campos.
P/1 – Em 97, 98?
R – 97,98 nós tomamos a decisão, já estávamos prevendo, vamos dizer assim, a possibilidade de estender, não se tinha ainda a visão do Pré-sal naquele momento.
P/1 – Mas esses dois poços que vocês conseguiram tiveram bons resultados?
R – No caso do quatro, cinco e sete as previsões numéricas ficaram muito próximas da medições que nós fizemos no poço durante a travessia do sal. Já no quatro, oito e zero deu uma diferença grande, né, como eu sabia que o simulador era muito bem validado porque utilizava na mina, e a mina tinha 3000 sessões de convergência na mina, hoje deve ter umas 3000, eu media e comparava os resultados, naquele momento nós descobrimos alguns fenômenos interessantes em relação aos sais da Bacia de Campo, né, eu não vou entrar aqui no detalhe.
P/1 – Só de uma maneira que um leigo possa entender?
R – Quer dizer, na realidade existiam esforços dentro de um maciço na área do sal que não eram isotrópicos, isso quer dizer que as tensões nas camadas de sal, as tensões horizontais eram diferentes das verticais, nós só fomos descobrir isso aí um tempo depois.
P/1 – Isso torna o que, mais?
R – Isso torna o fechamento do poço é muito mais rápido.
P/1 – Muito rápido?
R – Muito rápido. Bom.
P/1 – Mais do que na mina?
R – Não, não necessariamente, não significa isso, na realidade geralmente quando a gente perfura o sal, o sal é uma rocha, vamos explicar um pouco mais, ele está sujeito a um fenômeno de fluência, fluência é uma deformação que se diz lenta que, vamos dizer que é uma deformação que ocorre ao longo do tempo com uma carga constante, então se eu pegar um corpo de prova de aço, eu aplicar uma carga ela vai se deformar e parar numa determinada posição, ou ela entra em colapso ou ela para, vamos dizer assim, já uma amostra de sal se você aplicar uma determinada carga ela se deforma inicialmente, porém ela continua se deformando ao longo do tempo. Essa velocidade vai depender da temperatura que está aquele material, aquele geomaterial ou do nível de carga que você está aplicando, e aí nós descobrimos no quatro, oito e zero que existia essa anomalia de tensões naqueles domos salinos e tal lá na Bacia de Campos, isso também foi uma experiência que a gente migrou para o Pré-sal. Quando chegamos em 2000 nós decidimos, somente para simplificar, na época da Petrobras Mineração, quando eu ingressei lá em 78, eu tinha acabado de me formar, a Petrobras tinha criado um laboratório de mecânica de rochas lá no Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo, no IPT, um laboratório especifico para ensaios reológicos em rochas salinas, a mina era tão importante naquela época, que o Geisel que era Presidente da República foi inaugurar esse laboratório, esse laboratório é relativamente pequeno, mas dada a importância do empreendimento para o Brasil, um país que se dizia agrícola precisa de fertilizantes, então o laboratório tinha uma importância muito grande. Esse laboratório depois ele foi imobilizado mais ou menos por volta de 86, 87 mais ou menos, e depois em 2000 então o AIP decidiu montar um novo laboratório tanto que no IPT pesquisas tecnológicas tem um novo laboratório totalmente modernizado onde nós fizemos todos os ensaios do laboratório com as amostras de rochas salinas, já ligadas a Bacia de Santos.
P/1 – Teve convenio da Petrobras?
R – Nós fizemos contratos da Petrobras com o IPT e na realidade todos os equipamentos, os ensaios que foram feitos, eu especifiquei com a minha experiência lá da mina de Taquari-Vassoura. As coisas estão muito ligadas, eu digo que tem um destino que corre em paralelo comigo porque eu basicamente eu estou sempre fazendo link, as coisas parecem que é uma roupa que eu estou costurando e que as coisas estão tendo algum caminho, vai chegar a algum lugar que eu não sei exatamente qual é. Mas veio então o projeto do poço piloto TUPI que foi um projeto muito legal, na realidade nós trabalhamos com a IP cerca de dois anos, que é o primeiro poço descobridor de TUPI, né, é o RJS seis, dois e oito.
P/1 – Isso foi em que a no?
R – Isso foi em 2006. Então em 2001 a Petrobras montou um novo laboratório, acho que nós temos que fazer uns parentes, a Petrobras eu acho que no Brasil, ela tem uma importância fantástica porque, primeiro ela acredita em pesquisas, ela acredita em tecnologia nacional, ela criou um centro de pesquisas, né, num país que não se fazia pesquisa, e ela incentiva muito a formação profissional, o treinamento, ela incentiva muito essa ligação com as universidades. Recentemente criamos as redes temáticas, as 38 redes temáticas, né?
P/1 – Queria que depois você falasse um pouquinho.
R – Daí vai surgir à rede Galileu, depois eu explico melhor. Realmente a Petrobras abre essa oportunidade, quer dizer, eu acho que pra um engenheiro nós temos, a Petrobras é quase um universo de oportunidades, eu digo que, ela quase que uma NASA né, que ela consegue abrir portas para o profissional se desenvolver, criar soluções, inovações tecnológicas, eu acho isso aí fantástico. Então voltando aí no Pré-sal.
P/1 – Você estava fazendo uma linhazinha do tempo, foi criado o laboratório?
R – O primeiro laboratório que foi criado lá atrás na mina de Taquari-Vassoura mo projeto do potássio Sergipe chamado Projeto Potássio Sergipe, a pessoa que estava à frente era uma pessoa muito conhecida na Petrobrás o Doutor João Tavares de Neiva Figueiredo, foi um dos fundadores da Petrobras, ele foi que estava à frente na época dessa mina, né, então aquela experiência 30 anos atrás a gente migrou para o novo laboratório que foi então construído no IPT. Então ali nós temos seis estações, que nós fizemos ________ controladas e aí certamente o que há de melhor em termos de tecnologia laboratorial, aí fizemos centenas de ensaios com diferentes tipos de amostras tiradas de Sergipe inclusive, né, a gênese de formação entre o sal de Sergipe, dos poços de Carmópolis seria parecido com a Bacia de Santos, e aí esses dados foram os que nós utilizamos até hoje nos projetos dos poços, então quando nós vamos na realidade atravessar aquela, vencendo aquela barreira do sal, né, que o jornal colocava, né, na realidade se vem sendo, é uma historia de quase 30 anos da Petrobras que começou lá atrás na Petrobras Mineração e está hoje se concretizando agora no Pré-sal, é uma ligação bonita até, se for pensar duma maneira mais ampla, né?
P/1 – Muito trabalho e estudo?
R – muito trabalho e muito estudo. Hoje eu tenho uma equipe de engenheiros, novos engenheiros que trabalham comigo, é bom citar nomes, Claudia Amaral, que já não é tão novo assim, Edgar, Luis Carlos, Carlos Leonardo, estou tendo oportunidade de treinar profissionais, assim de altíssimo nível, que vão me substituir quando eu deixar a empresa, né, e que vão continuar trabalhando em geomecânica ocupacional com certeza, Roberta eu tenho que me lembrar, é gozado que o pessoal diz que eu tenho uma creche, né, então como eu tenho muita ligação com as universidades, hoje eu trabalho como assistente do diretor Estrela, mas uma das minhas missões é suportar tecnicamente a engenharia de produção naquilo que for necessário, eu mudei um pouco o ambiente do 23 andar porque antes era aquele ambiente mais calmo, né, porque só vai as diretorias, é muito isolado da atividade operacional e hoje volta e meia você vai lá e tem 15, 20 pessoas, garotos novos, né, eles se sentem bem porque já estão trabalhando lá na diretoria, e é muito interessante porque eu estou tendo a possibilidade de transmitir esses conhecimentos para esse pessoal, pessoal excelente, todos eles são brilhantes.
P/1 – Você está desde quando como assistente do.
R – Eu estou há dois anos, trabalhei 21 anos no (Cempes), e estou há dois anos, dois anos e pouco com o diretor Estrela que também foi uma oportunidade excelente para mim profissional, que aí eu comecei a ver a Petrobras de uma maneira bem mais amplo, continuo trabalhando, fazendo engenharia, quer dizer, continuo atuando quase um consultor coorporativo do Estrela nessa área, me ajudando onde é possível quando tem algum problema. E hoje eu estou muito ligado a área do Pré-sal, né, não só na parte de desenvolvimento da produção, que eu participo das reuniões como também na área de poço, na área de plataformas de uma maneira geral.
P/1 – Então vamos voltar, você estava contando da experiência dos dois poços?
R – Dos dois poços Construímos um laboratório e aí montamos um grupo de trabalho com a unidade com (IPESSP) é exploração, montamos um grupo de trabalho com os engenheiros só AIP e levamos cerca de dois anos desenvolvendo o projeto do poço TUPI. Era um projeto pioneiro, um grande desafio, nós íamos atravessar dois mil metros de rocha salino, o custo é muito elevado, e um fracasso ali poderia ser um, significar um fracasso do Pré-sal, vamos dizer assim, nós fizemos um projeto que ele era mais conservador, quer dizer, nós tínhamos algumas estimativas de encontrarmos, por exemplo, lembra que eu falava que lá na mina o grande desafio era escavar sobre a taquidrita, novamente aqui no Pré-sal nós encontramos a taquidrita, que para mim é único porque no golfo do México nós não encontramos esse tipo de rocha nessa profundidade nessas condições, então a mina, lá o trabalhinho da mina novamente ligado aqui ao projeto do Pré-sal. Existia a estimativa de nós encontrarmos no TUPI oito camadas, né, de cerca de vinte metros cada uma de taquidrita, os geólogos fizeram algumas co-relações nos poços próximos e esse foi o grande desafio.
P/1 – Não é uma camada só, né?
R – São intercalações de taquidrita, né, você tem a grande parte do sal é (alita) o cloreto de sódico, né, quando se fala barreira do sal ou vencendo dois mil metros de sal na realidade é vencer os dois mil metros de rocha salina, de (alita) que é o cloreto de sódio, só que existem intercalações desses sais que eles chamam de sais mais solúveis, na realidade todo sal é solúvel, mas vamos dizer que sais com maior modalidade que é a taquidrita e carnalita, então nós fizemos toda uma estratégia de perfuração só que quando perfuramos TUPI, na realidade aquelas camadas não existiam, né, nós demos muita sorte e acabou que nós conseguimos otimizar muito o projeto do poço, existe alguns casos entretanto que nós estamos encontrando a taquidrita, só que hoje nó já temos toda uma metodologia, um protocolo que nós já conseguimos utilizar e vencer esse desafio.
P/1 – Para a perfuração?
R – Para a perfuração porque pra você ter uma idéia, se nós tivermos perfurando um poço em frente a (alita), e se o fechamento, vamos admitir que o fechamento seja de uma polegada por hora, que não é o caso na (alita), a taquidrita seria cem vezes maior, então imagina uma rocha que se deforma com uma taxa de deformação cem vezes, cento e cinqüenta vezes maior do que a (alita) que nós estamos acostumados a perfurar. Foi muito interessante porque a Petrobras ela tem sócios, né, no caso do bloco 11 de TUPI nós temos a BG e a Galp, e eu tive que defender que a Petrobras tinha conhecimento para enfrentar esse desafio, então nós fizemos palestras lá no (Cempes) ainda e algumas nós fizemos aqui mostrando que nós tínhamos o simulador, que nós tínhamos construído um laboratório, que nós tínhamos dados e eles até pagaram esse trabalho, então o projetos dos postos, os primeiros postos foram pagos pelos sócios, né, eu falei uma polegada por hora é bom corrigir, uma (lita) na pior condição daria ai em torno de 0,05 polegadas por hora, que foi o caso do 4,8,0 de fechamento, a condição muito especial, a Taquedrita naquela mesma condição estaria fechando numa velocidade 100 vezes maior do que isso, então cinco polegadas por hora, quer dizer, nem fecha, você perfura o poço fecha, né, um poço com 17 polegada em duas horas e pouco ele fecha, dependendo logicamente do peso de lama que se usa, né.
P/1 – Isso pra um cientista é um quebra-cabeça?
R – É um desafio fantástico, a turma que trabalha comigo ai, é um trabalho bem interessante, bem vibrante, né, então o Pré-sal acho que está dando um fôlego novo ai na Petrobrás, não só como desafios, né, mas como também o tamanho da reserva e tudo para o país tem importância muito grande, né.
P/1 – Então isso que eu queria recuperar, vocês já estão formando todo uma metodologia?
R – Nós já estamos formando metodologias e novas cabeças, né, quer dizer.
P/1 – Para a própria perfuração?
R – Pra própria perfuração, exatamente, quer dizer, na realidade nós hoje já temos todo um procedimento de projeto para atravessar essas camadas de sal e essas intercalações de sais mais solúveis, né, não só em poços verticais como poços direcionais também.
P/1 – De 2006 para cá já teve algumas alterações?
R – Ah, já tivemos algumas alterações, já fizemos algumas adaptações, né, hoje existe uma interação, a gente procura manter uma interação grande com a atividade operacional, nada é perfeito, existem alguns problemas, né, mas hoje eu acredito que a Petrobrás está na vanguarda nessa área de perfuração e sal, com certeza eu acho que a empresa hoje com a equipe, não só a equipe aqui do (AIP), na área de engenharia de produção do _____ da área de engenharia de produção da (IGP), nós temos pessoas lá trabalhando nisso, como da área exploratória temos uma interação grande com os engenheiros de perfuração da (IPESSP), como da equipe do (Cempes), né, hoje com certeza os sócios nos consideram como sendo talvez os melhores ai do mundo nessa área, sem menor, não estou querendo fazer demagogia nada disso, mas o (fanismo), mas realmente hoje nós estamos a frente nisso, como tudo que a Petrobrás acaba se envolvendo, né.
P/1 – Você falou que gosta de acompanhar, né, você acompanhou lá Tupi da administração?
R – Eu acompanho, hoje eu não tenho acompanhado mais.
P/1 – Mas lá em 2006 você chegou a ir?
R – Não, eu não cheguei a embarcar, mas eu treinei uma pessoa, um garoto novo que acompanhou a perfuração do TUPI, ta, eu não tive oportunidade de embarcar naquele poço, né, é isso foi por uma série de motivos, mas hoje eu tenho até, eu acho que a garotada nova ela está embarcando pouco, né, eu acho, fica aqui como mensagem para direção da empresa, eu acho que os novos engenheiros eles tem que sujar mais as mãos e tem que estar lá na frente de batalha que só se aprende a lutar numa guerra lutando, né, atrás de uma tela de computador ninguém aprende a lutar numa guerra.
P/1 – E foi o que aconteceu com a Bacia de Campos, né?
R – E foi o que aconteceu com a Bacia de Campos, com certeza, grande parte dos engenheiros e gerentes que hoje estão a frente dessa empresa apanhou lá nos embarques, na (BGL), nos navios, passaram mal, vomitaram, isso ai faz parte da história da pessoa, do profissional.
P/1 – Do próprio diretor Estrela?
R – Do próprio diretor Estrela, né, a gente já trabalhou em frente de sonda também.
P/1 – Eu, só para a gente ter uma idéia, a gente fala assim “Aí na perfuração”, para quem não é da área acha uma perfuração pronta bem rápida, quanto mais ou menos, como é esse processo da perfuração, é longo?
R – Ah não, uma perfuração em um poço do Pré-sal, ele pode levar dois, três meses, né, se você não tiver nenhuma contingência, você tem que vencer uma lâmina d’água de 2200 metros, depois vencer mais uma camada de sedimento com cerca de 800 metros, mais 2000 metros de sal e ai chegar no reservatório, ai vai perfurar mais 400, 600 dependendo se você está na camada mais superior do reservatório, do microbiolito a mais inferior que é o SAG ou o RIFT, né, então é, vamos dizer assim, uma operação que leva ai cerca de três meses mais ou menos, né, isso sem considerar a parte de completação sem contingências, né, então envolve um custo muito alto, o aluguel da sonda de área é muito elevada, né, então tem que ser um projeto bem feito.
P/1 – Vou entrar um pouco nesse lado da relação, até anteriormente você tinha comentado de uma parceria com a COP, né?
R – Isso, isso, eu vou falar um pouco da rede Galileu.
P/1 – É como é que isso foi se desenvolvendo essas parcerias com as universidades?
R – É, quer dizer lá atrás, lá atrás tinha um gerente geral chamado Sérgio Miller, né, que ele assumiu a gerência geral, na época não era gerência geral, era chefe di visão da engenharia básica, né, como nós não tínhamos nenhum programa de computador na época para calcular uma plataforma fixa, nós desenvolvemos o ADEP junto com (COP) e logo em seguida veio a PUC, né, que também começou a trabalhar na área de computação gráfica, faz um trabalho fantástico, né, então ela desenvolvia todos os pré e pôs processadores gráficos que a nós utilizávamos nos projeto, depois as universidades, elas foram entrando assim gradativamente, assim mais na área naval veio a USP, né, depois eu vou citar nomes de professores que são marcos ai nesse desenvolvimento.
P/1 – Mas a Petrobrás ia até essas universidades procurarem para ver quem?
R – Não, ela fomentava, né, na realidade ela tinha um desafio como é em todas as áreas,mas eu estou falando na área de engenharia civil, vamos dizer assim, né, na área de mecânica computacional, tem a área elaboratorial, a Petrobrás alocou vários laboratórios, a gente pode falar horas aqui sobre tanques oceânicos, tanques de reboque, laboratórios de ensaios e estruturas, quer dizer, a Petrobrás ao longo desses 50 anos de existência, ela vem usando as universidades há muito tempo, né, quer dizer, até tenha começado mais na área de química, né, de engenharia química e foi migrando ai na década de 70 para as outras áreas de engenharias, espero não estar truncando alguma coisa na historia ai, mas então ao longo desses anos, nós tínhamos um portfólio enorme de programas de computador, que eram validados pelo uso, que nós usávamos em diversos projetos, né, projetos de plataformas fixas, projetos de plataformas flutuantes, linhas de ancoragem, (ráisas), fundações, poços como eu estou falando e ai surgiu então as verbas de participação especial e na época nós estávamos coordenando uma rede de excelência engenharia naval, um centro de excelência de engenharia naval e oceânica, isso foi, se não me engano, por volta de talvez 84, alguma coisa, desculpe, 2004, teve um sucesso muito grande esse centro de excelência na área de naval onde envolvia a Universidade Federal de Alagoas, o IPT, a COP, a USP e a PUC, quer dizer, você vai ver que são as mesmas universidades que hoje compõem a rede Galileu, muito bem, e em função dessa boa integração, nessa rede de excelência, engenharia naval de oceânica, na época o Tadeu que ainda é o gerente executivo do (Cempes), até conversou comigo e disse “Eu acho que realmente a maneira correta da gente se relacionar com as universidades é através de redes, né, haja vista essa rede que deu um bom resultado, né, que era uma rede coordenada lá no (Cempes), e foi quando surgiu a idéia das redes temáticas, né, foram criadas 38 redes temáticas, diferentes áreas, né, e ai veio a rede Galileu.
P/1 – Isso, as redes temáticas 2004.
R – As datas eu não me lembro não, eu acredito que veio depois, eu acho que a rede de excelência da engenharia naval oceânica foi 84, acredito, 86, eu não tenho, assim as datas eu teria que parar para pensar um pouco, né, as redes temáticas eu acredito que tenha dois, três ou quatros anos, nós estamos em 2009, é 84, 85, 86 foi quando surgiram as redes temáticas, mas eu posso estar errando ai nas datas, ai surge a rede Galileu, né, a rede Galileu na realidade, o que é? É uma rede, ela consolida um relacionamento que existe há mais de 30 anos com essas universidades, eu delineie, quer dizer, eu criei uma estrutura de rede em que basicamente eu estou mantendo as universidades, no principio universidades âncoras e universidades de apoio, as universidades âncoras são aquelas que as quais nós já temos um portfólio enorme de trabalhos bem sucedidos, quer dizer, quais são as universidades âncoras hoje da rede Galileu? É a UF, desculpe, é a Universidade Federal do Rio de Janeiro através da COP do departamento de engenharia civil, a PUC que é a Tecgraf, que é o grupo de computação gráfica da PUC, o UFAL, Universidade Federal de Alagoas no grupo mais voltado para área de estruturas e geomecânica, engenharia submarina e a USP muito ligada a parte de hidrogenômica computacional, que é a parte ligada a engenharia naval, o desenvolvimento de cascos e tal, também com grande, uma força muito grande na área de engenharia submarina na parte de¬¬________, modelos acoplados, então nós criamos então essa rede, essa rede Galileu, em que eu tenho o (Cempes) como sendo nó central da rede, né, e eu tenho as universidades âncoras, que são essas quatro universidades e construímos então quatros grande laboratórios, são prédios belíssimos assim, vamos ter 180 (teraflops) de capacidade computacional, né, estamos montando em cada um desses (clanders) de computadores.
P/1 – Esse laboratório vocês montaram ou é um.
R – Esse laboratório, um a gente construímos, bom tem um laboratório central, o nó central que lidera tecnicamente a rede, que fica na gerencia de métodos científicos da qual eu fui gerente muitos anos e que hoje é o Levi, né, que ficou no meu lugar, que também é um cientista computacional como eu era, né.
P/1 – No (Cempes)?
R - No (Cempes) e esse, tem até , se você chegar no (Cempes) tem lá que a gente chama de ovo, né, que vai ser a sala de visualização 3D, e ali é o centro da rede Galileu, né, que faz a liderança técnica ou a coordenação dos projetos e os desenvolvimentos, direcionando os desenvolvimentos para a nossa indústria, né, para a Petrobrás, e ali, esse nosso central então se liga através de redes de alta velocidade com esses quatros grandes nós, e dos nós então nós teremos condições de entrar nas outras universidades, tem mais de 10 ou 15 universidades, acredito que a rede Galileu seja a maior rede das redes temáticas em termos de orçamento, em termos de pessoal, eu acredito que sim, não tenho também muita certeza, mas eu acho que deve ser uma das maiores, e ai nós tivemos, antes de eu sair do (Cempes), nós tivemos várias reuniões, né, e ai decidimos que nós não podíamos perder 30 anos de desenvolvimento de programas de computador, não só aqueles feitos pelas universidade como também aqueles que eram desenvolvidos pelos técnicos da Petrobrás como eu, o Levi e outros colegas, né, o Donatto e vários outros que desenvolveram uma série de simuladores, nós tínhamos que aproveitar aquele portfólio porém nós tínhamos que modernizar nossa estrutura computacional, daí que surgiu então a rede Galileu, então nós estamos, na realidade, nós vamos usar o (cornauled), quer dizer, o núcleo de conhecimento dos simuladores não vai ser alterado, nós vamos aproveitar porém nós vamos atualizar, modernizar os (solvis), os solucionadores de sistema de equações, as entradas e saídas de dados, a parte de visualização, a parte de armazenamento de dados, é como se eu tivesse um grande barramento, né, de alto desempenho em que eu vou pendurar todos os simuladores que já foram validados pelo uso ao longo de 30 anos de desenvolvimento com as universidades, né, nós temos um símbolo, a rede Galileu é um sistema solar simplificado, por que Galileu? Porque eu sou um cara que sou muito ligado a Galileu pela origem, eu considero que Galileu foi o primeiro cientista, o primeiro homem que conseguiu quantificar matematicamente aquilo que até aquele momento era talvez traduzido em termos religiosos, quer dizer, ele Galileu, ele consolidou a teoria de Copérnico que na realidade o sol era o centro do sistema solar e os planetas giravam em torno do sol, mas ele tem uma série de descobertas fantásticas e por incrível que pareça o primeiro grande modelo matemático desenvolvido por Galileu foi o movimento pendular, né, Galileu fazia medicina na Universidade de Pisa, muitas pessoas não sabem, foi expulso da universidade de medicina, né, por uma série de razões não porque era brilhante mas por outra razão, ele não tinha muito dinheiro inclusive para pagar uma universidade, mas entrando na catedral de Piza ele viu um candelabro , se Deus me permitir eu quero conhecer esse candelabro, ele deve estar lá até hoje possivelmente, apesar de ter mais de 500 anos, mas Galileu ele vendo o movimento pendular do candelabro então ele equacionou um matematicamente, né, que o período de oscilação estava ligado ao cumprimento do pêndulo, né e daí com essa idéia eu acabei dando o nome, o pessoal acreditou e gostou do nome e ficou rede Galileu, né, eu queria que fosse Galileu com O porque é um nome original Galileu Galilei, mas acabou ficando com U que é o nome em português, o pessoal não concordou que eu usasse O, mas então a rede Galileu hoje é uma rede que envolve essas quatro grandes universidades, nós devemos ter hoje talvez, não sei, talvez umas 600, 500 pessoas trabalhando nessas universidades, dentro desses programas, desses simuladores, eu acredito que hoje a rede Galileu eu acho que ela vai se tornar uma das redes mais conhecidas do mundo em mecânica computacional já não é uma das mais conhecidas e dificilmente um país vai ter a oportunidade de conseguir juntar tanta, tanto profissional de alto nível e tanto potencial de cálculo de simulação que nós vamos ter na rede Galileu, o mais importante na rede Galileu é que no momento que ela é criada nós temos um tanque oceânico da COP que é construído, né, eu acho que não existe as coisas por acaso, né, as coisas se constroem com objetivos, vamos dizer assim, num estado de transcendental um pouco mais alto, maior do que aquele que a gente realmente imagina, logicamente ai é um problema meio religioso, mas existe um destino que as coisas ocorram com determinada maneira, mas no momento em que a rede Galileu ela é criada, eu tenho um tanque oceânico da COP, que é construído onde eu possod calibrar meus modelos, eu tenho meu laboratório do IPT, né, que permite fazer ensaios de reologia em rocha salina, então aqui eu estou resolvendo os problemas das plataformas do Pré-sal, laminas d’água de 2000 metros, aqui eu estou resolvendo a travessia do sal, eu tenho os tanques do IPT que também foram todos remodelados e reconstruídos e temos o laboratório lá da USP, com calibrador hidrodinâmico, eu acho que vocês deveriam fazer essa, esse momento, essa história aqui, vocês deveriam visitar esses laboratórios, os nós da rede já estão construídos, são belíssimos, eu acho que tem que se fazer uma coisa positiva, sem extravagância porém deve se mostrar, não há necessidade de construir um prédio retangular ou uma caixa pintada de cal com janelinha azul, acho que tem que ser um prédio com arquitetura que, vamos dizer assim, que transpareça aquilo que está sendo feito ali dentro, né, e foi feito dentro do custo que foi previsto, todos eles, na Universidade Federal de Alagoas, né, eu fui muito criticado, por quê? Construir é um nó da rede Galileu lá, porque lá existem profissionais brilhantes, egressos da COP, da PUC que foram para lá, que nos ajudaram muito em momentos difíceis da Petrobrás na área de (ráisa), na área de fundações e ali naquela época eu decidi que nós tínhamos que ter um nó, e aquilo quando você chega na Universidade Federal de Alagoas, uma universidade comparada a uma UFRJ, uma USP, uma universidade pequena, né, até meio simples em termos laboratoriais e você chega lá e vê aquele prédio da rede Galileu, é belíssimo, né, aquilo dá uma emoção, uma satisfação muito grande para todos nós, então a rede Galileu, acho que ela já começa com o sucesso, né, porque ela já é fruto de um relacionamento de mais de 30 anos, nós podemos desenvolver projetos em todas as áreas da indústria, industria petrolífera, mas não só de petróleo e gás mas em qualquer industria, industria civil ou aeronáutica porque o que nós temos de potencial humano, o que nós temos de potencial de Hardware, potencial de simuladores e toda essa bagagem de mais de 30 anos, a gente pode fazer o que a gente quiser, eu costumo dizer nas reuniões se a gente quiser projetar uma viagem para Júpiter a gente consegue, né, quer dizer, eu acho que a rede Galileu ela chega num momento muito oportuno em que o Pré-sal está se discutindo o marco regulatório, está se discutindo se a Petrobrás tem tecnologia, eu posso garantir que tem, eu acho que Pré-sal tem suas dificuldades, tem seus desafios, né, vou deixar uma mensagem, na minha visão pessoal é o seguinte, hoje nós temos um nível de maturidade tecnológica para enfrentar o Pré-sal não só com a rede Galileu mas com todo trabalho que é desenvolvido na Petrobrás e todas as demais redes que foram criadas e toda esse portfólio de conhecimento que foi criado dentro do país, graças a essa iniciativa da Petrobrás, hoje nós temos uma maturidade tecnológica gigantesca, quando nós começamos a Bacia de Campos, nós não tínhamos a menor idéia de como nós íamos enfrentar 1000 metros de lâmina d’água, nós não conseguimos identificar a feições de riscos que existiam no piso marinho, nós confundíamos certos depósitos com outros fenômenos que não tinham nada a ver com aquilo, então hoje uma lâmina d’água de uns 2200 metros é um desafio no Pré-sal? É, mas não é nada que não seja o nosso dia-a-dia de resolver, né, temos problemas para serem resolvidos na parte de dutos, (ráisas)? Temos alguns problemas, mas já não é, já não estamos na casa do desconhecimento, é uma questão apenas de adaptação ou de ampliar aquilo que nós já construímos para o Pré-sal, vamos ter problemas no reservatório? É um reservatório diferente, nós estamos acostumados a produzir ________, vamos produzir agora em rocha calcária? É mais uma curva de aprendizado, naquela época nós nem sabíamos se nós conseguiríamos perfurar aqueles arenitos da Bacia de Campos com o arenito não consolidário, não sabíamos se íamos conseguir perfurar um poço horizontal que hoje todas as produções lá são feitas com poços horizontais, então eu acho que a nossa maturidade tecnológica para enfrentar para o Pré-sal é fantástica, quer dizer, eu digo o seguinte, eu acho que o Pré-sal ele vai se consolidar para empresa e vai ser um passeio no parque, não sei se todos concordam, mas se eu sou uma pessoa muito otimista, mas hoje eu vejo uma fundação, quer dizer, não se constrói um prédio sem uma boa fundação, eu acho que não se poderia construir um Pré-sal sem que a Petrobrás, ai vem o problema do destino, tivesse construído no teu passado, no seu passado, né, todo esse portfólio de conhecimento que ela construiu, com as empresas de engenharia, com as universidades, com o instituto de pesquisas brasileiras.
P/1 – A Petrobrás está chegando, só para a gente recuperar, você teve essa idéia da rede Galileu antes do Pré-sal?
R – Antes do Pré-sal não, na realidade a rede Galileu é como eu digo, no momento em que foram criadas as redes temáticas, nós já estávamos trabalhando no Pré-sal, mas a rede Galileu ela é bem ampla,quer dizer, ela não atende só o Pré-sal, ela atende o Pré-sal e a Bacia de Campos e todas as outras demais bacias, o óleo pós-sal ou o óleo pré-sal, quer dizer, e não só as áreas da IP, quando a gente faz uma apresentação da rede Galileu, na realidade como a gente trata de computação cientifica e visualização, né, voltadas para engenharia, nós podemos trabalhar em todas as áreas da indústria, né, desde da área de exploração até a área de transporte e venda do produto, quer dizer a gente, vamos dizer assim, é bem amplo o espectro das aplicações da rede de Galileu.
P/1 – As redes temáticas você diz que são mais recentes, você acompanha?
R – Não, quer dizer, na realidade tem algumas redes que eu acompanho, né, como a rede Arquimedes que na realidade é uma rede que está ligada, vamos dizer assim, um pouco ligada a rede Galileu, que é uma Arquimedes à parte, ai nosso grego na parte experimental, né, então é uma rede voltada mais para a parte elaboratorial, tem algumas redes ligadas a área de meio ambiente que também eu procuro acompanhar quando eu posso, né, mas hoje eu não tenho mais tempo, eu foco muito, tem uma rede também na área de oceanografia, também de dados oceanográficos que também surgiu lá na nossa gerencia, então hoje eu acompanho mais um pouco mais de longe, na Galileu não, eu continuo atuando ali no grupo de pessoas, na coordenação da rede.
P/1 – Só gostaria de tentar entender o PROCAP e o Pró-sal agora. Naquele ciclo, como que eles se relacionam, né?
R – Ta, eu não falei dos programas tecnológicos. É na realidade quando, como eu falei, no inicio da Bacia de Campos nosso desafio era projetar a plataforma para lâmina d’água de 80 metros, quando nós fomos para 1000 metros, né, surgiu a PROCAP 1000, né, que era coordenado pelo Marcos Assayagui que hoje é gerente geral de engenharia básica, então o PROCAP, quer dizer a Petrobras criou essa visão de programas tecnológicos, uma idéia muito interessante, muito bem colocada, né, pela administração da empresa que o programa ele tem por objetivo de, vamos dizer assim, de coordenar todos os projetos, né, e vamos dizer assim, ao mesmo tempo acompanhar e cobrar resultados e fornecer orçamentos de um determinado direcionador estratégico, então naquela época nós conseguimos vencer a lamina d’água de 1000 metros, criou-se então um programa tecnológico PROCAP 1000. Quando nós saímos de 1000 metros e fomos, por exemplo, para 1800 metros como é o caso do Campo de Roncador, e alguns campos de Marlim Sul, surgiu PROCAP 2000, que era para 2000 metros de lamina d’água e depois mais em seguida surgiu o PROCAP 3000 porque nós estamos entrando já em lamina d’água superiores a 2000, de 2000 a 3000, logicamente que cada um desses programas tecnológicos ele cria um portfólio de projetos direcionados pra aquela lamina d’água, mas de qualquer maneira ele, vamos dizer assim, ele trata todos os projetos que vinham sendo desenvolvidos num PROCAP anterior, então PROCAP 2000 na realidade não coordenava só os projetos para a lamina d’água superiores a 2000, ele coordenava também os projetos que eram, vamos dizer assim, remanescentes do PRECAP 1000 que ainda continuava, da mesma maneira o 3000 por 2000 e para o 1000 né.
P/1 – Mas os seus projetos entravam na.
R – Entravam em todos esses projetos de PROCAP. Aí recentemente com esse problema do Pré-sal não só ligados a área de rochas, criou-se então o pró-sal que tem esse mesmo objetivo, né, de resolver projetos voltados para mais para o pró-sal em si. Dentre eles existem projetos ligados a ______ para os demais projetos.
P/1 – E a relação, como é que eles vão poder se relacionar com essas redes temáticas?
R – Na realidade as redes temáticas elas estão disponíveis, quer dizer.
P/1 – Para qualquer um desses projetos?
R – Existe um comitê técnico operacional, um comitê técnico estratégico dentro de estrutura de gestão tecnológica da Petrobras em que ela administra, vamos dizer assim, os projetos de desenvolvimento e pesquisa da empresa, né, temos uma reunião anual em que nós fazemos uma avaliação desses projetos, e em função do desempenho desses projetos toma-se então a decisão de continuar o projeto ou de ampliar ou de aumentar o seu orçamento, ou diversificar, ou mudar as universidades com os quais elas estão ligadas e tal, e todos os programas tecnológicos na realidade tem acesso do resultado de todas as redes, então eu posso ter dentro de um programa tecnológicos projetos dentro da carteira de projetos do (Cempes), né, que vai utilizar então verba do orçamento (Cempes), e eu posso elencar ali alguns projetos que vão trabalhar dentro da rede, e ai estaríamos usando verbas de participação especial, mas todas as redes estão disponíveis, vamos dizer assim, aos programas tecnológicos, né.
P/1 – Como investimento que a Petrobras faz em pesquisa e desenvolvimento. Você acha que ela, enfim, queria que você falasse um pouco disso, se ela não faz vergonha a nenhuma grande empresa?
R – Com certeza não. A Petrobras eu acho que, eu diria que hoje pouquíssimas empresas de petróleo investem tanto em desenvolvimento, em pesquisa, em tecnologia como a Petrobras. Dificilmente você vai encontrar no mundo uma empresa de petróleo, seja ela uma ______ , uma Shell, uma Exxo, que tenha esse, vamos dizer assim, essa característica de investir tanto em tecnologia. Isso é uma necessidade, né, na realidade as pessoas procuram soluções quando elas não existem, se quando nós entramos na Bacia de Campos em águas profundas, por exemplo, ou quando nós começamos lá atrás na indústria existissem as soluções para todas as nossas dificuldades, provavelmente nós não teríamos nenhum centro de pesquisas, né, mas alguém foi muito sábio naquela época, o criador foi aquele Leopoldo Miguez de Mello, veio a ser pai de um professor meu, do fundão Flavio Miguez de Mello, ele era diretor da, que teve a visão brilhante de criar um centro de pesquisa e de, vamos dizer assim, em sedimentar conhecimento noutro pais, um pais que, vamos dizer assim, não tem o seu próprio conhecimento, sua própria tecnologia ele não é soberano, então a soberania de um pais não repousa só sobre sua capacidade de destruir os outros, mas a soberania de um pais repousa sobre sua capacidade de transformar conhecimentos, gerar conhecimentos, gerar ciência em bens e produtos de alto valor agregado, isso é que traz a soberania e riqueza de um pais. Eu acho que a Petrobras sem duvida nenhuma é a grande alavanca desse país, em termos de tecnologia, em termos de ciência, então ela não deve nada a nenhuma outra empresa, ao contrário eu acho que a Petrobras sempre surpreende a nível mundial quando nós recebemos visitas, quando nós recebemos pesquisadores de outros países, diferentes áreas não só ligada a, quando chegam aqui e encontram em meio a um deserto no meio de tanta dificuldade que ainda existe no país, sim encontra algo, né, com tanto sucesso que está produzindo tanto resultado para o país, né.
P/1–Só pra gente também ir fechando, o que você acha que o próprio Pré-sal pode representar para a Petrobras e para o país, eu acho até dentro do que a gente comentou, não só esse lado mais economicamente até pra esse lado de pesquisas e desenvolvimento mesmo?
R – O Pré-sal se tudo der certo, se todas as nossas estimativas _______ estiverem corretas, vão ser grandes reservas de óleo que vai do Norte ao Sul do país, então realmente o pais vai ficar em nível de potencial energético gigantesco comparado aos países, vamos dizer assim entre aspas, que nós chamamos de mundo ocidental, tirando logicamente lá o mundo Árabe e tal, então o Pré-sal vai ter uma importância fundamental para o desenvolvimento econômico do pais, é importante o resultado de toda essa energia ela seja utilizada em favor do povo, quer dizer, em favor da população, nós temos que criar mecanismos em que a gente possa compartilhar o resultado do Pré-sal, como foi feito no mar do Norte, em vários países, com a população, coma a sociedade, a gente não pode concentrar essa riqueza somente um grupo, né, de empresário, nós temos de compartilhar essa riqueza por que? Para o país se desenvolver, então o Pré-sal nesse aspecto energético vai dar um salto no potencial energético do país sem duvida nenhuma. Traz novos desafios, como eu falei, nós já temos uma maturidade grande, mas ela está abrindo, criando um novo fôlego pras universidades, pros centros de pesquisas, pros institutos de pesquisas, pras empresas de engenharia, então ela está criando um fôlego enorme, né, continuidade da Bacia de Campos, da Bacia do Espírito Santo e outras bacias do pais, porem ele abre um leque novo de oportunidades, né, em termos científicos e desenvolvimento nós estamos prontos para enfrentar o Pré-sal com grande maturidade, as verbas de participação especial, conseqüência direto do nosso nível de produção vão aumentar, então eu acho que o Pré-sal pode ser a grande oportunidade para o pais se transformar num dos G8, mas não político, mas com real potencial de estar naquela posição, temos muitos problemas sociais, mas se o governo souber compartilhar o resultado do Pré-sal pela sociedade, a gente pode rapidamente resolver uma série de problemas que hoje nós temos no país e chegar a um estado, a uma condição muito favorável a nível mundial, né.
P/1 – A Petrobras pela sua fala, chega muito mais madura e muito mais base para enfrentar um desafio que foi na Bacia de Campos?
R – Com certeza, como eu digo Pré-sal nós vamos ter dificuldades, vão, mas vai ser um passeio no parque, se nós compararmos ao que nós tínhamos que enfrentar na Bacia de Campos.
P/1 – Queria que você selecionasse uma história ligada a sua trajetória, você já me contou até das estacas. Mas alguma outra história que tenha ficado marcante para você, não é preciso ser necessariamente em cima de algum. Eu deixo aberto para você.
R – História em relação a que?
P/1 – dão que você, alguma que tenha te marcado na sua trajetória aqui na Petrobras:
R – Na Petrobras eu acho que tudo me marcou muito, eu sou muito ligado aquilo que eu faço, ao meu dia-a-dia, mas eu acho que o que mais me marcou na Petrobras é conseguir trabalhar num ambiente que tem muita gente competente, né. E todos os projetos que eu trabalhei me deram muita satisfação, talvez o mais recente tenha sido o sucesso do poço exploratório TUPI e que eu trabalhei diretamente com a minha equipe, né, no projeto poço na travessia do sal, então acho que talvez tenha sido a gente ter trabalhado num projeto, daqui a pouco você chega naquela reserva, abre a televisão e liga a televisão, poço TUPI a maior descoberta de petróleo nas últimas décadas no mundo e você ter participado, é um modelo constante da Petrobras, né, então junto com a minha família, meus filhos foi um momento muito emocionante para mim, com certeza marcou e vai ficar marcada a minha vida inteira, então o poço TUPI tem uma ligação muito intima comigo e com a minha família.
P/1 – Só para não perder você tinha me falado da sua equipe que é muito nova e que você está tentando passar um pouco. Isso é uma prática da Petrobras também, é incentivada?
R – Eu acredito que sim, eu acho que sim, é o normal. Nós tivemos um problema grave, como nós ficamos muitos anos sem contratações, sem concursos, né, nós ficamos com um (gape) aí cerca de 12 a 14 anos sem contratar então existe uma carência de pessoas entre 30 e 40 anos de idade, né, que são aquelas pessoas, tem os idosos como eu assim, se é que posso dizer isso, né, tem a garotada nova que está chegando aí entre 25 e 30 anos e a gente sente uma carência daquele pessoal que já está um profissional maduro de seus 40 anos de idade e que ainda está indo ao campo, que ainda está enfrentando as atividades operacionais, então existe uma dificuldade da gente realmente passar esse conhecimento, quer dizer, a Petrobras ela acordou pra isso. E hoje nós temos uma universidade Petrobras, não sei se vocês já tiveram a oportunidade de ter ido à universidade Petrobras.
P/1 – Você estava falando da sua relação com toda sua equipe, enfim se é uma prática?
R – Tem sido uma prática constante na Petrobras de passar o conhecimento para os mais novos, mas como eu disse antes existe aí uma lacuna desses profissionais, esse (gape) na faixa de 35, 40 anos, né, e a Petrobras acordou pra isso e ela sabe que ela tem que se apressar a passar esse conhecimento antes que pessoas que como eu e outros profissionais comecem se aposentar, né, isso na realidade a empresa, eu costumo dizer o seguinte a empresa são as pessoas que nela trabalham, né, não existe uma Petrobras, existe um grupo de pessoas que se denominam Petrobras, então a Petrobras será aquilo que essas pessoas, vamos dizer assim, construírem a Petrobras, se você construir uma boa Petrobras ela será uma excelente empresa, se você não fizer dessa maneira ela não será dessa maneira, até hoje a nossa história é uma empresa de sucesso, então acho que o mais importante e que eu costumo passar para as pessoas com quem eu trabalho é que nós temos que encarar a Petrobras não só como emprego, mas como lição de vida, e isso é muito difícil hoje em dia, ta, mas eu tenho observado que a garotada nova tem vestido a camisa, ela está absorvendo esse conceito de missão, né, é quase que uma instituição épica, é como se fosse uma grande cruzada, eu falo isso, ás vezes as pessoas até começam a rir, mas a maneira como a gente pode encarar uma empresa como a Petrobras em meio a tantos problemas sociais que existe no pais, né, nós temos que encarar como se fosse uma grande cruzada de vida, aquilo que a gente luta, que tem como missão, que a gente tem que encarar como missão de vida, como parte da família, né, e eu acho que isso que os mais idosos, os profissionais mais antigos, além do conhecimento devem transmitir para os mais novos.
P/1 – Muito bom. Douglas eu vou encerrando você quer fazer alguma pergunta? Gostaria que você tanto trabalho, o que você faz nas suas horas de lazer, como é que você preenche?
R – Eu estudo.
P/1 – Estuda, continua estudando.
R – Continuo estudando, dou muita, podem pensar, mas eu dou muita atenção a minha família, a minha mulher, os meus filhos. Eu dedico muito tempo à minha família, uns pensam que não, mas eu dedico muito tempo à minha família, eu não perco tempo com coisas inúteis, mas aquilo que eu considero útil eu dedico muito tempo, a minha família é muito útil.
P/1 – Diga o nome de sua esposa?
R – minha esposa é Telma Maia da Costa. Sou casado há 32 anos.
P/1- É uma Maia da Costa.
R – É uma Maia da Costa. Tenho uma filha com 23 anos, vai fazer 24 na os agora, a Julia Costa, Julia Vassalo Maia da Costa.
P/1- O que a Julia faz?
R – A Julia é economista e meu filho Pedro é administrador de empresas, está se formando agora pela PUC, não seguiram engenharia, mas estão trabalhando em áreas bem interessantes, de uma maneira ou de outra ligada à atividade tecnológica e de economia, né?
P/1 – Você já tem algum netinho ou não?
R – não, não. Ela tem 24 anos ela é solteira e meu filho é solteiro também, vai fazer 22 nos agora.
P/1 – Ainda estão muito novos, né?
R – Muito novos.
P/1 – Enfim a gente termina também, não sei se você gostaria de deixar algo mais registrado, que a gente não tenha conversado.
R – Eu acho que eu já falei o suficiente, eu acho que talvez a mensagem final é que os profissionais da Petrobras, aquilo que eu já disse, né, devem na minha opinião, nós devemos passar para os mais novos, que vão continuar essa empresa é esse trabalho missionário de olhar a Petrobras como uma grande luz em meio a tanta escuridão que ainda existe no nosso pais, então a gente tem por obrigação moral, ética de olhar a Petrobras como uma alavanca, né, tem que colocar o Arquimedes de um lado e usar aquela alavanca para realmente levantar o país, então esse trabalho de missão de vida ela tem que ser passada para os mais novos. É o que eu digo a empresa ele é aquilo que as pessoas, do modo como as pessoas a construíram, não existe uma empresa, existe um grupo de pessoas que construíram algo que se denomina Petrobras, que é orgulho nacional, que é orgulho no mundo todo.
P1 – Álvaro está certo. A gente sempre termina perguntando sua opinião a respeita do projeto Memória, dessa iniciativa da Petrobras?
R – Eu acho interessantíssimo, eu acho, eu não sabia, eu desconhecia os detalhes, eu ouvia falar, mas eu fiquei feliz em ter podido dar minha contribuição, um país é a história que ela construiu e o nosso país, nós não damos muito valor a isso, quer dizer, na realidade eu se um dia eu fosse um Presidente da Republica eu teria muita vontade de conhecer muito profundamente, contrataria um professor de história para conhecer qual foi à história do país, porque que o país chegou no estado atual? Quais foram os fatores motivadores dos seus sucessos e dos seus insucessos? Então o presente é a soma e o resultado do passado histórico de um país, então esse projeto Memória, eu acredito que os mais novos possam ouvir os mais antigos.
PALAVRAS EM DÚVIDA:
(Silvinita)
(Charlies Ferreti)
(enveck)
(Gape)
(Fortran)
(cornauled)
(Cope)
(alita)
(IPESSP)
(Micrope)
(Cempe)
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