O Natal na chácara da minha avó materna, vó Maria, começava alguns dias antes, a árvore enorme que ia até o teto, os enfeites de vidro, as velas coloridas, os enfeites de chocolate comprados na Kopenhagen, corações, bolas, envoltos em papel laminado, colorido...A noite se acendiam as velas, até hoje consigo sentir o cheiro do pinheiro chamuscado pelas velas. Era uma árvore mágica. Na cozinha, a alquimia das castanhas portuguesas, assadas, o peru, as farofas, uma fartura deliciosa de comida feita com carinho.E os doces? Tinha sorvete de nêspera, pudim de leite, manjar. E as passas em rama, as nozes, as amêndoas. A tarde do dia 24, minha mãe e minha avó se trancavam no quarto, de fora ouvíamos sussuros, risadas, o papel celofane, os laços...Ao mesmo tempo, depois da ceia, íamos deitar, para a chegada misteriosa do Papai Noel, no meio da noite, pela chaminé da lareira de pedra. Na sala, a única testemunha era a árvore gigante, que encostava no teto.
A ceia tinha seu ritual, cada criança ganhava, na sobremesa, um porquinho de marzipan que levávamos dias comendo, cortando fatias bem pequenas. Na manhã do dia 25, corríamos até a árvore para encontrar nossos presentes, dos nossos pais, das avós, dos tios, que eram embalados atrás da porta trancada do quarto ou trazidos pelo Papai Noel. Era tudo muito mágico e hoje, quando chega o Natal, sinto uma saudade boa da minha avó, da minha mãe, meus tios, meu pai, daquela árvore de Natal com as velas acesas, do cheiro da resina do pinheiro,do porquinho de marzipan.