Minha história da Noite do Natal começa em minha infância na cidade de Araxá, no Triângulo Mineiro, onde nasci. Era uma noite especial na casa de meus avós maternos. A gente dormia mais cedo para que o tal do Papai Noel deixasse algum presente! E ele sempre deixava.
Mas, com o tempo a gente vai crescendo e o verdadeiro Papai Noel se transforma em um conto de fadas. Daquela imagem do velhinho de cabeça e barba brancas, no traje, gorro e saco vermelho nas costas, a gente nem mais recorda que tem de dormir cedo.
E a Noite do Natal começa a ter um novo significado. Chega a Missa do Galo na matriz da Igreja de São Domingos do Araxá e o padre celebrante anuncia que "nasceu Jesus, nosso Salvador!", apontando para o Menino Jesus que está na manjedoura do presépio com sua mãe, Maria Santíssima e seu pai, São José. Olhando mais de perto, a gente vê uns animaizinhos como ovelhas, burrinho e uma vaquinha, ilustrando o local de uma pobre estalagem.
O tempo continua passando e nos dias atuais vejo tudo isso com saudade e emoção. Na convivência fraterna com meus familiares e amigos, a Noite do Natal chega com um verdadeiro chamado à reflexão.
Há um outro sentido daquele momento: ao lado de presentes e da noite de alegria e felicidades, a gente procura no Pai Nosso resgatar a lembrança daqueles que não tiveram a oportunidade de ali estar. O silêncio se faz e parece soar no ar: "Paz na terra aos homens de boa vontade!" (Lucas, 2, 14)