Em 2018 meu primo ficou muito mal, passou por varias upas e alguns hospitais e apenas só faziam medicamentos para dor, assim ele voltava pra casa e se queixava novamente das dores. Quando ele de tanto passar mal, emagrecer e ter vários dias de febre, um médico pediu exames de testes rápidos, pois apareceram manchas em todo o corpo dele. No diagnóstico dos testes deu positivo para HIV e sífilis. Mas o estado dele era delicado. No outro dia, pediram a transferência dele para o hospital de referência em HIV/aids. Nesse hospitais ele teve um melhor atendimento e luta pela sua saúde que era delicado. Além do HIV ele estava com aids, pois as manchas era também do Sarcoma de Kaposi. La ele fez iniciou a terapia antirretroviral e a quimioterapia. Com o.passar dos dias de luta ele melhorou, e isso foi despertando meu interesse na luta contra o HIV, eu estava cursando farmácia na faculdade e começava a entender sobre os os antirretrovirais. Diante daquele problema me perguntava porque as pessoas têm vergonha de buscar seu tratamento para uma doença tão agressiva e desumana. Com o passar dos dias meu primo melhorou e começou a falar, na primeira oportunidade eu perguntei a ele: como ele recebia os medicamentos e se ele fazia o tratamento dele corretamente? (Ali a gente não sabia que ele sabia do seu diagnóstico, mas não tomava a medicação corretamente). Foi quando ele falou que so ia buscar os medicamentos e ninguém olhava ou falava com ele no serviço de saúde, então ele se sentia um nada, dando prejuízo pra todos e sendo um incômodo para o serviço de saúde, pois os profissionais nem falavam nada pra ele, principalmente na farmácia quando ia buscar sua medicação. E nunca tinha ouvido falar que tinha farmacêutico na farmácia da unidade. Isso mexeu ainda mais comigo, eu fui atrás de aprofundar sobre o tema, fazer cursos e congressos relacionados a HIV/aids. Foi quando eu conheci um médico Infectologista, que trabalhava no SAE onde meu...
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Em 2018 meu primo ficou muito mal, passou por varias upas e alguns hospitais e apenas só faziam medicamentos para dor, assim ele voltava pra casa e se queixava novamente das dores. Quando ele de tanto passar mal, emagrecer e ter vários dias de febre, um médico pediu exames de testes rápidos, pois apareceram manchas em todo o corpo dele. No diagnóstico dos testes deu positivo para HIV e sífilis. Mas o estado dele era delicado. No outro dia, pediram a transferência dele para o hospital de referência em HIV/aids. Nesse hospitais ele teve um melhor atendimento e luta pela sua saúde que era delicado. Além do HIV ele estava com aids, pois as manchas era também do Sarcoma de Kaposi. La ele fez iniciou a terapia antirretroviral e a quimioterapia. Com o.passar dos dias de luta ele melhorou, e isso foi despertando meu interesse na luta contra o HIV, eu estava cursando farmácia na faculdade e começava a entender sobre os os antirretrovirais. Diante daquele problema me perguntava porque as pessoas têm vergonha de buscar seu tratamento para uma doença tão agressiva e desumana. Com o passar dos dias meu primo melhorou e começou a falar, na primeira oportunidade eu perguntei a ele: como ele recebia os medicamentos e se ele fazia o tratamento dele corretamente? (Ali a gente não sabia que ele sabia do seu diagnóstico, mas não tomava a medicação corretamente). Foi quando ele falou que so ia buscar os medicamentos e ninguém olhava ou falava com ele no serviço de saúde, então ele se sentia um nada, dando prejuízo pra todos e sendo um incômodo para o serviço de saúde, pois os profissionais nem falavam nada pra ele, principalmente na farmácia quando ia buscar sua medicação. E nunca tinha ouvido falar que tinha farmacêutico na farmácia da unidade. Isso mexeu ainda mais comigo, eu fui atrás de aprofundar sobre o tema, fazer cursos e congressos relacionados a HIV/aids. Foi quando eu conheci um médico Infectologista, que trabalhava no SAE onde meu primo fazia deu tratamento. No decorrer do ano, meu primo teve uma melhora e saiu do hospital, passou 2 meses em casa, mas infelizmente ele teve que voltar para o hospital, ele voltou a ficar ruim e dessa vez ele não resistiu a uma doença que é tão discriminada, mas que tem um tratamento eficaz. Pude entender que não era o bastante ter o tratamento se a forma que entragava as medicações era precária. Foi ai que resolvi falar com o médico Infectologista e pedi se ele poderia me levar para conhecer a unidade e ate ajudar de alguma forma. Pois estava interessado em fazer meu TCC sobre HIV. Mas era na época da pandemia, eu estava trabalhando no hospital de Campanha contra a COVID-19, cursando os últimos semestres e ainda fazendo estágio. Como as aulas era online e eu morava prox do SAE o médico me chamou para ir um dia lá, ele viu que sabia do tema e no atendimento dele com os pacientes pude ajudar ele com os pacientes. Me disse que era pra continuar com o tema e a luta pois eu tinha um propósito bom com os pacientes. Mas que o SAE nao tinha farmacêutico pelo período da manhã, então nao tinha como ficar na farmácia. Mesmos assim continuei indo com ele nos atendimento deles todas as quartas feiras. Aprendi bastante inclusive de como atender humanizado. Depois com o tempo eu defendi meu TCC (tema: como a assistência Farmacêutica pode ajudar a melhorar o tratamento das pessoas vivendo com HIV no SAE de Belém do Pará). Me inscrevi depois de formado no programa de capacitação do hospital que meu primo ficou internado e passei. Então eu ia pro SAE de manhã, pro hospital de tarde e onde trabalhava de noite. Foi ai. Que esse mesmo médico que me deu a oportunidade assumiu a gerência do SAE onde ele trabalhava e me chamou para trabalhar lá. Onde estou até hj, desde 2021. Já conseguir mudar muita coisa na unidade, sou referência em Belém quando se fala em farmácia com os antirretrovirais no município de Belém. Estou cursando o mestrado com o tema: consulta farmacêutica e assistência Farmacêutica aos pacientes com HIV/aids. São desafios e aprendizados novos todos os dias. Mais sinto que se não fosse uma perda na minha família eu não ia ser feliz em ajudar outras que passaram o que passamos.
Me chamo Idelvan Junior. Farmacêutico do SAE CASA DIA de Belém do Pará e também da coordenação municipal de Belém. Estou no processo descentralização do tratamento para outros municípios e alguns bairros de Belém. Essa é a minha história e luta contra o HIV. Obrigado.
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