Projeto Memória Petrobras
Depoimento de Manoel Oliveira Souza
Entrevistado por Douglas Tomás e Sérgio Retroz
Rio de Janeiro, 23/10/2008.
Realização: Museu da Pessoa
Entrevista: PETRO_HV114
Transcrito por Ana Paula Severiano
P/1 - Qual o seu nome, local e data de nascimento?
R - Manoel Oliveira Souza. 7 de fevereiro de 1937. Nasci numa cidade chamada Serrinha, no estado da Bahia.
P/1 – Ah, Serrinha. Como era essa cidade? Cidade grande, pequena?
R - Média, médio porte. Hoje é uma grande cidade, né? Mas na época que eu nasci, não era.
P/1 - E os seus pais eram de lá?
R - Sim, todos de lá.
P/1 - E os avós?
R - Também.
P/1 - Qual o nome dos seus pais?
R - Sebastião Oliveira da Silva e Ana de Souza Campos Silva.
P/1 - E eles se conheceram ali mesmo naquela cidade?
R - Naquela cidade.
P/1 - Você tinha irmãos?
R - Tinha sete irmãos.
P/1 - Sete irmãos. E você é o que? O do meio? O segundo? O terceiro?
R - O segundo.
P/1 - O segundo irmão?
R - O segundo irmão.
P/1 - E como era a infância de vocês? Vocês brincavam muito?
R - E como! Eu nasci numa fazenda. Uma fazenda grande, enorme, uma baita de uma fazenda. Meu pai criava gado e produzia coisas. E a gente se divertia a valer, né?
P/1 - Na fazenda morava quem? Seus pais e quem mais?
R - Meus pais e a gente.
P/1 - O que tinha na fazenda que te interessava?
R - Oh, rapaz, tinha tudo. Criava carneiro, até ema criava lá na fazenda. A gente se divertia lá na fazenda.
P/1 - E seus avós moravam também ali na fazenda?
R - Não, era numa fazenda perto. Numa outra fazenda.
P/1 - Dos seus avós com quem você tinha mais contato?
R - Olha, tinha muito pouco.
P/1 - Mais com seus pais, mesmo. Na fazenda eram só vocês de criança, vocês sete, ou tinha outros?
R - Não, só a gente mesmo.
P/1 - De brincadeira o que vocês faziam?
R - Tudo! A gente inventava brincadeira.
P/1 - O senhor lembra de alguma brincadeira que vocês gostavam mais?
R - A brincadeira que a...
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Depoimento de Manoel Oliveira Souza
Entrevistado por Douglas Tomás e Sérgio Retroz
Rio de Janeiro, 23/10/2008.
Realização: Museu da Pessoa
Entrevista: PETRO_HV114
Transcrito por Ana Paula Severiano
P/1 - Qual o seu nome, local e data de nascimento?
R - Manoel Oliveira Souza. 7 de fevereiro de 1937. Nasci numa cidade chamada Serrinha, no estado da Bahia.
P/1 – Ah, Serrinha. Como era essa cidade? Cidade grande, pequena?
R - Média, médio porte. Hoje é uma grande cidade, né? Mas na época que eu nasci, não era.
P/1 - E os seus pais eram de lá?
R - Sim, todos de lá.
P/1 - E os avós?
R - Também.
P/1 - Qual o nome dos seus pais?
R - Sebastião Oliveira da Silva e Ana de Souza Campos Silva.
P/1 - E eles se conheceram ali mesmo naquela cidade?
R - Naquela cidade.
P/1 - Você tinha irmãos?
R - Tinha sete irmãos.
P/1 - Sete irmãos. E você é o que? O do meio? O segundo? O terceiro?
R - O segundo.
P/1 - O segundo irmão?
R - O segundo irmão.
P/1 - E como era a infância de vocês? Vocês brincavam muito?
R - E como! Eu nasci numa fazenda. Uma fazenda grande, enorme, uma baita de uma fazenda. Meu pai criava gado e produzia coisas. E a gente se divertia a valer, né?
P/1 - Na fazenda morava quem? Seus pais e quem mais?
R - Meus pais e a gente.
P/1 - O que tinha na fazenda que te interessava?
R - Oh, rapaz, tinha tudo. Criava carneiro, até ema criava lá na fazenda. A gente se divertia lá na fazenda.
P/1 - E seus avós moravam também ali na fazenda?
R - Não, era numa fazenda perto. Numa outra fazenda.
P/1 - Dos seus avós com quem você tinha mais contato?
R - Olha, tinha muito pouco.
P/1 - Mais com seus pais, mesmo. Na fazenda eram só vocês de criança, vocês sete, ou tinha outros?
R - Não, só a gente mesmo.
P/1 - De brincadeira o que vocês faziam?
R - Tudo! A gente inventava brincadeira.
P/1 - O senhor lembra de alguma brincadeira que vocês gostavam mais?
R - A brincadeira que a gente gostava mais era um... Tinha tipo um lago e tinha uma árvore perto. A gente subia na árvore e pulava dentro da água. A gente fez um trampolim, né? Era a brincadeira primeira que a gente fazia.
P/1 - E escola como é que você fez, se você morava na fazenda?
R - Ah, mas era perto da cidade. A gente ia pra cidade, pra escola na cidade.
P/1 - E como foi quando você foi pra cidade? Você lembra da cidade, do seu contato? Você não ia sempre pra cidade. Ou ia?
R - Não, todo dia ia pra escola.
P/1 - Você lembra do começo da escola? Da impressão que você teve? Sair da fazenda e encontrar um grupo maior.
R - Não lembro quase nada.
P/1 - Algum professor que te marcou, não?
R - Teve uma professora que depois de adulto eu conhecia ela ainda, nem me lembro mais o nome dela.
P/1 - E a escola como era? Muitas crianças?
R - Era normal. Tinha umas 25, 30 crianças.
P/1 - Era todo mundo junto? Como é que era? Se dividia em turmas?
R - Todo mundo junto. Todo mundo a mesma coisa.
P/1 - E brincadeira ali como é que era? Tinha tempo para brincadeira na escola?
R - Quase nada.
P/1 - Era muito rígido? Como era a educação?
R - Não, normal.
P/1 - Como era então o seu dia? Você ia pra escola... Descreve um pouco um dia seu.
R - Ia pra escola de manhã, voltava meio-dia e à tarde ficava à toa, ficava brincando na fazenda.
P/1 - Do que você gostava de fazer mais naquele período? Tinha outra brincadeira que você lembra?
R - Tinha várias brincadeiras. Não me lembro muito assim, não.
P/2 - O senhor andava a cavalo, seu Manoel?
R - Olha, meus irmãos andavam muito. Eu não era muito chegado, não.
P/2 - Por que o senhor não andava?
R - Eu tinha um medo dos diabos, rapaz. De levar um tombo, né?
P/2 - E essa criação de ema que o senhor falou que a fazenda do senhor tinha? Como é que é criar ema? Tem alguma coisa de diferente?
R - Não, rapaz. Era divertido quando ela tinha o filhote. Que a gente ficava provocando ela pra ela correr atrás da gente. A gente pulava assim e ela ficava lá... A gente se divertia muito com elas.
P/2 - E dá pra subir, dá pra andar na ema?
R - Não. É selvagem, rapaz! Não podia nem chegar perto. Se estivesse com o filhote então.
P/2 - O senhor gostava de bicho ou não? Como é que era?
R - Gostava. Lá se criava tudo.
P/2 – O que se criava lá?
R - Tinha carneiro, cabra. Tinha boi. Tinha tudo. Era uma fazenda mesmo.
P/2 - O seu pai trabalhava na fazenda?
R - Meu pai era juiz de paz e tinha a fazenda, que ele cuidava, botava o pessoal lá pra trabalhar.
P/2 - Juiz de paz... O que é que fazia um juiz de paz?
R - Olha, rapaz, fazia a paz mesmo, porque a briga por terra lá era uma coisa louca. E ele é quem ajeitava a coisa: “não, tira sua cerca daqui, daqui até aqui é dele.” E ele fazia tudo isso.
P/2 - O senhor lembra de um caso da época que o seu pai resolveu ou não resolveu?
R - Não, não me lembro, não.
P/1 - Muita gente devia bater, então, na porta do seu pai.
R - E como! Se sentia prejudicado, corria pra lá. Ele resolvia o assunto.
P/1 - Seus irmãos todos ficaram por ali? Como é que foi?
R - É, até uma média de servir o Exército, a Marinha todo mundo foi saindo fora.
P/1 - Tem algum irmão que você se espelhava mais, conversava mais com ele?
R - Tinha o... Morreu agora há pouco. Há pouco não, tem uns 10 anos.
P/1 - Qual o nome dele?
R - Antônio. Antônio Oliveira, era morador igual a mim.
P/1 - Ele era mais velho que você?
R - Mais novo.
P/1 - Então, você cuidava dele?
R - É, de certa forma.
P/1 - Tinha dessa coisa de o irmão mais velho cuidar do mais novo? Como é que era?
R - Não.
P/1 - Todos vocês estudavam na mesma escola? Todos os irmãos?
R - Na mesma escola.
P/1 - Tinha briga? Vocês brigavam muito entre vocês?
R - Não. Não me lembro de nenhuma briga. Era uma harmonia total.
P/1 - Tem alguma lembrança que você tenha dos seus irmãos? Alguma coisa que vocês viveram juntos?
R - Algumas aventuras na fazenda? Ah, tinha muita. Aventura tinha, não faltava.
P/1 - Tinha histórias que contavam pra assustar assim da fazenda? Você lembra de alguma historinha?
R - Não. Isso não.
P/1 - Então, como é que foi? Você passou a infância lá até que idade?
R - Eu fiquei até 18 anos, quando fui servir o Exército, fui me alistar. Aliás, a história é até engraçada. Meu pai, como tinha influência na política, essa coisa, quando eu fui me alistar arranjaram uma coisa pra eu não servir. Aí arranjaram uma carta e eu fui levar a carta. Quando eu fui entregar a carta pra ser dispensado, caiu na mão de um cara que não gostava do cara que fez a carta. Rapaz, aí ele disse: “Vou te mandar pra fronteira”. Aí eu voltei correndo, digo: “Porra, o que é que eu faço?” “A única maneira é você correr pra Marinha. Não tem jeito.” Aí eu corri pra Marinha e fiquei três anos e três meses servindo, rapaz. Por causa dessa carta.
P/2 - Você serviu onde?
R - Aqui no corpo ______. Na Embrascop, aqui no Rio.
P/2 - Foi a primeira vez que o senhor saiu da sua cidade?
R - Foi. Quer dizer, me alistei lá e vim servir aqui no Rio.
P/1 - E como foi chegar aqui no Rio?
R - Ah, tranqüilo. Eu cheguei já dentro do quartel e ali fiquei até sair.
P/1 - Você dormia onde aqui? No quartel?
R - No quartel.
P/1 - E como era ali? Você divida? Era tudo num quarto só?
R - Não, era tudo num alojamento, como eles chamam. Todo mundo junto. Ficava uma média de 30 pessoas dentro do alojamento. Cada companhia tinha um alojamento.
P/1 - E era gente de vários lugares?
R - Vários lugares.
P/1 - E você gostou dessa história de vir pra cá pro Rio com 18 anos?
R - Não gostei da Marinha, né? Servir é um saco.
P/2 - Por que é um saco?
R - Ué, regime militar ninguém agüenta, né? Você ficar três anos e três meses... Eu fiquei três anos, você tem que, é obrigatório. Eu fiquei três meses pra conseguir sair, não queriam deixar eu sair.
P/2 - Mas por que o senhor ficou tanto tempo assim? Naquela época, ficava de serviço quantos anos?
R - Três anos.
P/2 - Três anos. Por que não queriam deixar o senhor sair?
R - Sei lá, gostaram de mim no trabalho, na coisa e não queriam deixar eu sair. Eu digo: “Eu quero sair.” “Não, pensa direito, pensa direito.” E o tempo vai passando. Depois de três meses, eu digo: “Eu vou. E eu vou desertar”. Aí me deram a dispensa.
P/2 - E o senhor fazia o que lá na Marinha?
R - Na Marinha, você faz tudo. Dá guarda aqui, você vai ali. É uma doideira.
P/2 - O senhor lembra de algum caso que aconteceu? Alguma coisa dessa época, servindo?
R - Lembro.
P/2 - Conta pra gente.
R - O quebra-quebra... Aquele que teve, um quebra-quebra em Niterói, o aumento das barcas. Nós chegamos com um jipão assim, pra não ter o quebra-quebra, né? Só foi parar o jipão, eles viraram, tocaram fogo e a gente saiu correndo. Correu todo mundo, não ficou ninguém. Entramos numa balsa e fomos embora.
P/2 - Ah, vocês foram pra lá de balsa...
R - A gente foi pra lá de jipão pra não ter o quebra-quebra que eles iam fazer.
P/2 - Ah, aqui no Rio. Não lá em Niterói, né?
R - Niterói.
P/2 - Mas como é que você passou pra lá de jipe? Não tinha...
R - Não, você ia com a balsa e bem distante da balsa você saltava, pegava o jipão e ia pra lá. Foi chegar, eles viraram o jipão e tocaram fogo.
P/2 - E o senhor tava lá?
R - Eu tava ali no meio. “O que é que a gente faz?” “É correr. Vamos correr, senão eles vão matar” Tinha milhares de gente, rapaz, com pau, com pedra, com o diabo. Quando a gente saiu, não demorou 10 minutos, quebraram a estação todinha da Barra?. Até coluna de cimento quebraram.
P/2 - E vocês voltaram.
R - Ô! Na hora! Essa foi pesada, viu?
P/1 - Tem outras histórias assim?
R - Não, só lembro dessa. O resto é...
P/1 - E como é que era um monte de homem junto? Se falava de que?
R - Rapaz, nem dava pra falar. Ficava ali o dia e tal, fazia. Tomava café, almoçava e chegava a hora de sair pra ir embora.
P/2 - Mas nessa época o senhor tinha quantos anos, quando estava servindo?
R - 18 anos, 18 pra 19.
P/1 - Namorada como é que era? As meninas aqui no Rio, você chegou a conhecer alguma menina?
R - Ah, conheci várias.
P/1 - Você era namorador ou não?
R - Ah, nem sei. (Risos).
P/1 - Como é que era pra se divertir? O que é que vocês faziam?
R - Lá dentro? Lá dentro só tinha essas coisas que todo mundo tem: totó, sinuca, jogo de futebol. Tinha tudo isso lá dentro.
P/1 - E passados esses três anos o que o senhor fez?
R - Ao sair, quando eu saí, já entrei no cinema.
P/1 - E de onde veio o interesse pelo cinema?
R - Eu lá dentro já era fotógrafo. Quer dizer, aí já era meio caminho andado. Daí eu entrei no cinema e estou até hoje.
P/1 - Mas quem te ensinou a fotografia?
R - Eu aprendi sozinho, por livro. Eu ainda tenho em casa um laboratório fotográfico em preto e branco, guardado em casa. Até hoje eu tenho. Eu fazia a fotografia e eu mesmo fazia a revelação e cópia, essas coisas. Não mandava fazer fora nada.
P/1 - Mas o senhor aprendeu isso lá mesmo no quartel?
R - Não, no quartel eu só fotografava. Laboratório eu fiz fora. Quer dizer, fiz em casa, né? Comprei um ampliador, comprei tudo e comecei a fazer.
P/1 - Aprendeu aqui no Rio ou antes de vir? Não entendi.
R - Aqui no Rio.
P/2 - O senhor tirava foto de que? De quem?
R - Rapaz, lá dentro o que não falta é coisa pra você tirar foto. Tem mil assunto pra tirar foto. Dentro de um quartel com, vamos dizer, duas mil pessoas dentro você tem assunto.
P/2 - Mas quem pedia para o senhor? O senhor tirava...
R - Não, eu tirava por tirar. Tirava foto adoidado.
P/1 - O senhor tem alguma dessas primeiras fotos ainda?
R - De lá eu acho que não. Tenho de depois que eu saí. Aí eu tenho milhares de fotos.
P/1 - Depois que o senhor saiu, então, ficou no Rio mesmo?
R - Ficou no Rio mesmo.
P/1 - E foi estudar fotografia?
R - Eu estudei fotografia em casa mesmo. Porque fotografia é uma coisa muito simples. Você compra dois livros e você aprende em uma semana. Aí você fazendo, você vai aprimorando a coisa.
P/1 - O senhor foi morar onde? Foi morar sozinho? Como é que foi quando saiu do quartel?
R - Eu tinha um irmão aqui e já fui morar com ele.
P/2 - Onde?
R - Na praça XI. Sabe onde é a Praça XI?
P/2 - Não, não sei.
R - Ali do lado da Central do Brasil, mais pra trás. Onde era o desfile de escola de samba.
P/2 - Nessa época o desfile era lá?
R - Era lá. Na frente do “Balança mas não cai”, na rua de Santana.
P/1 - Então, o senhor ia no Carnaval também? Tava ali do lado do Carnaval.
R - Já estava lá dentro!
P/2 - Fotografava?
R - Não. O Carnaval não. Não fotografava não.
P/2 - O que o senhor gostava de fotografar?
R - Olha, rapaz, eu acho que tudo.
P/2 - Mas desse tudo o que o senhor tinha mais especial interesse assim?
R - Não, eu não tinha um interesse, não. Não tinha uma coisa específica.
P/2 - Não tinha uma preferência?
R - Não, não tinha preferência não.
P/2 - Mas Carnaval o senhor não fotografava?
R - Não.
P/1 - Mas fotografava o que? Casas, pessoas?
R - Pessoas, paisagens, tudo. Crianças então! Quando meu filho nasceu, então, ave maria! Era foto que não acabava mais. Cada fim de semana eu fazia dois, três filmes, revelava na hora ali, copiava.
P/1 - E a sua esposa como o senhor a conheceu?
R - Minha esposa eu conheci ela devia ter nove anos de idade, é minha prima. Lá de Serrinha também.
P/1 - Mas quando vocês começaram a namorar?
R - Ela veio passar uma temporada aqui no Rio, a gente começou a namorar e acabou em casamento.
P/1 - O senhor ia muito visitar seus pais na Bahia?
R - Muito pouco, muito pouco. Naquela época pra você fazer uma viagem lá pra essa Serrinha você gastava 4 dias de viagem. Aí você tem que pensar 50 vezes, né? Passar 4 dias viajando.
P/1 - Seus pais nunca vieram, então, te ver aqui?
R - Não.
P/1 - E os irmãos... Você morava com seu irmão, então. Seu irmão fazia o que?
R - Meu irmão trabalhava na Light, aqui no Rio.
P/1 - Você fazia o que naquele período em que morava com o seu irmão?
R - Eu estava na Marinha nessa época.
P/1 - E quando o senhor saiu da Marinha?
R - Eu saí da Marinha e aí eu fui morar sozinho.
P/1 - E fazia o que? Estudava? Trabalhava?
R - Aí já entrei em fotografia e cinema.
P/1 - Qual foi seu primeiro trabalho nessa área?
R - Meu primeiro trabalho nessa área foi no Instituto Nacional de Cinema Educativo. Isso acabou tem 30 anos.
P/1 - O que era esse...
R - Era o que seria... Você conheceu a Embrafilmes? Esse nome?
P/1 - Conheci, mas diz o que é.
R - O Cinema Educativo passou a ser a Embrafilmes, Empresa Brasileira de Filmes, que era do governo. Quer dizer, quando entrou a Embrafilmes eu saí e já fui trabalhar fora, sozinho.
P/1 - E o que o senhor fazia lá?
R - Na Embrafilmes? Montagem. Já montando documentários lá.
P/1 - Sobre o que eram os documentários?
R - Mil assuntos. Esses cineastas novos mandavam o projeto pra lá, eles aprovavam, financiavam, o cara filmava e eu montava.
P/1 - Quais foram os primeiros trabalhos de montagem?
R - Ih, rapaz, não lembro.
P/1 - Mas quem te ensinou a montar os filmes, a trabalhar com montagem?
R - Olha, rapaz, você olhando um filme, uma pessoa montando, amanhã você monta. Você gostando da coisa, né? Foi o que aconteceu comigo. Tanto que eu estou aí até hoje.
P/1 - Daí o senhor foi, depois da Embrafilmes o senhor foi pra onde?
R - Aí fiquei autônomo. Todo cineasta autônomo, né? Não tem ninguém empregado.
P/1 - Isso em que ano? Que o senhor trabalhava com montagem? O senhor lembra mais ou menos?
R - Deixa eu ver. Quando eu saí da Marinha, em 61 eu comecei a montagem.
P/1 - E como era em 61 trabalhar com filme aqui no Rio? Como é que era isso?
R - Era divino, rapaz. _________. Você cortava, emendava com durex, botava no pescoço e fazia o filme. Hoje você aperta um botão e a máquina faz sozinha. Antigamente, não. Você tinha que fazer mesmo. Eu montei, não sei ao certo, mas acho que já montei mais de 40 longa-metragens.
P/1 - O senhor conheceu algum cineasta daquele período?
R - Todo mundo. Todo mundo.
P/1 - De quem o senhor tem mais memória? Quem te marcou mais desses cineastas?
R - Ah, tem tantos. O que marcou mais foi o J. B. Tanco?. Porque eu fiz 12 filmes com ele, 12 longas-metragens. Esse aí marcou, fazendo 12 filmes tem uma história, né?
P/1 - Vocês se deram bem então, né? Pra continuar trabalhando.
R - E como! Ele filmava, entregava na minha mão, não falava outra coisa e eu entregava o filme pronto pra ele.
P/1 - E ele como é que era assim no trabalho?
R - Gente fina pra caramba. Um cara ótimo.
P/1 - Qual foi o primeiro longa que você fez com ele?
R - Rapaz, eu nem me lembro. Me lembro não.
P/2 - Mas eram sobre o que os filmes dele?
R - Ah, a maioria era Os Trapalhões, a maioria. Mas antes eu fiz uns três ou quatro que não tinham nada a ver com Os Trapalhões.
P/1 - Nas gravações o senhor ia também?
R - Não. Eu já recebia o material filmado, só pra montar. Ele filmava, me entregava. Eu metia a tesoura e entregava pronto.
P/1 - Tinha muito trabalho ou ficava períodos que o senhor não tinha trabalho?
R - Eu chegava a recusar trabalho, recusava trabalho. Quer dizer, não dava pra fazer três, quatro filmes por ano. Algum tinha que abrir mão.
P/1 - O senhor ia muito ao cinema também?
R - Ô! Eu via tudo. Aliás, ainda vejo tudo.
P/1 - Qual cinema freqüentava aqui no Rio?
R - Ah, vários. Paissandu como era um lançador, a gente ia muito no Paissandu.
P/1 - Acho que repetia muito as pessoas na sala, né? Acabava conhecendo as pessoas que freqüentavam o cinema. Ou não?
R - Olha, a maioria no cinema, que se chamava cinema de arte, todo cineasta ia pra lá. Todos eles você encontrava lá.
P/1 - Tinha festas também em que vocês se encontravam?
R - Não. Festa não.
P/1 - O senhor já era casado? Quando o senhor casou?
R - Eu casei bem depois. Eu casei eu tinha uns 15 anos de montagem já.
P/1 - Você teve filhos?
R - Dois filhos.
P/1 - O que fazem os seus filhos?
R - Um é fisioterapeuta e o outro é administrador de empresas. Estão na Bahia, foram pra lá pra Serrinha. Foram pra lá.
P/1 - Ficou trabalhando como autônomo até hoje? Como é sua carreira?
R - Até hoje. Quer dizer, na Petrobras agora eu estou por uma empresa. Botaram, tem um ano e pouco, quase dois anos, que botaram uma empresa pra tomar conta, administrar a gente.
P/1 - Mas o senhor tem contato com a Petrobras desde quando?
R - Eu entrei na Petrobras em 83.
P/1 - Pra trabalhar com montagem?
R - É. Tô lá até hoje.
P/1 - E como foi que o senhor entrou lá em 83? O que te levou pra lá?
R - Eles filmaram um... Deixa eu ver como é que eu vou dizer, a troca de um queimador de uma refinaria. Eles filmaram com três câmeras e não sabiam montar. Aí procurou um montador e me levaram pra lá. Cheguei lá e em dez dias o filme estava pronto. Não me deixaram sair até hoje, me seguraram lá.
P/2 - Na época, tinha mais pessoas que trabalhavam com o senhor na montagem?
R - Não, só eu.
P/2 - Como é que era a equipe que trabalhava com o senhor lá? Além do montador, tinha mais gente lá?
R - Não, só tinha um pessoal, um cara da Petrobras que dirigia os filmes.
P/2 - Quem era?
R - Carlos Oliveira. Já morreu. Ele dirigia os filmes e eu montava.
P/2 - Eram vocês dois os responsáveis.
R - Era.
P/2 - Lembra de um filme que te marcou mais nesse período?
R - Na Petrobras? Não lembro, não. Tenho mais de 200 filmes montados lá.
P/1 - E sempre trabalhou montando filmes?
R - Sempre.
P/1 - Nunca mudou? Assim, não teve algum período que mudou a atividade de trabalho?
R - Não. Quando mudar, eu desisto. Vou ficar nisso até agüentar.
P/2 - Seu Manoel, o montador ele define um roteiro ou você recebe um roteiro? Como é o trabalho de um montador?
R - Você recebe um roteiro. Geralmente, quando ele te entrega o material filmado, o material vem com 10 horas de filme, nove horas. Você tem que contar aquela história em, no máximo, uma hora e meia. Você que decide qual é a imagem que vai ficar no filme.
P/2 - Ah, então a pessoa não falava: “Ah, seu Manoel, quero que entre tal imagem nisso...”.
R - Não. Você é que diz o que é que vai ficar. Tem uma história no filme A Viúva Virgem, eu briguei com o diretor do filme três vezes e abandonava o filme e ia pra casa. No dia seguinte ele tava lá: “Pô, eu gosto de você por isso. Dependo do seu trabalho. Vai lá terminar o filme”. E eu voltava pra lá. O filme foi a maior renda do Brasil.
P/2 - E qual era o motivo da briga?
R - Ele queria que eu botasse um plano e eu dizia: “Esse aí eu não boto. Vou botar aquele”. O motivo era que ele queria dar palpite.
P/2 - O senhor não aceitou.
R - Não. Se você for aceitar o diretor, o filme fica um lixo.
P/2 - E o senhor falou de tesoura. Como é que era isso? Como era feita a montagem?
R - Tem uma maquininha que chama de coladeira, que você marca lá na moviola onde você quer cortar e bota aqui, a coladeira corta e você bota um durex, cola. É uma maquininha que corta e cola.
P/2 - Se errar, pode voltar?
R - Pode. Pode acrescentar o que você quiser.
P/1 - Quanto durava o tempo pra montar um filme?
R - Depende do filme.
P/1 - Um longa quanto tempo o senhor gastava?
R - Depende. Um pornô eu cansei de montar em 12 dias. Mas um filme de arte você passa um mês, dois meses montando. Um filme bom mesmo.
P/2 - Depende também da quantidade de gravação que a pessoa te entrega? Como é que é? Se eu te entrego 10 horas de gravação...
R - Não, geralmente não chega a 10 horas. Aliás, 10 horas sim! Chega geralmente a nove, 10 horas. Pra você escolher o melhor plano pra botar no filme.
P/2 - Tem que assistir tudo?
R - Ô! Tenho que assistir 5, 6 vezes pra definir eu quero esse, esse aqui, aquele, aquele. Esse diálogo aqui só serve até aqui; esse resto não diz nada, aí corta. Se você for pelo diretor, você tá roubado.
P/2 - Porque os diretores...
R - Teve um filme, não vou dizer o nome da pessoa, porque ele ainda está vivo aí. Eu fui montar o filme dele e o primeiro plano que eu fui pegar, digo: “Isso aqui é lixo, tá fora de foco”. Ele disse: “Não, mas eu adoro esse plano. Não é fora de foco, não. É ____ artístico”. Levantei e disse: “Tchau, toma aqui teu filme”. Fui embora.
P/2 - Esse não voltou?
R - Não e eu também não ia querer mais. Um cara que diz que o plano não é fora de foco, é ____ artístico. O que é que tu vai fazer? Saí fora e tchau.
P/2 - O que é então que um montador tem que olhar? É foco, plano...
R - Todo o mundo numa filmagem pode errar. Você, o montador, tem que consertar tudo. Não pode aparecer um errinho na tela. Se aparecer, o culpado é você. Tem que consertar o erro de todo mundo.
P/2 - Nessa época que o senhor ia ver, assistir os filmes, o senhor ficava atento na montagem dos amigos profissionais?
R - Olha, até hoje eu só vejo defeitos. Da primeira vez que eu vejo um filme, só vejo defeitos. Depois, eu tenho que ver uma segunda vez pra ver o filme direito. E você acha defeito mesmo, viu? O público olha e não vê mesmo.
P/1 - O defeito geralmente é do que? Do câmera? Da luz?
R - De tudo, de tudo. Continuidade. Tem tudo, você vê tudo.
P/1 - Dentro desses filmes todos, desses longas todos tem algum que você lembra com mais orgulho de ter ajudado a construí-lo?
R - Olha, tem um que eu até ganhei o prêmio de melhor montagem do ano no Festival de Cinema de São Paulo, chamado A Volta do Filho Pródigo. O diretor acompanhava a montagem. Ele dava tanto palpite que eu trancava a porta, ele pra fora, trancava a porta e ele ficava batendo: “Manoel, eu não vou mais dar palpite, não”. E eu tô lá trabalhando. O filme saiu e ganhou o prêmio de melhor filme do ano.
P/2 - O senhor lembra qual o ano?
R - O ano não lembro.
P/2 - Nome do diretor?
R - Juca Pontes. Ainda existe aí, tá aí.
P/1 - Quanto tempo o senhor gastou pra montar esse filme?
R - Esse deu trabalho. Esse deu uns três meses de trabalho. Esse aí eu brigava até pelas músicas com ele. Ele queria dar muito palpite. E o diretor, se você deixar ele dá palpite, você tá ferrado.
P/1 - Como foi o meio digital quando começou a chegar?
R - Rapaz, isso entra de uma maneira que você nem percebe.
P/1 - [Fala com o câmera] Quer parar agora? Pode parar.
P/1 - A gente estava falando do meio digital, né? Como é que chegou no seu trabalho, na rotina do seu trabalho.
R - Isso aí aconteceu. Quando entrou a época de ______ filmes, aquela coisa, ela já entra que você nem percebe. Eu trabalhei em moviola até o ano passado na Petrobras. Até o ano passado, eu trabalhei em moviola.
P/1 - Trabalhou com que?
R - Com moviola, é a máquina que montava filmes, que você projeta o filme pra montar. Pouca gente conhece moviola. É uma mesa de montagem de película. A Petrobras ainda tem.
P/2 - Mas porque deixou no ano passado, então, de usar a moviola?
R - Ah, desativaram. A Petrobras tem câmera 35 mm, tem iluminação e não filma mais nada, tá lá encostada. Película não se usa mais lá.
P/2 - E esses filmes quando o senhor entrou, na década de 80, muita película?
R - Só película. Depois foi passando: “Vamos fazer em vídeo, fazer em vídeo”. E já era. Começou com aquele famoso ________, dali desmunhecou e pronto. Hoje não se roda mais um metro de película.
P/1 - E o senhor sabe mexer nesse meio digital?
R - Ô! Agora eu tô fazendo tudo... Eu trabalho numa ilha de edição lá.
P/1 - Mas o senhor teve que fazer essa coisa do meio digital? Ou também...
R - Não, você vai tocando, tocando e daqui a pouco você tá dentro e nem percebe que mudou de ramo.
P/1 - O senhor sente diferença do resultado final? Do digital pra película?
R - Não tem nem comparação. Agora o HD-Cam tá quase parecido. Mas em qualidade, película é película. Qualidade nem se discute.
P/2 - Da imagem, né?
R - Da imagem, é outro padrão.
P/2 - Por que? Qual é a diferença mais visível?
R - A qualidade da imagem você vê de cara que aquilo é película. A qualidade realmente é outra.
P/2 - A cor?
R - Tudo, tudo. A qualidade da película é mil vezes melhor do que o vídeo.
P/1 - Mas então a Petrobras não trabalha mais com película?
R - A câmera tá no depósito em São Cristóvão, jogada.
P/1 - Porque eu ouvi falar que tem comerciais até, propagandas que eles gravam primeiro em película, porque a imagem fica mais bonita.
R - Ah, mas agora a Petrobras não faz mais. Tá fazendo por agência. As agências fazem em película.
P/1 - Daí chega já como esse material para o senhor?
R - Já chega em vídeo. A gente nem vê. Aliás, eles já fazem a película só pra filmar. Já ______ o negativo e edita já no vídeo.
P/1 - Então o senhor tem trabalhado com edição ainda?
R - Sim, mas de película não. Película desativaram a moviola, botaram até no depósito lá embaixo.
P/1 - E quanto o tempo o senhor gasta agora pra editar um filme?
R - Depende. Agora é rapidíssimo. Agora você pega um filme aí... Eu faço uma pré-edição lá na Petrobras, levo para uma ilha de edição e um dia tá pronto.
P/2 - Mas que tipo de filme que agora que faz? Que é da responsabilidade de vocês lá? Porque tem muita agência que faz, né?
R - Tem, muita agência.
P/2 - E vocês fazem o que lá? Quais são os filmes? O que se filma hoje ainda pela Petrobras?
R - Pela Petrobras não se filma mais nada. Tudo por produtora fora, o porquê não me pergunte.
P/2 - Mas o que o senhor edita, então, vem de onde essas imagens?
R - É, geralmente é de lá mesmo. Algumas coisas a gente tem que fazer lá. Porque é um assunto tão importante que uma produtora não vai entender nada daquilo, é tão técnico que só a gente pode fazer.
P/2 - Mas essas imagens que o senhor está fazendo, elas são filmadas por um outro grupo que manda para o senhor editar?
R - Não, na Petrobras quando eles querem fazer um trabalho eles contratam uma produtora. Ela chega lá, filma e entrega pra gente. A Petrobras não filma mais nada.
P/2 - O senhor faz a edição.
R - É, a gente faz a edição. Quer dizer, agora eu tô fazendo mais é botar material filmado no arquivo. Porque nego pede material lá que não acaba mais, viu?
P/1 - De vez em quando o senhor trabalha no arquivo também?
R - Agora eu tô mais no arquivo. Tudo que é filmado eu escolho o que é que presta e boto no arquivo. O que não presta sai fora.
P/1 - E qual é o tamanho desse arquivo atualmente?
R - Rapaz, é coisa, viu? É coisa assim pra umas 200 horas de arquivo. Material selecionado, que presta. Que não presta lá tem... Tem uns 20 armários lá cheios de fita lá. Mas tem que guardar.
P/1 - Tudo digitalizado também nesse arquivo?
R - Não. Aliás, só não tem lá mini-dv. Mas beta analógica, beta digital, dv-cam. Tudo isso aí chega lá.
P/1 - E quais são os departamentos que solicitam mais material?
R - Olha, o departamento da Petrobras só pede coisa lá de filme editado, filmes prontos. Quem pede mais material são as produtoras que trabalham para a Petrobras, para não ter que ir no Urucu filmar ele pede material. Você dá e eles fazem o filme. A gente tem lá na mão, só copia, manda uma cópia pra eles e eles fazem o filme.
P/1 - O senhor deve ter tudo na cabeça então também, esses filmes, né?
R - É porque toda imagem que chega lá passa na minha mão. Toda imagem que aparecer da Petrobras eu já vi.
P/1 - E como é? O senhor tem muitos amigos ali na Petrobras?
R - Ah, conheço muita gente. Muita gente.
P/1 - O senhor tem contato também fora do trabalho com esses amigos?
R - Não. Só no trabalho.
P/1 - Atualmente, seus filhos estão casados?
R - Estão.
P/1 - Já tem netos?
R - Tem. Já Tem um. Vai fazer um ano agora dia 15 de novembro.
P/1 - Como se chama?
R - É Guilherme.
P/1 - Vão fazer uma festa de aniversário agora, um ano?
R - Eles lá vão fazer. Eu não vou, né?
P/1 - Onde eles moram?
R - Lá na Bahia. Em Serrinha, na Bahia.
P/1 - Seus dois filhos estão lá?
R - Estão lá, foram pra lá.
P/1 - Por que voltaram?
R - Sei lá. Eles começaram a ir lá, começaram a ir. Aí gostaram de lá, porque é uma cidade muito tranqüila. Quem sai do Rio de Janeiro e vai pra um lugar daquele não volta nunca mais, né?
P/1 - Seus filhos trabalham com o que?
R - Um é fisioterapeuta, professor de fisioterapia. O outro é administrador de empresas, tá lá com um negócio lá.
P/1 - Então tá bom. O que o senhor faz de hobby? Faz esporte, caminha?
R - O que eu faço de hobby é todo fim de semana correr pra uma casa de campo que eu tenho em Itaguaí. Lá eu tenho o que fazer. Todo fim de semana estou lá. Esse agora eu não vou por causa dessa eleição. Tenho que voltar cedinho pra vir votar.
P/1 - O senhor mora com a sua esposa?
R - É.
P/2 - O que é que o senhor faz lá em Itaboraí? Itaguaí.
P/2 - É, Itaguaí.
R - Numa casa de campo você tem coisa pra fazer, viu? Você não pára nunca. Sempre você tem uma coisa pra mexer.
P/2 - Tem bicho lá?
R - Só um casal de cachorro, só um casal de cachorro. E tem uma tartaruga também.
P/2 - O senhor planta?
R - Ô! A gente planta tudo.
P/2 - É horta? Árvore?
R - Tem tudo. Banana, laranja, mamão, acerola. O que você pensar tem. Jaca. Goiaba tem pra caramba. Tem tudo.
P/2 - Mas o senhor que plantou ou quando comprou já tinha?
R - Quando eu comprei só tinha um pé de manga que está lá até hoje. O resto eu plantei tudo. Também eu tenho aquilo tem 27 anos. Tudo fui eu que plantei. Lá é lugar bom, rapaz.
P/2 - Legal.
R - É.
P/1 - Então, seu Manoel, o que o senhor achou de dar o seu depoimento aqui?
R - Achei divino. Achei maravilhoso.
P/2 - O senhor conhecia o projeto Memória?
R - Conhecia, conhecia.
P/1 - Então tá bom. Muito obrigado, viu?
R - Obrigado eu.
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