Kiwixi Akwane Kiwixi Kamani - Chegada e morte de Vicente Cañas
Mayowiri nasceu na aldeia wadadawinakwa. Nessa aldeia havia muitos pernilongos, por isso eles se afastaram um pouco para não serem incomodados. Foram para um acampamento perto da pescaria, e foi lá que a mãe sentiu as dores do parto, justamente porque ele iria nascer. Uns dois ou três dias depois de nascer, ele adoeceu. Foi um espírito que o atacou, por isso ele quase morreu. Porém, o pajé o curou e ele melhorou.
Quando cresceu um pouco, mudou de aldeia, para a aldeia Hakotokwa. Em pouco tempo, a aldeia inteira queimou. Eles tiveram que construir uma casa novamente. Ele teve muitas vivências com o pai, na pescaria e na barragem. Um dia, estavam fazendo a roça do clã dele (Ainihari). Eles eram anfitriões e estavam na aldeia quando chegou pela primeira vez o branco Vicente Cañas (Kiuxi). O pai dele recebeu Vicente. O barco dele estava muito cheio, com muitas coisas.
Foram para o acampamento de yãokwa na confluência entre os rios Juruena e Camararé. Nesse tempo, ele já era jovenzinho. Voltaram para a aldeia, onde estava acontecendo o ritual (yãokwa). Dividiram-se em dois grupos de yãokwa. O pai dele estava na roça de milho, e uma menina menstruou pela primeira vez lá no acampamento. Por isso, tiveram que mudar a aldeia para lá. Carregaram tudo de canoa e assim fizeram a mudança.
Durante a pesca na barragem, chegou a notícia de que Vicente Cañas tinha morrido. Ele tinha vindo à aldeia e trazido facões para os caciques. Vicente foi até a barragem, e Mayowiri voltou para a aldeia de carona com ele, porque Kiwixi pediu que ele ajudasse a carregar lenha. Mas ele ficou com vergonha, pois quem está na barragem de pesca não pode voltar para a aldeia. Quando voltou, levou bastante beiju.
Ficou 10 dias na aldeia e foi para outra barragem. Havia muita gente nessa barragem, também mulheres e crianças. Perguntaram aos anfitriões. No dia seguinte, Vicente Cañas fez prótese...
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Kiwixi Akwane Kiwixi Kamani - Chegada e morte de Vicente Cañas
Mayowiri nasceu na aldeia wadadawinakwa. Nessa aldeia havia muitos pernilongos, por isso eles se afastaram um pouco para não serem incomodados. Foram para um acampamento perto da pescaria, e foi lá que a mãe sentiu as dores do parto, justamente porque ele iria nascer. Uns dois ou três dias depois de nascer, ele adoeceu. Foi um espírito que o atacou, por isso ele quase morreu. Porém, o pajé o curou e ele melhorou.
Quando cresceu um pouco, mudou de aldeia, para a aldeia Hakotokwa. Em pouco tempo, a aldeia inteira queimou. Eles tiveram que construir uma casa novamente. Ele teve muitas vivências com o pai, na pescaria e na barragem. Um dia, estavam fazendo a roça do clã dele (Ainihari). Eles eram anfitriões e estavam na aldeia quando chegou pela primeira vez o branco Vicente Cañas (Kiuxi). O pai dele recebeu Vicente. O barco dele estava muito cheio, com muitas coisas.
Foram para o acampamento de yãokwa na confluência entre os rios Juruena e Camararé. Nesse tempo, ele já era jovenzinho. Voltaram para a aldeia, onde estava acontecendo o ritual (yãokwa). Dividiram-se em dois grupos de yãokwa. O pai dele estava na roça de milho, e uma menina menstruou pela primeira vez lá no acampamento. Por isso, tiveram que mudar a aldeia para lá. Carregaram tudo de canoa e assim fizeram a mudança.
Durante a pesca na barragem, chegou a notícia de que Vicente Cañas tinha morrido. Ele tinha vindo à aldeia e trazido facões para os caciques. Vicente foi até a barragem, e Mayowiri voltou para a aldeia de carona com ele, porque Kiwixi pediu que ele ajudasse a carregar lenha. Mas ele ficou com vergonha, pois quem está na barragem de pesca não pode voltar para a aldeia. Quando voltou, levou bastante beiju.
Ficou 10 dias na aldeia e foi para outra barragem. Havia muita gente nessa barragem, também mulheres e crianças. Perguntaram aos anfitriões. No dia seguinte, Vicente Cañas fez prótese dentária para o cacique Kawali. Eles voltaram para a barragem para pescar. Ele levou muito beiju e distribuiu para o Yaõkwa. Vicente Cañas o deixou na barragem e foi sozinho buscar gerador e som, dizendo que voltaria rápido, mas não voltou. Ficaram esperando, mas ele não retornou.
Os grupos que estavam na barragem voltaram para a aldeia e estavam fazendo ritual, dançando e cantando. O primo dele estava caçando no mato e encontrou um colega de Vicente chorando, o Yokwali (nome que os Enawenê deram). Yokwali explicou aos Enawenê-Nawê que Vicente Cañas tinha morrido. Então, os Enawenê foram enterrar Vicente na casinha dele. Voltaram para a aldeia, não havia mais o branco, e ficaram muito tristes. Kiwixi tinha um pássaro; esse pássaro, quando voava, passou a cair no rio. Isso porque ele já estava sentindo a própria morte.
Em outro ano, em outro ritual do Yaõkwa, o grupo de anfitrião (halikari) era Kawenalili. O Yaõkwa foi fazer uma roça ritual. Depois, o Yaõkwa foi para a barragem, e ele foi também. Quando voltaram, os cunhados colocaram nele a palhinha peniana, marcando a sua passagem para a juventude. Depois de um ano, ele se casou. O sogro pegou a rede dele e a levou para casa. Um ano depois, a esposa engravidou, mas o bebê faleceu. Depois, ela teve mais três filhos, e os três faleceram: um dentro da barriga e outros dois quando crianças. Passou um tempo, a esposa engravidou de novo. O pajé fez tratamento para proteger o bebê, que nasceu e cresceu bem. O pajé escolheu o nome do filho.
O tempo se passou, e pela primeira vez ele foi o anfitrião do ritual do yaõkwa. Foi durante esse ritual que nasceu o seu primeiro filho.
Novamente, o Yaõkwa fez roça ritual, do clã Kayroli. Quando a roça ficou pronta, foram para a pescaria da barragem no rio Tinõliwina e pegaram muitos peixes. Depois, foram para outro rio para avisar os outros que estavam em outra barragem. Ele levou o pai junto. Chegando lá, o pai se sentiu mal, com dor de estômago, e o levaram até Brasnorte. O pai ficou internado por uns 20 dias. Enquanto isso, o pessoal do yaõkwa pegou muitos peixes nas barragens.
Quando o pai voltou, trouxe jenipapo para pintar e avisou a todos que estavam nas barragens que em 10 dias (contados com nós no cipó, ele mostra como era feito o calendário tradicional) todos deveriam voltar para a aldeia. Nesse tempo, não havia motor, carro nem barco, apenas canoa e remo. Tinham que remar muito para chegar à aldeia, o que demorava muito tempo.
Foram novamente para a pescaria de barragem. O clã Aweresese era anfitrião e ficou na aldeia. Em outra ocasião (outro ciclo ritual), os anfitriões foram do clã Kawekwalise. O clã Kayroli organizou a roça ritual para o clã Kawekwarese. Nesse tempo, já conheciam motor e barco. Fizeram a primeira viagem para a barragem de Yaõkwa com barco a motor. Quando chegaram de volta à aldeia, fizeram o ritual.
Em outro ciclo de yaõkwa, o clã dele foi anfitrião, o clã Anihali. O clã Kaholase estava começando a fazer a roça ritual para o clã dele, mas o organizador (o mestre sotakatali) morreu. Então, o filho o substituiu (o filho que substituiu foi Lolawenakwaene). Eles ficaram muito tristes com a morte do pai de Lola. Ele morreu durante o ritual de Kateoko. Depois disso, começaram a viagem da pescaria da barragem de Yaõkwa. O cacique do clã Anihali, que era anfitrião e ficou na aldeia, estava pensando em mudar a aldeia, procurando um local bom para fazer uma nova aldeia. Depois que o Yaõkwa voltou da pescaria, ficaram fazendo o ritual. Quando terminou, aconteceu a mudança de aldeia. Os mais jovens estavam bravos com o cacique de Anihali, porque não queriam mudar. Mas os caciques mais velhos decidiram pela mudança.
Na nova aldeia, os clãs Awerisese e Lolahese ficaram como anfitriões no novo ciclo ritual. Depois, no próximo ciclo, foi o clã Kawinalili. As mulheres do clã Kawinalili estavam organizando o ritual Kateoko para o clã dele (clã Anihali). O cacique de Anihari faleceu durante a preparação da viagem para a barragem de Yaõkwa, e a família dele não foi para a barragem. A solução foi comprar o peixe (tambaqui). Outros foram para a barragem, voltaram com peixe, começaram o ritual do Kawinalili e o fizeram por dois meses. Voltaram novamente para a pescaria de barragem. O neto dele (de Mayowiri) ficou doente, e ele resolveu voltar para a aldeia para fazer pajelança e oferecer alimentos aos espíritos.
Depois, mudaram-se para Dolowekwa/Kotakowinakwa. No novo ciclo de yaõkwa na aldeia nova, o clã Kawinalili era anfitrião. Antes de mudar para a aldeia nova, prepararam primeiro a roça de mandioca e depois construíram as casas. O cunhado dele foi o primeiro a mudar, porque o neto tinha morrido. Hoje, ele fica pensando sobre os cantos e aprendendo.
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