Hitati Kaxanero - Primeira gravidez
Sobre o nome dela e nascimento
O nome dela foi o avô quem colocou: Koxihi. Ela conta que o pai não queria tê-la; quando ela nasceu, ele queria enterrá-la. Aí o avô não deixou ele enterrar, pegou ela e levou para a casa dele. Ela diz que o pai só queria o irmão, não queria ela. A mãe foi quem contou tudo isso para ela. Ela nasceu na aldeia Marikwa, à noite.
O pai do avô dela coletava mel no mato e fazia peneira. Ela conta que naquele tempo eles atacavam a aldeia nambiquara, colocavam fogo, pegavam milho e mandioca dos nambiquara. O avô contava que antigamente não tinham nada; depois que chegaram os brancos, começaram a ter as coisas (carro, barco, roupa, alimentos dos brancos, linha, barbante). Ela lembra que o avô fazia uma escada grande para coletar mel e armadilha para pegar peixe. O avô contava que quando outros povos atacavam os Enawenê, todos saíam correndo para o mato sem nada, e lá improvisavam uma rede com casca de envira.
O pai falou que não queria ela, que não cuidava dela porque queria arrumar outra mulher, não queria ter ficado com a mãe dela. O pai falou que a mãe dela ainda era muito criança e ele já era um homem velho, por isso não queria ter casado com ela, queria ter casado com outra mulher. Ela conta que o pai morreu durante um acampamento de pesca no mato, no rio Juruena. E fala que a avó faleceu por conta de uma infecção com furúnculos nas pernas e na vagina; ficou muito doente. A mãe do pai dela também faleceu por causa de furúnculos. Antes, ela tinha perdido um bebê por desidratação. O pai dela falou que não enterrou o avô dela direito, enterrou na cabeceira do córrego.
Sobre o pai e a chegada do Kuwixi (Vicente Cañas)
No período em que a avó dela morreu, chegou o Kuwixi. E o pai dela perguntou por que ele não tinha chegado antes, porque estava muito triste com o falecimento da mãe. Nesse tempo, ele ainda não tinha esposa. Quando o pai chegou na aldeia...
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Hitati Kaxanero - Primeira gravidez
Sobre o nome dela e nascimento
O nome dela foi o avô quem colocou: Koxihi. Ela conta que o pai não queria tê-la; quando ela nasceu, ele queria enterrá-la. Aí o avô não deixou ele enterrar, pegou ela e levou para a casa dele. Ela diz que o pai só queria o irmão, não queria ela. A mãe foi quem contou tudo isso para ela. Ela nasceu na aldeia Marikwa, à noite.
O pai do avô dela coletava mel no mato e fazia peneira. Ela conta que naquele tempo eles atacavam a aldeia nambiquara, colocavam fogo, pegavam milho e mandioca dos nambiquara. O avô contava que antigamente não tinham nada; depois que chegaram os brancos, começaram a ter as coisas (carro, barco, roupa, alimentos dos brancos, linha, barbante). Ela lembra que o avô fazia uma escada grande para coletar mel e armadilha para pegar peixe. O avô contava que quando outros povos atacavam os Enawenê, todos saíam correndo para o mato sem nada, e lá improvisavam uma rede com casca de envira.
O pai falou que não queria ela, que não cuidava dela porque queria arrumar outra mulher, não queria ter ficado com a mãe dela. O pai falou que a mãe dela ainda era muito criança e ele já era um homem velho, por isso não queria ter casado com ela, queria ter casado com outra mulher. Ela conta que o pai morreu durante um acampamento de pesca no mato, no rio Juruena. E fala que a avó faleceu por conta de uma infecção com furúnculos nas pernas e na vagina; ficou muito doente. A mãe do pai dela também faleceu por causa de furúnculos. Antes, ela tinha perdido um bebê por desidratação. O pai dela falou que não enterrou o avô dela direito, enterrou na cabeceira do córrego.
Sobre o pai e a chegada do Kuwixi (Vicente Cañas)
No período em que a avó dela morreu, chegou o Kuwixi. E o pai dela perguntou por que ele não tinha chegado antes, porque estava muito triste com o falecimento da mãe. Nesse tempo, ele ainda não tinha esposa. Quando o pai chegou na aldeia Tikialiwinakwa, voltando da pescaria, o irmão dele já estava morrendo. Ele tinha trazido peixe, mas não tinha mulher para assar para ele, então ele largou o peixe.
Sobre a primeira menstruação da mãe dela e o casamento dos pais
Quando a mãe menstruou, o tio do pai dela já percebeu. E falou para o pai dela que já era hora de casar com ela. O tio combinou com o pai dela: meu sobrinho, vai casar com essa menina mesmo. E o tio falou para irem morar na casa dele, e eles foram. Ela diz que a mãe era muito bonita quando era menina.
Como era a vida dos pais
Ela diz que o pai e a mãe já estavam jovenzinhos. Ela já fazia mingau e o pai já saía para pescar. Quando voltava com peixe, entregava para o tio. Ela diz que o pai e o tio viviam mais no mato, pescando e coletando mel; quase não ficavam na aldeia (era a aldeia Wayalatakwa).
Sobre o nascimento dos irmãos
Ela diz que o pai dela casou com a mãe. Depois de 2 anos, a mãe ficou grávida da irmã mais velha, chamada Yalowenase. O segundo filho foi Timia. Ela diz que a família toda ficou feliz com o nascimento deles, e o pai também. Ela falou um pouco sobre os irmãos.
Sobre a primeira menstruação e o casamento dela
Ela diz que ficou menstruada no mesmo dia que a melhor amiga Dalirose. Conta que aprendeu a fazer vários artesanatos com ela; iam na roça de mandioca, carregavam lenha, sempre juntas. Ela diz que depois que menstruou, casou com um rapaz, mas não foi bom; depois de dois dias, ele voltou para a casa dos pais dele. Já o casamento da amiga foi bom. Depois disso, a amiga faleceu. O pai dela é Anaori. E agora ela está relembrando a fala da amiga: ela contava que ia morrer breve.
Primeira gravidez
Havia um remédio de raiz para menstruação. Ela diz que tomou esse remédio de raiz e por 6 meses ficou sem menstruar. Depois parou de tomar porque queria ter bebê. Ficou grávida. O primeiro filho nasceu no mato. Ela teve o segundo filho e o terceiro filho. O terceiro, com 3 aninhos, faleceu afogado. O quarto filho nasceu no hospital, por cirurgia cesariana.
Entrevistador perguntou: e agora, você adulta, o que pensa sobre o seu futuro?
Como eu sou adulta, estou pensando no meu futuro. Porque na época dos nossos avós, nunca se trabalhava para os brancos. E agora, diante de nós que já sabemos a tecnologia dos brancos, a gente tem que trabalhar também para os brancos.
Entrevistador perguntou quem cuidava dela na época
Quem cuidava de mim foi minha avó. Foi ela quem me ensinou como caçar e como carregar mandioca. Era meu avô também que tirava bacaba para nós. A gente comia a caça do meu avô. Meu avô contou que tinha visto uma pessoa estranha.
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