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Sou enfermeira aqui no interior do Ceará,na zona rural,e sempre fui defensora da inclusão.Uma vez,me apareceu no consultório, um idoso com algumas lesões e ao concluir os exames,veio o diagnóstico: hanseníase.Até aí,nada de diferente da realidade com a qual já lido há quase 20 anos.Mas eis que podemos ser surpreendidos a qualquer momento.E a situação desse senhor, surpreendeu e me desafiou. Fiquei me questionando como ele iria conseguir o sucesso no tratamento,se além de morar sozinho,não sabia ler e nem escrever.Foi aí que orei a Deus para que me iluminasse e então surgiu a ideia de como a equipe poderia ajudar: Não entreguei a cartela inteira ao idoso.Entreguei a cartela correspondente à semana e na seguinte,ele retornava à unidade para ser avaliado e receber a continuidade do tratamento.Fiz os pacotinhos de segunda à domingo e como ele não sabia ler,peguei 2 pincéis, um com a cor clara e outro com a cor escura,já que ele conhecia as cores.Como ele tomava outras medicações além das direcionadas ao tratamento da hanseníase, pois também estava com anemia,nos pacotes de segunda a sexta,passei um traço forte com o pincel claro e nos pacotes de sábado e domingo,passei um traço forte com o pincel escuro.Quando chegava o dia da dose supervisionada de cada início de cartela e se fosse sábado,domingo ou feriado,a agente de saúde do idoso ia na casa dele para ajudá-lo a tomar.Esta estratégia foi criada,porque ela morava perto dele e o posto de saúde abria somente de segunda a sexta.Primeiro, ensinei à agente de saúde sobre o tratamento,com foco na dose supervisionada.E aí ela fez tudo certo para não bagunçar o tratamento,pois a tomada das medicações teria que ser de forma correta,sem falha.No dia das consultas no hospital especializado,uma das técnicas em enfermagem da equipe,o acompanhava até Fortaleza para poder entender todas as orientações para poder repassar ao idoso.E assim, se passou pouco mais de um ano de tratamento...

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