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História
Personagem: Iya Sango Ronke
Por: Iya Sango Ronke, 22 de dezembro de 2025

“Entre o Barro e o Abraço”

Esta história contém:

“Entre o Barro e o Abraço”

Memória de Natal

O Natal não era apenas uma data.

Era um chamado antigo.

Um tempo em que o mundo desacelerava para que o axé da família pudesse se reunir inteiro.

Guardo o Natal entre as lembranças mais solenes da minha vida — aquelas que não envelhecem, porque moram no peito e caminham comigo.

A casa da minha mãe, na Rua Lucinda Ferreira, 253, no Ipiranga, em São Paulo, era pequena no tamanho, mas imensa em fundamento.

Um quarto, sala e cozinha; o banheiro do lado de fora.

E um quintal vasto de barro batido, chão vivo, que guardava pegadas, risos, correria de criança e o peso amoroso dos dias.

Aquele barro não era chão: era memória assentada.

Era ali que a casa respirava, que os passos sabiam onde pisar, que a vida se firmava.

Na sala, a árvore de Natal se erguia como um eixo.

Aos seus pés, os presentes repousavam como oferenda, porque aquele chão era sagrado.

Havia magia dentro daquela casa — magia de afeto, de comida no fogo, de vozes misturadas como reza coletiva.

Entre os dias 15 e 20, acontecia a compra de Natal.

Não era apenas mercado: era preparação de destino.

A casa entendia, antes da gente, que um tempo especial se aproximava.

No dia 23, as aves eram temperadas para dormir no tempero, como pede o respeito ao alimento.

E as sobremesas tomavam conta da casa.

Manjar, mousse, tortas de limão e de morango.

E a salada de frutas — muitaaaaa fruta.

Fruta em abundância, cortada com calma, colorindo bacias grandes,

misturando doce, frescor e promessa de fartura.

Aquela salada não era detalhe:

era axé de prosperidade servido em colheradas generosas.

O ar ficava perfumado e adocicado.

Fecho os olhos e ainda escuto o falatório atravessando os cômodos,

as risadas abrindo caminho,

os passos ligeiros no quintal de barro, acordando o chão.

No dia 24, o sol mal nascia e a casa já estava em movimento.

Havia muito a fazer, porque ceia também é trabalho de amor.

O forno não dava conta, e as aves seguiam para a...

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Palavras-chave: natal, memorianatal

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