Dotehi Derekotaka - A luta pela demarcação
História de nascimento
Ele nasceu na aldeia Halataikwa Kiwixi Akwanekwa, onde o primeiro branco encontrou seu povo Enawenê-Nawê. Cresceu na mesma aldeia em que nasceu. Alguns anos depois, os brancos encontraram a aldeia deles. Eles traziam muitas ferramentas: machado, foice, faca e linha de anzol. Ele gostava muito dos machados, mas como era rapaz, não ganhava um; só ganhava uma pequena faquinha. Um homem branco chamado Thomas lhe deu essa faquinha. Eles não se acostumavam com o cheiro dos brancos; todos os cheiros deles eram estranhos. Eles eram todos barbados, pareciam rostos de macacos.
O pai o ensinava como pescar
Os outros parentes, do povo myky, chegaram à sua aldeia pela primeira vez e trouxeram linha de anzol. Assim que deram anzol para seu pai, eles pescavam com ele. Seu pai lhe deu um anzol para pescar. Quando ele estava pescando, um peixe grande pegou seu anzol. Seu pai ficou com muita raiva e quase o bateu. Mergulhou em toda a parte da água, mas não achou o anzol. Depois, outro cara chamado Kayoweta o chamou para pescar com ele. Eles chegaram à beira do rio e começaram a pescar. Ele pegou um peixe pela primeira vez e chamou seu tio: "Tio, peguei um peixe!" Ele tremia muito porque era a primeira vez que pescava. Eles pescavam no rio Wadadawina Camararé. Também havia um homem chamado Lolawena Yaõkwali, que sabia fazer anzol de pesca tradicional. Era uma vida difícil na sua aldeia Halataikwa Kiwixi Akwanekwa.
Remo de canoa
A canoa era feita de casca de árvore da jatubeira. Essa canoa era difícil de atravessar o rio, porque era muito pesada; eles ficavam com muitas dores no corpo enquanto remavam. Eles iam para a roça de milho, chamada Wayalatakwa. Quando chegavam ao acampamento à noite, os pescadores começavam a pescar e pegavam traíras. Depois, voltavam ao acampamento e começavam a oferecer os peixes para alimentar os espíritos. Também oravam a Deus (enore nawe).
Outros parentes...
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Dotehi Derekotaka - A luta pela demarcação
História de nascimento
Ele nasceu na aldeia Halataikwa Kiwixi Akwanekwa, onde o primeiro branco encontrou seu povo Enawenê-Nawê. Cresceu na mesma aldeia em que nasceu. Alguns anos depois, os brancos encontraram a aldeia deles. Eles traziam muitas ferramentas: machado, foice, faca e linha de anzol. Ele gostava muito dos machados, mas como era rapaz, não ganhava um; só ganhava uma pequena faquinha. Um homem branco chamado Thomas lhe deu essa faquinha. Eles não se acostumavam com o cheiro dos brancos; todos os cheiros deles eram estranhos. Eles eram todos barbados, pareciam rostos de macacos.
O pai o ensinava como pescar
Os outros parentes, do povo myky, chegaram à sua aldeia pela primeira vez e trouxeram linha de anzol. Assim que deram anzol para seu pai, eles pescavam com ele. Seu pai lhe deu um anzol para pescar. Quando ele estava pescando, um peixe grande pegou seu anzol. Seu pai ficou com muita raiva e quase o bateu. Mergulhou em toda a parte da água, mas não achou o anzol. Depois, outro cara chamado Kayoweta o chamou para pescar com ele. Eles chegaram à beira do rio e começaram a pescar. Ele pegou um peixe pela primeira vez e chamou seu tio: "Tio, peguei um peixe!" Ele tremia muito porque era a primeira vez que pescava. Eles pescavam no rio Wadadawina Camararé. Também havia um homem chamado Lolawena Yaõkwali, que sabia fazer anzol de pesca tradicional. Era uma vida difícil na sua aldeia Halataikwa Kiwixi Akwanekwa.
Remo de canoa
A canoa era feita de casca de árvore da jatubeira. Essa canoa era difícil de atravessar o rio, porque era muito pesada; eles ficavam com muitas dores no corpo enquanto remavam. Eles iam para a roça de milho, chamada Wayalatakwa. Quando chegavam ao acampamento à noite, os pescadores começavam a pescar e pegavam traíras. Depois, voltavam ao acampamento e começavam a oferecer os peixes para alimentar os espíritos. Também oravam a Deus (enore nawe).
Outros parentes do povo Rikbaktiak chegaram à aldeia com canoa
Na primeira vez que descobriram como fazer canoa, os seus parentes Rikbaktiak chegaram com uma canoa de madeira. Eles ficaram muito impressionados com a canoa deles. Por isso, ele e seu pai começaram a aprender a fazer canoas de madeira. Os outros parentes não gostaram da ideia, porque pensaram que eles não conseguiriam fazer canoa de madeira. Depois que conseguiram fazer a canoa, os outros ficaram muito chocados ao vê-la.
Como ele casou
Ele casou com a filha do cacique chamado Ataina Kotiyali. Um cara chamado Doñalise, também conhecido como Sotakatali, foi quem arranjou uma moça para ele se casar. Eles o escolheram quando ele era criança, e a filha do cacique também era criança. Depois, quando ficaram jovens, eles casaram e começaram a ter filhos.
Medicina tradicional
Como ele descobriu os remédios tradicionais: seu tio Anaõliali lhe mostrou os remédios, porque seu filho Alawi era muito fraquinho e quase morreu por causa da fraqueza. Seu tio ficou com muita raiva dele por causa da fraqueza do filho. Ele falou que havia remédio para essa fraqueza. Por isso, ele pagou a medicina do tio para curar seu filho, pagou com um colar. Foi assim que descobriu a medicina.
Barragem de pesca
Eles fizeram uma barragem de pesca durante o ritual do Yaõkwa. Pegaram muitos peixes com o ritual e os levaram para a aldeia para sustentar a comunidade, o ritual e suas famílias. Ele era um grande guerreiro que batia em várias pessoas durante o ritual da chegada do Yaõkwa, o ritual da pescaria.
Seu povo quase não sobreviveu
Ele e seu pai foram sobreviventes do seu povo Hotakanese. Ele cuidava do ritual Yaõkwa com dificuldade: fazia fogueira, preparava xixa e os alimentos tradicionais enquanto era anfitrião.
Como passou o avião em cima da aldeia pela primeira vez
Contaram que um avião flutuou em cima da aldeia. Eles ficaram muito assustados porque nunca tinham visto um avião. Eles não sabiam que alguém estava pilotando aquele avião, pensaram que todos iriam morrer. Um ano depois, um avião flutuou de novo em cima da aldeia. Eles tentaram atirar no avião, mas não conseguiram. O avião jogou machado e faca dentro da aldeia. Ficaram muito assustados e fugiram para o mato. Sua mãe o escondeu com folhas de árvore. O cheiro do machado era muito estranho; eles não suportavam aquele cheiro. Na terceira vez que o avião flutuou em cima da aldeia, ele jogou uma boneca parecida com uma criança. Eles pensaram que tinham jogado a filha deles para eles. Ficaram muito preocupados ao ver aqueles bonecos.
Contato com homens brancos
Eles estavam na roça de milho com seus pais. Os outros parentes Watowa, Talaõtiwali e Xalokwa foram para o outro lado do rio Juruena, porque lá havia muitos peixes. Foram eles que encontraram os brancos. Watowa pegou um machado dos brancos, e eles ficaram muito impressionados com aquilo: o machado era muito afiado e bonito também. Depois, voltaram para a aldeia, e um pajé contou sobre a chegada dos brancos. O pajé falou que os brancos não iriam machucá-los, que eles só iriam lhes dar machados. Foi o que o pajé disse.
Sobre a demarcação da terra indígena
Quando demarcaram a terra pela primeira vez, Kiwixi trouxe um mapa para eles. Kiwixi falou que invasores estavam invadindo a terra deles. Kiwixi contou ao cacique da aldeia para demarcarem a terra. Kiwixi convidou os caciques ataina, Kawali e Yonaire. Os outros caciques não quiseram demarcar a terra; apenas Yonaire, o mais inteligente, demarcou a terra. Depois que demarcaram a terra, Kiwixi contou que outros garimpeiros invadiram a terra deles novamente, lá no local da Roda da Água.
Contando sobre Yonaire
Yonaire era muito inteligente. Quando estavam coletando castanhas, ele falou: "Vamos plantar a castanha para os nossos netos." Yonaire também não entendia de dinheiro; não gostava de nota de cem reais, só gostava de nota de dois reais.
Como era difícil a vida na aldeia
Seu pai lhe contou que nunca ficava na aldeia; sempre ficava no mato, procurando sua comida, caçando e pescando. Ele ficava no mato por dois anos. Contou passo a passo...
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