Vou contar os tempos difíceis de luta que passamos diante do diagnóstico de esquizofrenia do meu irmão Rodrigo,diagnóstico esse que nos levou a trilhar por dias desesperadores.
Quando meu irmão teve seu primeiro surto o seu diagnóstico nos colocou diante da realidade da precariedade dos tratamentos mentais do nosso país,preconceito e exclusão.Meu irmão chegara a derrubar no chão a casa que morava com minha mãe,criando um outro problema.As várias internações,as indas e vindas ao Cersam(lugar em minha cidade onde é ofertado o tratamento referente à saúde mental),o uso de álcool,drogas,os períodos de agressividade eram cada vez mais frequentes é difícil de resolver.
Na época eu estudava no Eja e durante uma aula ouvi por horas o professor falar sobre os direitos humanos e o direito à saúde e dignidade acendendo no peito uma fagulha de esperança,no dia seguinte levantei e procurei o telefone dos direitos humanos,Qnd consegui realizar o contato, me ouviram por quase duas horas,pude relatar tudo que tava acontecendo,preconceito e descaso dos profissionais da saúde,enfim fui encaminhada a promotoria de saúde da minha cidade que através da denúncia aos direitos humanos pode fazer uma cobrança aos centros de saúde referente ao caso,pedindo comprometimento e o tratamento adequado,me orientaram com relação ao benefício que lhe era direito,os documentos que ele não tinha e através desse benefício resolver o problema da moradia dele é da minha mãe na época, porque a casa havia sido derrubada por ele e a gente não tinha condições nem de pagar para fazer a remoção dos escrombos,fui orientada a mover uma ação contra o inss que negava os direitos ao benefício.E assim dá um recomeço digno,um tratamento humanizado para o meu irmão.



