IDENTIFICAÇÃO Meu nome é Arivaldo Coelho da Costa. Nasci em Aracajú, Sergipe, em 18 de maio de 1954. INGRESSO NA PETROBRAS Ingressei na verdade em uma subsidiária, a Nitrofértil. Foi em 6 de outubro de 1980 e, em 1993, se deu a incorporação pela Petrobras, passando a chamar Fafen - Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados. Eu entrei no concurso em 1979. Fui considerado até um felizardo dentro da empresa, porque tive uma ascensão muito rápida. Por ser uma empresa nova em Sergipe, nós fomos os pioneiros, os primeiros operadores da Nitrofértil. Para a pré-operação da planta vieram colegas de fora, de outros estados, da Bahia principalmente, num nível hierárquico superior ao nosso. Na época, éramos operador estagiário. Viemos fazer nosso treinamento. Foi um ano, em Camaçari. Após o estágio retornamos para Laranjeiras, onde fica nossa unidade de negócios e fizemos a pré-operação da planta. A partir da planta em si começou a produção. Aquelas pessoas, que estavam lá transferidas, saíram para outras empresas e surgiram as vagas. Por isso, eu disse no início que fui felizardo dentro da empresa, por causa dessas ações. As vagas foram surgindo, os concursos, fui aproveitando dentro do possível. Então com 3 anos eu já era um operador 2, passei para operador 3, que hoje é similar ao supervisor, o operador chefe como era chamado naquela época. Após a incorporação, há 6 anos fui convidado para exercer a função de coordenador de turno, na qual estou até hoje. TRAJETÓRIA PROFISSIONAL Entrei como operador estagiário, aprendendo as atividades aqui em Camaçari. Findou esse primeiro ano e automaticamente fomos reclassificados como operador 1, que era o início da operação. Quando partiu a planta de Laranjeiras, eu trabalhava na área de compressão, trabalhava só com compressores de CO². Eram cinco seções na unidade e eu trabalhava na unidade de uréia. Tinha compressores, tinha área de...
Continuar leituraIDENTIFICAÇÃO Meu nome é Arivaldo Coelho da Costa. Nasci em Aracajú, Sergipe, em 18 de maio de 1954. INGRESSO NA PETROBRAS Ingressei na verdade em uma subsidiária, a Nitrofértil. Foi em 6 de outubro de 1980 e, em 1993, se deu a incorporação pela Petrobras, passando a chamar Fafen - Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados. Eu entrei no concurso em 1979. Fui considerado até um felizardo dentro da empresa, porque tive uma ascensão muito rápida. Por ser uma empresa nova em Sergipe, nós fomos os pioneiros, os primeiros operadores da Nitrofértil. Para a pré-operação da planta vieram colegas de fora, de outros estados, da Bahia principalmente, num nível hierárquico superior ao nosso. Na época, éramos operador estagiário. Viemos fazer nosso treinamento. Foi um ano, em Camaçari. Após o estágio retornamos para Laranjeiras, onde fica nossa unidade de negócios e fizemos a pré-operação da planta. A partir da planta em si começou a produção. Aquelas pessoas, que estavam lá transferidas, saíram para outras empresas e surgiram as vagas. Por isso, eu disse no início que fui felizardo dentro da empresa, por causa dessas ações. As vagas foram surgindo, os concursos, fui aproveitando dentro do possível. Então com 3 anos eu já era um operador 2, passei para operador 3, que hoje é similar ao supervisor, o operador chefe como era chamado naquela época. Após a incorporação, há 6 anos fui convidado para exercer a função de coordenador de turno, na qual estou até hoje. TRAJETÓRIA PROFISSIONAL Entrei como operador estagiário, aprendendo as atividades aqui em Camaçari. Findou esse primeiro ano e automaticamente fomos reclassificados como operador 1, que era o início da operação. Quando partiu a planta de Laranjeiras, eu trabalhava na área de compressão, trabalhava só com compressores de CO². Eram cinco seções na unidade e eu trabalhava na unidade de uréia. Tinha compressores, tinha área de síntese, aquelas bombas de amônia, reator, tinha área de reação e decomposição e a área de granulação. Então, eu comecei na área de compressão, como operador 1, e fiquei algum tempo, não me recordo exatamente quanto tempo. Os nossos gerentes na época tinham uma mentalidade já um pouco avançada, faziam rodízio com os operadores. Por exemplo: você era operador de uma determinada área, ficava determinado tempo naquela área operando e, depois, aprendia uma nova área e passava para aquela área. Assim sucessivamente, até completar o ciclo das cinco áreas daquela unidade. Então, para o gerente era muito bom, porque no final todos sabiam operar aquelas áreas. Então poderia suprir a ausência do outro, fazer troca com mais facilidade, esse era o ganho. Paralelamente, também tínhamos ganhos porque tínhamos novas experiências profissionais, então isso ajudava a crescer. E com o passar do tempo surgiram as vagas, como já disse anteriormente, das pessoas que foram saindo da empresa, os cargos acima do nosso, operador 2, operador 3, e surgiram os concursos. Aí fui também aprendendo a área do painel, porque naquela época para operar o painel de uma planta, você tinha que conhecer todas as áreas, tinha que ter uma certa experiência. Era um cargo mais para o operador 2. Quando eu fui ser operador 2, passei pelo painel também, e mais tarde surgiu o concurso para operador 3 e eu também fui reclassificado. Daquela turma oriunda de Sergipe, que foi contratada para operar a planta de Laranjeiras, eu fui um dos primeiros operadores a chegar a esse estágio por conta dessa facilidade. Como operador 3, a atividade era coordenar toda a equipe, todo o grupo de trabalho, que era o operador chefe, que hoje é o supervisor. UNIDADE FAFEM A Fafen tem duas unidades. A unidade de amônia, onde vai receber o gás natural para processar e produzir a amônia e, numa seção intermediária, o CO², o gás carbônico. E a unidade de uréia, para onde vão esses dois produtos, a amônia e o CO². O gás carbônico, através de compressores, é comprimido para o reator de síntese, junto com a amônia na fase líquida, através de bombas. Neste reator de síntese se dá a reação química, formando um composto de carbonato de amônia, que posteriormente, pela própria reação do reator, altamente isotérmica, sai em forma de uréia. Mas não totalmente, um percentual, uma solução aquosa, para ser recuperada depois mais adiante, separando a uréia que foi produzida dos excedentes de amônia e CO² e do carbonato que não foi reagido, reciclando e voltando para o reator. EDUCAÇÃO Eu fiz o segundo grau na época e a faculdade de Direito até 1979. Tranquei a matrícula, eu estudava no Rio de Janeiro, e vim conhecer a minha cidade natal, Aracajú, que eu não conhecia. A gente pode voltar um pouquinho atrás nessa história? INGRESSO NA PETROBRAS Quando eu cheguei em Aracajú em 1979, coincidiu de ter o concurso para a Nitrofértil, que estava requisitando uma turma para formar operadores que iriam operar a planta que estava sendo construída em Sergipe. Aí foi quando começou a vida dessa minha atividade nova. Fiz o concurso, fomos selecionados. Aí a turma que foi aprovada foi fazer o curso técnico de formação de operador na Escola Técnica Federal, bancado pela própria empresa. Foi um curso de dez meses de formação. Finda a formação, aqueles que foram aprovados imediatamente foram fazer estágio em Camaçari, por um ano. Antes disso, eu não tinha essa formação técnica. Trabalhava em escritório de advocacia, porque estava me formando em Direito. Eu estava já no quinto período em Direito. Aí foi uma reviravolta muito grande. SEGURANÇA DO TRABALHO A amônia é um produto muito tóxico e letal, dependendo da quantidade de PPM que você inale. Então, na unidade que a gente trabalha existe o risco muito grande de vazamento. Eu vou falar mais da unidade de uréia, não vou me deter muito na Fafen como um todo, porque ela é dividida em planta de amônia e planta de uréia e eu conheço um pouco mais a planta de uréia, trabalhei a vida toda lá. Nós já tivemos incidentes graves com tampão de bombas de alta pressão, que trabalhava na época com 250kg, de vazar bastante amônia; bombas estourarem o selo também com amônia. Felizmente, a própria equipe de trabalho conseguiu até hoje reverter essa situação. Não temos nenhum acidente grave. Já teve, no meu grupo de trabalho, quando eu era operador 3. Na época, o nosso reator de uréia, que trabalhava também com 250kg de pressão no topo do reator, uma válvula de controle - a PV 101, que controla a pressão do reator, abrindo e fechando – teve um descontrole. Era o turno das 16 à zero hora. Por volta das 22 horas começou o distúrbio, um ruído muito forte, e as linhas do reator vibrando a escada de acesso. O reator tem 80 metros aproximadamente de altura. Isso aconteceu de repente. A equipe era formada por oito operadores e todo mundo: “O que está acontecendo?” Aí eu chamei o colega para ir até a área e subir. Eu disse: “Tem um negócio no reator, vamos subir” O colega: “Vou nada, rapaz” “Mas rapaz, nós temos que ir” Ele disse: “Não, vou não, rapaz” “Eu vou com você, vamos lá nós dois” Aí ele: “Tá bom, vamos” Eu na frente, ele atrás, e a gente com medo, mas tinha que descobrir a causa específica. Quando chegamos lá em cima, até um pouco ofegante, porque subir escada a essa altura toda cansava. Mesmo envolvidos por aquele perigo, a gente não sabia realmente o que estava acontecendo, no escuro, com ajuda de lanterna, pudemos perceber que o descontrole era na válvula. A válvula estava recebendo informação errada. A pressão mesmo normal, mas o instrumento estava indicando que ela estava com uma pressão maior no sistema, então estava abrindo demais essa válvula, causando aquela vibração, aquele ruído. Felizmente deu para identificar e a gente passou a ordem lá de cima para o operador fechar a válvula e aí normalizou tudo.Nós descemos depois. Quando o grupo soube do colega que ficou com aquele temor, foi aquela gozação, todo mundo tirando onda. Mas não é porque eu tenha sido corajoso não, tínhamos que ir lá, alguém tinha que resolver o problema. O perigo é constante. Minha família sabe a hora que vou trabalhar, mas não sabe a hora que vou voltar, porque a gente vive num constante perigo. As nossas unidades, além de temperaturas e pressões elevadas, ainda têm o agravante dos riscos de vazamentos. A unidade de amônia trabalha com gás natural que vem dos poços. O gás é tratado na unidade, na UTPF. Vai direto para a unidade de amônia para ser tratado, para ser fracionado. Nós temos risco de ter vazamento de gás, temos fornalha, temos reatores, então são altas temperaturas, pressões elevadas. É isso, a gente fica sempre trabalhando com todo o cuidado. Nós da Fafen - Laranjeiras temos um agravante maior, porque estamos isolados naquela área. É no interior do Estado e toda e qualquer emergência nós é que temos de combater, não temos ajuda próxima. Somos até mais bem preparados para as nossas necessidades do que o próprio corpo de bombeiros, que fica na capital. Tudo realmente depende da gente, então todos lá são sabedores do risco que nós passamos, que nós vivemos. Por isso, a gente procura sempre combater no início o evento, antes que ele amplie-se. IMAGENS DA PETROBRAS Nós somos Petrobras, isso está patenteado. Tem uma história interessante comigo. Nasci em Aracajú, meu pai era marítimo e teve que ir para o Rio de Janeiro. Eu saí pequeno, com uns 3 anos de idade, aproximadamente. Fomos morar no Rio de Janeiro. Cresci lá, convivi e minhas amizades foram essas. Todos os meus colegas trabalhavam na Petrobras, na Reduc, e eu era o único que não trabalhava no sistema, eu trabalhava num escritório de advocacia. Essas amizades surgiram por conta do meu irmão, ele trabalhava na Reduc também, no laboratório, era analista. Então, nós formamos aquele círculo de amizade, as amizades nossas mesmo, já após a adolescência, foi de petroleiro, eu vivia naquele metiê. Então eu tinha a maior vontade de fazer parte da Petrobras. Foi quando em 1979 vim para Aracajú, gostei da cidade, fiquei e surgiu essa oportunidade de trabalhar na área petroquímica. A imagem que eu tinha da Petrobras era a melhor possível, porque eu via naquela época os meus amigos que falavam bem da empresa, que tinha uma auto-sustentação, eram bem remunerados em relação às outras atividades. Os meus amigos tinham facilidade de conquistar as coisas, de comprar carros, eu não, eu ficava sempre atrás. Então, eu almejava aquele objetivo. Tinha o sonho de um dia trabalhar na Petrobras, mas nunca pensei que fosse dessa forma, realizado através de uma incorporação. Então, hoje eu falo pelos meus colegas de atividade que nós temos consciência de que nós somos Petrobras, nós temos um certo grau de importância no sistema. ENTREVISTA Na verdade, fui pego de surpresa. Eu estava de folga e aí a nossa colega de trabalho, Marleide, fez contato para a minha residência. Primeiro fez o convite, se eu poderia participar desse evento. Só que ela, naquele instante, não pôde me dar muitos detalhes e ficou de passar esses detalhes na segunda-feira, no caso ontem. Aí é que eu fui saber mais ou menos do que se tratava. Ontem, não tive muito tempo para fazer nada porque trabalhei no ramal de quatro à meia-noite. Dormi um pouquinho, peguei o vôo das sete e estou aqui hoje. Eu estou achando excelente, mesmo sendo assim de surpresa. Não sabia o que ia acontecer, o que eu ia falar, mas estou procurando ser o mais natural possível. E até agora eu estou gostando, na primeira parte da entrevista me senti muito à vontade. Eu acho que é válido. Vamos armazenar essas vivências de todos nós que participamos ao longo desses anos e, além de perpetuar, passar esses enfoques para os demais que fazem parte do sistema.
Recolher