Todos os anos, a mesma resistência. Eu, uma pessoa sem motivos aparentes para não gostar do Natal, não colocava em casa sequer uma imagem que remetesse aquela data.
Com três filhos, sendo dois de um pai e uma de outro, enquanto eram crianças e por influência da avó dos mais velhos, permitia que arrumassem a casa para aquela comemoração anual. Mas eles cresceram. Quase ao mesmo tempo, separei-me do pai deles. Entretanto, ao longo dos anos, criamos o hábito de dividir as nossas festas de final de ano. O Natal era sempre com os seus respectivos pais. E durante o réveillon, todos estavam comigo.
Mas infelizmente, o pai da caçula esqueceu que ela existia e parou de procurá-la. Isso fez com que criássemos mecanismos para que ela não sentisse tanto a ausência dele nesse período.
Os dois mais velhos, sempre que podiam pensavam em estratégias e viagens para que ficássemos com Mel, a Caçulinha.
Mas ela também cresceu! E chegou um momento em que se sentia triste e desamparada por não ter uma família perto para comemorar o Natal.
No meu egoísmo e com minhas questões psicológicas, eu não visualizava aquela solidão que ela passava anualmente.
Em 2024 fizemos uma viagem e sofremos um acidente. Estávamos nós quatro e por muito pouco não morremos. Estávamos no carro e havia no caminho uma árvore. Havia uma árvore no caminho... E ela impediu de cairmos em uma ribanceira. O passeio teve o final não tão esperado, mas mudou a nossa vida.
Ao chegar na cidade de origem, Caco e Nina compraram materiais para fazermos uma pequena ceia e ficarmos com Mel para que ela sentisse o coração aquecido e a sensação de ter uma família.
Os mais velhos não deixaram de ir para a ceia com a família do pai, apenas foram mais tarde. Juntos, arrumamos a casa e a ceia e passamos o primeiro Natal em família: eu e meus filhos. Foi um final de ano diferente. Mas foi o Natal necessário. Foi como se tivéssemos nascido naquele ano. E a nossa Mel, não...
Continuar leitura
Todos os anos, a mesma resistência. Eu, uma pessoa sem motivos aparentes para não gostar do Natal, não colocava em casa sequer uma imagem que remetesse aquela data.
Com três filhos, sendo dois de um pai e uma de outro, enquanto eram crianças e por influência da avó dos mais velhos, permitia que arrumassem a casa para aquela comemoração anual. Mas eles cresceram. Quase ao mesmo tempo, separei-me do pai deles. Entretanto, ao longo dos anos, criamos o hábito de dividir as nossas festas de final de ano. O Natal era sempre com os seus respectivos pais. E durante o réveillon, todos estavam comigo.
Mas infelizmente, o pai da caçula esqueceu que ela existia e parou de procurá-la. Isso fez com que criássemos mecanismos para que ela não sentisse tanto a ausência dele nesse período.
Os dois mais velhos, sempre que podiam pensavam em estratégias e viagens para que ficássemos com Mel, a Caçulinha.
Mas ela também cresceu! E chegou um momento em que se sentia triste e desamparada por não ter uma família perto para comemorar o Natal.
No meu egoísmo e com minhas questões psicológicas, eu não visualizava aquela solidão que ela passava anualmente.
Em 2024 fizemos uma viagem e sofremos um acidente. Estávamos nós quatro e por muito pouco não morremos. Estávamos no carro e havia no caminho uma árvore. Havia uma árvore no caminho... E ela impediu de cairmos em uma ribanceira. O passeio teve o final não tão esperado, mas mudou a nossa vida.
Ao chegar na cidade de origem, Caco e Nina compraram materiais para fazermos uma pequena ceia e ficarmos com Mel para que ela sentisse o coração aquecido e a sensação de ter uma família.
Os mais velhos não deixaram de ir para a ceia com a família do pai, apenas foram mais tarde. Juntos, arrumamos a casa e a ceia e passamos o primeiro Natal em família: eu e meus filhos. Foi um final de ano diferente. Mas foi o Natal necessário. Foi como se tivéssemos nascido naquele ano. E a nossa Mel, não se sentiu desamparada, pois ela dizia que as amigas chamavam-na para a cerimônia natalina na casa delas. No entanto , ela se sentia envergonhada porque entendia que aquela data era familiar.
E assim, comecei a repensar a importância de ter criado bem e unidos os meus filhos. Uns pelos outros.
Recolher