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Por: Museu da Pessoa, 5 de junho de 2026

A Dança da Minha Vida

Esta história contém:

A Dança da Minha Vida

Vídeo

Herança do meu pai

Eu costumava assistir a tudo de longe, sentada no terreiro, enquanto os homens mais velhos puxavam as cadeiras em roda para conversar sobre a Tapuia. Naquele tempo, a Tapuiada era coisa de homem, e nós, mais novas, quase não prestávamos atenção nos papéis onde eles anotavam as músicas, os nomes e o jeito de fazer a festa. Meu pai conhecia aquilo tudo de memória. Quando ele morreu, em 2001, a Tapuiada acabou parando. Depois de um tempo, eu e minha filha Camila resolvemos colocar a festa de pé outra vez. Foi aí que eu descobri o tamanho do trabalho. Passei madrugada tingindo macacões para parecerem novos, costurando cabaças, ajeitando máscaras e procurando penas para os trajes dos índios e dos congos. Até teve uma vez, em que uma amiga viu uma ema morta na beira da estrada, parou o carro e tirou as penas para a gente aproveitar nas roupas. Era assim: cada um ajudava como podia. Em meio a tantas adversidades a nossa maior dificuldade hoje é conseguir sanfoneiros, arrumar gente nova para dançar e dar conta de todos os detalhes antes de sair para a apresentação. Mesmo assim, quando os tambores começam e as espadas de madeira se encontram no meio da roda, eu sinto que vale a pena. Enquanto tiver força para ajudar, eu quero ver a Tapuiada acontecendo de novo, todo ano, em Paracatu.

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