Relato de Priscila
Meu nome é Priscila. Sou servidora pública do município de Sarandi e sempre acreditei que o serviço público deve ser exercido com dignidade, respeito e compromisso com as pessoas.
Durante minha trajetória profissional, procurei lutar por melhores condições de trabalho, não apenas para mim, mas para todos os colegas. Trabalhei em uma unidade de saúde onde enfrentávamos situações que considero incompatíveis com a dignidade humana. Havia um banheiro com um aviso proibindo a utilização para necessidades fisiológicas, frequentemente faltava água, a caixa d’água não recebia a limpeza adequada e, muitas vezes, éramos obrigados a consumir água em condições que nos causavam insegurança. Essas eram apenas algumas das dificuldades enfrentadas diariamente.
Sempre busquei que esses problemas fossem solucionados. Minha intenção nunca foi criar conflitos, mas contribuir para um ambiente de trabalho mais justo, seguro e respeitoso para servidores e usuários do serviço público.
Sou uma mulher negra e sempre tive um tom de voz mais firme e grave. Em determinado momento, passei a ser alvo de perseguições por parte da coordenação da unidade onde trabalhava. Sofri humilhações e constrangimentos relacionados à forma como eu falava e me expressava. Na época, eu já comentava que havia a suspeita de ser autista e explicava que meu modo de comunicação sempre foi diferente. Também cresci convivendo com meu avô, que era surdo, o que influenciou minha maneira de me comunicar.
Em vez de compreensão e acolhimento, encontrei críticas, ironias e situações que me fizeram sentir diminuída. Fui retirada do meu local de trabalho e vivi um período muito difícil.
Foi justamente essa experiência que me impulsionou a buscar respostas sobre mim mesma. Após investigação clínica, recebi o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA). O que antes era tratado como motivo de questionamentos ou chacotas passou a...
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Relato de Priscila
Meu nome é Priscila. Sou servidora pública do município de Sarandi e sempre acreditei que o serviço público deve ser exercido com dignidade, respeito e compromisso com as pessoas.
Durante minha trajetória profissional, procurei lutar por melhores condições de trabalho, não apenas para mim, mas para todos os colegas. Trabalhei em uma unidade de saúde onde enfrentávamos situações que considero incompatíveis com a dignidade humana. Havia um banheiro com um aviso proibindo a utilização para necessidades fisiológicas, frequentemente faltava água, a caixa d’água não recebia a limpeza adequada e, muitas vezes, éramos obrigados a consumir água em condições que nos causavam insegurança. Essas eram apenas algumas das dificuldades enfrentadas diariamente.
Sempre busquei que esses problemas fossem solucionados. Minha intenção nunca foi criar conflitos, mas contribuir para um ambiente de trabalho mais justo, seguro e respeitoso para servidores e usuários do serviço público.
Sou uma mulher negra e sempre tive um tom de voz mais firme e grave. Em determinado momento, passei a ser alvo de perseguições por parte da coordenação da unidade onde trabalhava. Sofri humilhações e constrangimentos relacionados à forma como eu falava e me expressava. Na época, eu já comentava que havia a suspeita de ser autista e explicava que meu modo de comunicação sempre foi diferente. Também cresci convivendo com meu avô, que era surdo, o que influenciou minha maneira de me comunicar.
Em vez de compreensão e acolhimento, encontrei críticas, ironias e situações que me fizeram sentir diminuída. Fui retirada do meu local de trabalho e vivi um período muito difícil.
Foi justamente essa experiência que me impulsionou a buscar respostas sobre mim mesma. Após investigação clínica, recebi o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA). O que antes era tratado como motivo de questionamentos ou chacotas passou a ter uma explicação baseada em avaliação profissional.
Além disso, fui alvo de um processo administrativo instaurado pela mesma pessoa que me perseguia. Ao final, o procedimento foi arquivado por falta de provas, demonstrando que as acusações não se sustentavam.
Também busquei a Justiça para defender meus direitos. Alguns processos ainda seguem em andamento, mas sigo acreditando que a verdade encontra seu caminho.
Hoje compreendo que minha história não é apenas sobre sofrimento. É uma história de resistência, de busca por direitos, de reconhecimento da minha identidade e da importância de não silenciar diante das injustiças.
Espero que este relato permaneça como memória para que outras pessoas saibam que denunciar condições inadequadas de trabalho não deveria ser motivo de perseguição. Que diferenças, como o autismo, merecem respeito e compreensão. E que a Justiça, mesmo quando demora, pode chegar.
Minha história é a prova de que resistir também é uma forma de transformar a realidade.
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