A maternidade sempre foi um desejo para mim. Mas, quando minha filha mais velha nasceu, há 13 anos, percebi que aquilo que pintavam sobre a maternidade não conversava com as mulheres reais que eu conhecia e com quem eu falava.
Os canais na internet, as revistas e grande parte dos discursos mostravam uma maternidade quase performática, romantizada, distante da realidade. Foi aí que entendi que eu precisava falar sobre isso.
Talvez meu lado aquariano também tenha influência nisso. Nunca consegui me moldar muito a essa ideia de que “mães precisam ser assim” ou “assado”. Sempre me incomodou perceber o quanto tentam encaixar mulheres em modelos prontos, inclusive dentro da maternidade.
Depois do nascimento da minha filha mais nova, lancei um livro que acredito traduzir muito do que penso sobre maternar. Julga-se muito as mães. Cobra-se muito das mães. Existe sempre alguém dizendo qual é o jeito certo, a forma correta, o caminho ideal.
Mas a verdade é que não somos todas iguais e não haveria como sermos iguais na maternidade.
Cada mulher atravessa essa experiência com sua própria história, seus limites, suas dores, sua rede de apoio (ou ausência dela), seus afetos e suas possibilidades.
Hoje, parte do meu trabalho e da minha forma de existir no mundo é encorajar outras mulheres a viverem como seres humanos completos, e não como personagens de perfeição.
Minhas filhas me ensinam todos os dias. Me ensinam a ter mais paciência, a respirar antes para não ter um piripaque, a procurar sempre o meu melhor. Mas, acima de tudo, me ensinam sobre amor.
Um amor real, imperfeito, vivo e profundamente humano.
Acredito que é possível maternar sem tentar corresponder a todas as expectativas impostas às mulheres. E talvez uma das formas mais potentes de cuidado seja justamente permitir que mães sejam reais.