Capítulo I
Em 1954, nasceu uma menina, na cidade de São Bento Maranhão. Dia primeiro de setembro, filha de Claudionor Campos e Joana Guimarães Campos e lhe deram o nome de Maria do Rosário de Fátima Guimarães Campos. Em homenagem a Nossa Senhora Mãe de Jesus e também uma irmã, Maria do Rosário Guimarães Vale (im- memória) que tinha o mesmo nome. E essa criatura, que vos fala, sou eu; e afirmo que cresci, em um cenário pobre com muitas dificuldades.
Os meus pais, tiveram 5 filhos, sendo; um menino e 4 meninas, onde sou a primeira na ordem de filiação. Era muito tímida, triste por me achar feia e medrosa. Tinha pavor das histórias de Curupira, assombração, homem de branco, alma penada, a procissão dos mortos, que os adultos contavam. E ia seguindo, com meus irmãos sob o comando deles, que davam as ordens, a serem cumpridas. Não tive muitos brinquedos, mas não faltava o pão de cada dia. Tive uma criação muito dura, porém honesta, com bons ensinamentos que me serviram para a vida. A luta dos meus pais, era muito grande, para não deixar faltar nada.
Contudo, ainda faltava, pois, tudo era diferente de outras casas, de outras crianças, que não sei explicar. Mas, dava a impressão, de que a vida do vizinho era mais fácil, por notar tamanha diferença. Quando cresci, pude entender a diferença econômica, entre as pessoas e a má distribuição de renda, na cidade e no país. Antes, desse entendimento sobre a vida eu quero contar sobre os acontecimentos principais, que considero importantes. Um pouco do que vi na vida.
Primeira, segunda, terceira, quarta e quinta escolas, por onde passei.
Minha infância, sem entender nada da vida, só queria brincar e brincar, ter amiguinhos e tinha dificuldades. Por vergonha dos outros me acharem saliente ou besta, e meu pai brigar, me bater ou mesmo me decepcionar perante todos. Porque tive uma infância muito dolorida, por apanhar muito em casa, para aprender a...
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Em 1954, nasceu uma menina, na cidade de São Bento Maranhão. Dia primeiro de setembro, filha de Claudionor Campos e Joana Guimarães Campos e lhe deram o nome de Maria do Rosário de Fátima Guimarães Campos. Em homenagem a Nossa Senhora Mãe de Jesus e também uma irmã, Maria do Rosário Guimarães Vale (im- memória) que tinha o mesmo nome. E essa criatura, que vos fala, sou eu; e afirmo que cresci, em um cenário pobre com muitas dificuldades.
Os meus pais, tiveram 5 filhos, sendo; um menino e 4 meninas, onde sou a primeira na ordem de filiação. Era muito tímida, triste por me achar feia e medrosa. Tinha pavor das histórias de Curupira, assombração, homem de branco, alma penada, a procissão dos mortos, que os adultos contavam. E ia seguindo, com meus irmãos sob o comando deles, que davam as ordens, a serem cumpridas. Não tive muitos brinquedos, mas não faltava o pão de cada dia. Tive uma criação muito dura, porém honesta, com bons ensinamentos que me serviram para a vida. A luta dos meus pais, era muito grande, para não deixar faltar nada.
Contudo, ainda faltava, pois, tudo era diferente de outras casas, de outras crianças, que não sei explicar. Mas, dava a impressão, de que a vida do vizinho era mais fácil, por notar tamanha diferença. Quando cresci, pude entender a diferença econômica, entre as pessoas e a má distribuição de renda, na cidade e no país. Antes, desse entendimento sobre a vida eu quero contar sobre os acontecimentos principais, que considero importantes. Um pouco do que vi na vida.
Primeira, segunda, terceira, quarta e quinta escolas, por onde passei.
Minha infância, sem entender nada da vida, só queria brincar e brincar, ter amiguinhos e tinha dificuldades. Por vergonha dos outros me acharem saliente ou besta, e meu pai brigar, me bater ou mesmo me decepcionar perante todos. Porque tive uma infância muito dolorida, por apanhar muito em casa, para aprender a cartilha do ABC, os números etc. Na minha época, não havia Jardim de infância. E sim, a professora particular que fazia esse papel. E a minha, se chamava Dona Maria Alves. Foi onde aprendi as primeiras letras e minha mãe, pagava a mensalidade. Como funcionaria publica, trabalhava no Cartório do 2° ofício da cidade juntamente com sua querida irmã, que era a escrivã, e ela lhe pagava o salário, que muito serviu: e era o certo de todos os meses, porque o meu pai, também trabalhava por conta própria, como alfaiate, que era sua profissão. E com isso eu fui criada, com meus amados irmãos: Maria do Perpétuo Socorro Guimarães Campos, Maria Helena Guimarães Campos Pinto, José Raimundo Guimarães Campos (im-memória) e Tamar de Jesus Guimarães Campos, os sangues do meu sangue e eternos amores de minha vida. As duas moram aqui em São Bento, Tamar em To, e eu em Tasso Fragoso- MA. Estudei na escola de Dona Maria Alves (im-memória), que era na casa dela e ficava em uma esquina, de calçada alta, antiga de janelas abertas para o beco, de sala grande e a mesa também com bancos compridos sem ter encostos e uma palmatória do lado. E o quadro era negro, feito de compensado e pintado. Era próprio para o giz branco, onde somente a “mestra” tinha o direito de escrever. Sendo colocado, em um cavalete de três pernas. A mesa cabia todos sentados para escrever e ler, aos sábados a tabuada era cantada em coro.
Lá, tinha muitos alunos, que seus pais também pagavam e seguia em um ritmo só, e todos temiam a palmatória, os beliscões e outros castigos. Foi um tempo, de muita pobreza e horrores, não tínhamos merenda escolar. Pois hoje naquele tempo, não havia a facilidade que tem hoje, como é o caso, dos programas de governo. Fiquei nessa escolinha, até a hora de ser matriculada no Grupo Escolar Paroquial. Regido por padres e freiras.
A casa foi demolida, mas o beco lembra a mestra dona Maria Alves, que foi uma de várias esquecidas donzelas, sem grandes emoções da Juventude, porque não tinha tempo para casamento ou por ter passado por grande desilusão. Ou mesmo, por estar envolvida com as crianças da época, ensinando o be a bá, para muitas gerações. E foi lá, que aprendi as primeiras letras e colocar o meu nome e a ler as primeiras palavrinhas, e na época chamavam de pré-liminar. E com o documento dado por ela, foi matriculada na Escola Paroquial.
Ao chegar lá, fui para o primeiro ano A. Mas, tinha 3 primeiro ano. Depois, passei para o segundo, terceiro e quarto ano. Quando cheguei, no quinto ano, tinha sido abolido. Daí fui para o Exame de Admissão, para entrar no Ginásio Bandeirante e fui aprovada. Justamente foi onde concluí o primeiro grau maior, com excelentes professores os quais tenho na lembrança dos anos 71 à 74 o meu abraço. Destacando a educadora Maria José Dias Bahury, a qual me espelhava. A todos, o meu muito obrigada. Tudo com muita luta e dificuldade pela timidez, que era constante. E que com o passar do tempo, ia superando gradativamente. E já no período da adolescência as coisas foram ficando mais sérias no sentido da educação, pois o meu pai, que era um homem muito difícil, porque não perdoava erros de filhos e tudo era na base de seus métodos ríspidos ao disciplinar. Inclusive, a professora Maria José Penha Aragão ao ser questionada, para falar a respeito da nossa criação, ela afirmou que, foi testemunha de todas as passagens ou ciclos da nossa vida e que apesar desses métodos não serem adequados, mas, que conseguimos superá-los e sermos bastante unidas, o que é um privilégio de poucos pais. (im-memória). Além de ser prima querida, foi minha Professora no Ginásio Bandeirante Desembargador Sarney na cidade de São Bento MA, a quem tenho muita estima.
Antigamente, por volta dos anos 70 e 80, as coisas eram mais difíceis do que hoje, tudo caminhava a passos lentos, porque ultrapassei a fase da Juventude. Uma vida, cheia de obstáculos, porque não mudava nada, até que ganhei um lugar para trabalhar como auxiliar no Cartório Eleitoral da cidade, com menos do que o salário- mínimo. Então, melhorou um pouquinho, porque tive o prazer de comprar algumas coisinhas, que tinha vontade para escolher na loja e também o entrosamento com os colegas de trabalho, e entre eles, quero frisar a saudosa amiga Maria de Fátima Costa Leite (em memória), numa forma de interagir socialmente. E também, fui morar com minha tia, dona do Cartório, que muito me ensinou de tudo um pouco.
Sempre fui ligada aos meus primos por parte de pai e por parte de mãe. Os de pai, sempre moravam longe, então, essa ligação, se intensificou mais, com os de parte de mãe. E brincávamos muito, mas, também brigávamos, coisas passageiras e logo estávamos bem, torcia muito para uma prima que estudava longe, chegar de férias. Que também, muito contribuiu para o meu desenvolvimento. Na época, ela estudava Medicina e eu o primeiro ano do Segundo grau (Magistério). Quando ela chegava o meu coração ficava em festa. Pois, conversávamos bastante e brincávamos de muitas maneiras. Jogávamos bola no quintal, com equipamentos e de muitas outras coisas. E a Dra Maria da Candelária Guimarães Bello e Silva, que também foi interrogada sobre a minha criação e de meus irmãos. E ela falou que fomos bem-criados e com muita honestidade. E assim, crescemos com muito amor, íamos a Igreja da Matriz de Senhor São Bento da nossa cidade, para sabermos, que existe um Ser Supremo e que precisamos demonstrar a nossa fé, como Católicos e toda a nossa família.
A minha tia, a qual morei com ela, era muito católica, de fazer promessas e pagar sozinha, pela vida de um ser se sua família, quando ficava a beira da morte, e fretava até avião, para levar para São Luís, para salvar; muito boa para nós, sobrinhos e todas as irmãs. Sem esquecer de dizer, que ela fazia muita caridade e entre elas, dava esmola todos os sábados, pela manhã em sua residência. Aprendi muitas coisas com ela e a chamava de mãe e respeitava bastante. Assim como respeitava todas as tias e os mais velhos, porque fui ensinada.
Estou falando da Senhora Tamar Guimarães Belo (im-memória) escrivã do Cartório do 2° Ofício desta cidade, herdado pelo seu pai e meu avô Gonçalo Guimarães (im-memória) que mandou-lhe ensinar para suas irmãs. E a minha mãe, foi uma delas. Ele foi pai de treze filhos, oito do primeiro casamento e cinco do segundo, e todos criados pela minha avó Inês Guimarães. E em São Bento MA, onde ele exercia várias funções: era professor, farmacêutico, médico e escrivão do Cartório da cidade. Depois colocou sua filha Celeste Guimarães, para estudar em São Luís na casa de sua irmã Maria Guimarães, onde ela estudou e se formou em professora Normalista com o curso de Magistério. Que mais tarde casou-se, ficou morando lá com sua família. E mais tarde levou sua irmã Luísa Catarina Guimarães (im-memória) para estudar. Ele, morreu do coração aos 55 anos e muito depois, seus filhos e filhas e alguns de seus netos. Porém, ainda tem muitos vivos para contar as histórias, como por exemplo “eu”, sou um deles, vinte e oito netos vivos. Enfim, todas as irmãs de minha mãe e de meu pai, as queridas tias, tiveram influência na minha vida. Sem esquecer da tia Rosa Guimarães Pestana e seus filhos, os meus primos assim também, como algumas de minhas primas, como a Doutora Maria Cecília Guimarães Penha Silva (im-memória) que foi a minha diretora no Ginásio Bandeirantes da minha época. E a educadora pedagoga, Maria Helena Guimarães Penha, me ajudaram a tirar a carteira de identidade em São Luís, quando ainda era uma estudante da Escola Normal Felipe Benício Conduru Pacheco.
Pois em nossa cidade, não havia o órgão competente. E a minha permanência com elas, era na casa da mãe delas, a Senhora Cleonice de Jesus Guimarães Penha, irmã da minha querida mãe, Joana Guimarães Campos (ambas im-memória) e o meu pai Claudionor Campos (em memória), que tinha plena confiança na família. E entre idas e vindas, até que fiquei morando com os parentes. Assim que terminei o Curso Normal, isto é, a conclusão da formação de Professor Normalista, com três anos de curso. E muito grata sempre, a todos educadores que fizeram parte da minha vida de 1975 a 1977, o meu abraço. Depois, fui morar em São Luís e me matriculei no 4° ano Normal na escola “Nina Rodrigues”. E minha tia Tamar, arrumou um serviço, no armazém Paraíba da Rua Grande. Por lá, trabalhei alguns meses e depois fui para outra loja chamada Jett. E nesse tempo tive ajuda também, da prima Doralice Guimarães Penha que era muito gaiata e engraçada. E andávamos muito, pela casa de nossa tia Celeste Guimarães Pinheiro, professora e diretora da Escola Modelo em São Luís. E nessas visitas, ela nos dava livros para lermos, enquanto ela estava na cozinha e depois perguntava alguma coisa sobre a história, quem era o autor e sempre eu respondia. Então, meu hábito pela leitura vem daí, por ter essa tia querida que sempre me incentivou, como grande educadora.
Capítulo II
E ao sair de lá, fui embora, para o fim do estado, a convite, para trabalhar com o sogro de Manoel da Conceição Guimarães Penha, e Sr Raimundo Araújo (Raimundinho e seu amigo Orizon Pereira em memória). Por ter trabalhado no Cartório Eleitoral de São Bento e com um pouco de experiência, fui convidada a viajar para o penúltimo interior do Maranhão, muito longe da capital e difícil para chegar lá, por não haver estrada boa. Hoje, sim, tem asfalto feito pela governadora da época. Era uma cidade pouco desenvolvida e de poucos anos de ter sido elevada a cidade, não tinha energia. A luz era de motor, das dezoito horas até às vinte e duas, por causa da escola Ginasiana que funcionava a noite. Antes, ele tinha o nome de “Brejo da Porta”. Porque havia um brejo, no meio da cidade, que passava nas portas, dos poucos moradores. E para esses moradores antigos, continua com o mesmo nome. Os de 80 e 90 anos ainda chamam pelo nome antigo.
Então, vir passear e ao mesmo tempo trabalhar, com os senhores; Raimundo Araújo (Raimundinho, im-memória). Como era conhecido pelo povo do lugar. Era sogro de Manoel da Conceição Guimarães Penha (em memória) meu primo, filho da tia Cleonice Guimarães Penha, morava aqui com sua esposa Maria Bernadete de Araújo Penha e filha, a educadora letrista Polyanna Vivian na cidade. Ele trabalhava no Banco Econômico e era professor de História no Ginásio “Vitorino Freire” a noite. Uma forma de contribuir, pois havia escassez de professor. E eu fiquei na casa dele e seu sogro, para ajudar na organização de um partido chamado MDB; onde o senhor Raimundinho Araújo e seu amigo Orizon Pereira, a fundarem esse partido, mas, precisava antes, dos preparativos, tendo como exemplo, a filiação partidária dos eleitores, cada um com três fichas preenchidas a punho, sendo uma para o eleitor, outra para deixar na pasta do partido e outra para ficar na Assembleia Legislativa do Estado do Maranhão.
E tudo foi feito a mão e aprovado por um funcionário daquela casa que foi enviado pelo Presidente da época Cid Carvalho. E que em seguida, criou-se a Fundação do Diretório do Partido, o que depois gerou a escolha de candidatos para pleitear a prefeitura Municipal de Tasso Fragoso Maranhão. E transcorreu em grande estilo, com muita festa com foguetes, grande almoço para os filiados, familiares, a esse rapaz, que presidiu tudo e ao povo que se fez presente. Foi muito bonito, com festa dançante à noite. E no dia seguinte, o rapaz voltou para São Luís, com a pasta repleta de boa parte de documentos, da sociedade tassofragosense que tinha sonhos de ver a cidade crescer. E eu, continuei aqui e fiz muitos amigos valiosos que eu guardo no coração.
Capítulo III
Depois, casei com um filho do lugar, que morava em Goiás e estava aqui porque veio visitar seus familiares e então namoramos e logo pediu-me, em casamento para os donos da casa, onde estava hospedada. E estes, entraram em contato com os meus pais, que responderam, que se eles aprovassem o rapaz, conhecessem que fosse de boa índole, também dava o consentimento. Logo foi acertado o compromisso. Isso foi em julho de 1981; e que ficou acertado para o mês de setembro, porque o meu noivo teria que voltar aquele estado, para encerrar o seu compromisso de trabalho, com os patrões. E assim, aconteceu. Programamos tudo e no dia marcado ele chegou e então nos casamos e em seguida fomos para a festa realizada pelos amigos Raimundinho e Orizon. E depois viajamos para a cidade de Porto Nacional GO, onde ficamos por três anos.
Onde tive meu filho, Alysson Campos da Silva, o nosso Príncipe. E nessa ocasião tive a preciosa ajuda de minha irmã Tamar de Jesus Guimarães Campos, que foi incansável por minha família, quando ganhei o meu filho. Mais tarde casou-se e ficou morando lá e viu o estado ser dividido. Hoje mora no estado de Tocantins, com sua família.
Porém, encontramo-nos no final do ano, com a maior alegria para celebrar o seu aniversário 31/12 em nossa cidade São Bento, juntamente com as outras irmãs e familiares. Sendo o grito de carnaval, fizemos essa festa acontecer (2 em 1). Junto com a família, tudo é mais divertido. Somos “As irmãs Gaiatas”. Depois ela vai embora e eu fico para o carnaval, onde me divirto com a chegada dos parentes, para ir ao bloco “Nem Tenta” que já é tradição para todos da família e que arrasta mais de mil pessoas comandado pelo amigo João França casado com minha sobrinha Claudilene Campos França e familiares carregando o Standart do Bloco.
Tivemos ajuda de minha querida cunhada Maria das Graças Alves Evangelista e seu esposo Domingos Evangelista. Foram boníssimos conosco. A amizade é grande e batizamos o nosso filho, com ela e seu filho D’Jangos Evangelista, a quem tenho muita consideração e apreço. Assim, também como os outros meus cunhados, onde parte deles, são meus compadres. Os quais tenho amor e respeito por toda a família de meu marido. Em seguido tive o convite de voltar para a cidade de Tasso Fragoso, para trabalhar como professora pois o lugar era carente. Convite esse, feito pelo prefeito da época, Senhor Alcir Pinheiro dos Santos (im-memória). Era 1984 e conversei com o meu marido e chegamos a um acordo. Aceitamos e demos a resposta no prazo de três dias. E lá, ele trabalhava de pedreiro, onde construiu várias casas de fazendas. Sendo o último da temporada, para um senhor do Paraná. Muito bom para nós. Mas, eu precisava trabalhar pela minha profissão e então, deixamos a cidade do antigo Goiás, a linda Porto Nacional, onde ainda tenho paixão. Mas, hoje, ela pertence ao estado do Tocantins, e tudo isso aconteceu antes da divisão do Estado.
Percebia que tudo daria certo e pedia a proteção de Deus, para ser firme, nas decisões e segurei os pés no chão e trilhei o caminho traçado por ele. Chegamos aqui na cidade com a cara e a coragem, em fevereiro de 1984, com o meu príncipe nos braços, alugamos casa e fomos trabalhar para comprar as coisas, pois as que tínhamos ficaram, porque não podemos trazê-las, por ser muito dependioso um frete e naquele tempo tudo era mais difícil do que hoje. Mas, Deus foi tão generoso comigo, que no mês que cheguei, já estava na folha de pagamento. Assim como o meu cunhado, o professor Eida Alves Silva, também, foi contratado e juntos contribuímos bastante para o engrandecimento da comunidade escolar. E as aulas começaram bem no início de março. Ganhei dois turnos, 1° grau menor e maior e alguns anos, entrei para o estado como funcionária como educadora e boa parte do alunado passou pelas minhas mãos. Foi muito bom conhecer o lugar fiz grandes amizades e conquistei o coração de toda a sociedade tassofragosense e preservo sempre.
E por traz de tudo, existe ainda, o carinho das pessoas e de suas famílias que nota-se através das gerações a caríssima amizade para comigo. Pois, sou muito querida na comunidade e pela sociedade.
Capítulo IV
Estudei também em outra cidade chamada Balsas, a pioneira da soja. Na luta pela faculdade onde fiz o curso de Matemática, deixando a família em casa. Foi muito duro, mas, consegui e venci. Muito embora, seja apaixonada pelas letras. O meu marido ajudou-me bastante nesta jornada, pois ficava com os filhos, na tarefa de ser pai e mãe. E continuava a árdua missão de ensinar e estudar, na UEMACESBA.
Era uma sala, repleta de senhores e senhoras de vários municípios, da região Balsense. Onde também, tudo era uma graça. Até mesmo em momentos de aula, em que o ministrador da aula falava um nome desconhecido, era motivo, para nos fazer sorrir, sem parar. Certa vez, uma colega, ao se explicar por que chegou atrasada, porque tinha que apresentar um assunto marcado por ele. E se embananou e fazia gestos mirabolantes, então, achamos, que ela queria aparecer na televisão, ao imitar o artista do SBT, “Marquito”, que trabalha no programa do Ratinho.
E isso, foi grande motivo para descontrole da aula e o Ministrador, queria saber o porquê daquela tamanha graça. E não conseguimos explicar nada. E nisso a aula terminou, e teve gente que fez até xixi na roupa. E muitos colegas, sorriam, mas não sabiam do que sorriam. Divertimo-nos bastante. Mas também, aprendemos e aplicamos tudo o que nos foi repassado.
Ganhava pouco, mas, era o que pagavam e tinha que segurar para vencer. Ensinava e aprendia ao mesmo tempo. Trabalhei muitos anos dando aulas para o quarto ano, o que hoje chamamos de quinto ano e foram 17 anos; depois a diretora da escola, onde trabalhava pelo estado colocou-me para dar aulas no ginásio. E junto com as turmas, trabalhamos bons projetos e apresentados no pátio da escola. O que sorteou alunos, com vários prêmios; bicicletas e outros, patrocinados por fazendeiros da região. E sempre de mãos dadas com as escolas estadual Enéas Maia Filho e municipal Vitorino Freire.
Passei por tantas dificuldades na vida, no período de estudante da Faculdade, sem ter casa na cidade vizinha. Dormia em casa de amigos, colegas de aula, para estudar; juntos se preparando para o dia seguinte apresentarmos trabalho. Tive ajuda também, de outras grandes amigas que moram naquela cidade, onde passei o 1º período em sua casa, a qual quero frisar; Maria da Cruz Alves, prima de meu esposo, agradeço de coração; Ana Isabel Guimarães, que também me acolheu em sua casa; e Evanir Carmo Ibiapino, que muito me levou para a sua casa e encheu minha barriga, porque, às vezes tinha o dinheiro só para uma refeição, ou nenhuma. Agradeço a todos do fundo do coração e só Deus para multiplicar o vosso pão. E agradeço aos filhos de Balsas, especialmente aos amigos e colegas de sala de aula do curso de Matemática de 2003. Foi sufoco! mas venci.
E a vida continuou na sala de aula, aplicando o que aprendi, trabalhamos belíssimas Projetos, com pesquisas nas fazendas de soja, milho e outras culturas, com apresentações no pátio das escolas, com convidados especiais. Foi tudo muito lindo! Com aplausos e prêmios. Além de trabalhos, com outros Projetos Culturais como por exemplo: quadrilhas, danças e o auto do bumba-meu-boi. Este que teve início em 1995, chamado, “Brilho da Noite”. Com muitas dificuldades, onde eu fazia tudo à mão e com ajuda da minha vizinha Delzuíta Ferreira, quando era católica, e hoje é crente. E entrávamos na noite, em forma de serão, sem pagamento, fazia porque queria me ajudar; a qual agradeço muito, desde a confecção da carcaça, suas roupas, seus brilhos e dos brincantes, que eram crianças e adolescentes. Pois, não tínhamos verbas, para as brincadeiras. Tudo apresentado no Espaço Cultural da cidade.
A coisa melhorou, no mandato do Senhor Prefeito Luciano Lopes e sua esposa Primeira-Dama Josemília Guimarães Lopes, que custearam tudo. Desde os enfeites, as roupas do boi e seus brincantes, nas cores: azul e branco de seda. Mais tarde essa cultura morreu porque os outros não se interessaram e só eu apaixonada pelas brincadeiras de São João. Mas a vida foi difícil, tanto profissional como a particular. Encerrei a carreira dando aulas no Ensino Médio em 2015. Mas eu passei por altos e baixos, muitas tristezas com perdas na família: Pai, mãe, sobrinha com luto emendado (2014, 2015 e 2016). Este último, foi o meu marido; e todos eles deixaram o meu coração dilacerado de tanta dor.
Não usufruímos de minha aposentadoria juntos, porque não deu tempo, aliás o tempo foi curto. Fiquei muito angustiada com sua morte, naquela época, me valia dos livros. Lia muito, na tentativa de amenizar a minha dor, porém, não tinha concentração. Mas, como Deus não me desamparou, consegui superar. E no decorrer de minha vida li muitos livros bons e fiz também, os meus alunos, lerem e fazerem os comentários. E até hoje gosto muito de uma boa leitura. E vivia sempre atrás de boas histórias para contar e incentivar o alunado durante a minha missão.
E até hoje gosto muito de ler e escrever tenho vários textos nos gêneros: Contos, Poemas, Poesias, Cordel, e minha Autobiografia. Eu gostaria que as pessoas lessem a minha trajetória de vida. E quero dizer a todos, que venci os desafios propostos a todos os momentos.
Gratidão imensa aos ex-prefeito Alcy Pinheiro dos Santos (im-memória) sua esposa e seus filhos, que marcaram a minha vida e de minha família. Tudo pela amizade que a família de meu marido tinha com eles. Assim também como o ex-prefeito Luciano Lopes e a família que me ajudou no que pôde. Inclusive na oferta da direção do Colégio Municipal Vitorino Freire. A senhora Maria das Graças Coelho Pinheiro, também ex- prefeita a qual me ajudou bastante. Os quais agradeço de todo o coração e lhes desejo muita saúde e que Deus esteja sempre no caminho de todos. E por tantas outras pessoas que fizeram parte da minha trajetória de vida. Assim como os colegas, professores: Maria José Oliveira, Jânia Maria Tavares, Maria Rizimar Barreira, Evanir Carmo Ibiapino, Josué Pereira, Sônia Maria a pedagoga, Margarida Maria de Meneses Dias que me ajudou e incentivou bastante e toda aquela turma que era muito engraçada. Que a Estrela de cada um não pare de brilhar e que Deus lhes dê saúde e muitas bênçãos. Obrigada por fazerem parte do quebra-cabeça de minha história. Agradeço a Deus sempre, por ter me iluminado, a conhecer toda essa gente, que cruzou o meu caminho.
Ao meu marido, José Aglair Alves da Silva (Nucha) im-memória, a minha querida sogra Antônia Alves da Silva (im-memória) o meu amor eterno; agradeço o seu amor por mim e aos seus filhos. Aos seus irmãos, os meus cunhados com suas famílias, a todos, o meu carinho e gratidão.
Tivemos 2 filhos; Alisson Campos da Silva, que cursou a Faculdade de Biologia pelo Tocantins e trabalha na saúde da cidade através de concurso. E tem sua namorada chamada Munick Gomes, que também cursou a mesma Faculdade de Biologia. É muito prestativa, educada e maravilhosa, que mora no meu coração. E Alanna da Candelária Campos da Silva formou-se em Psicologia em São Luís na Universidade CEUMA; e também criei um neto da minha irmã Tamar, que se chama Gustavo Nunes Lopes e estudou até o Ensino Médio, porque não quis prosseguir e casou-se e procurou trabalhar para sustentar a família.
Mas, os 3 são os meus amores, de minha vida e tudo gira em torno deles. E sou grata a Deus por tê-los na minha vida. Agradeço também a todas as Nossas Senhoras mãe de Deus, por me socorrer sempre: e especial a “Nossa Senhora Santa Luzia”, a quem sou devota e em forma de agradecimento lhe ofereço o terço em seu dia. Na minha casa, e oferto a mesa repleta de tudo aos convidados.
Agora quero dizer aos meus ex-alunos, que carrego no coração, o privilégio e a felicidade de ter sido uma das educadoras de sua vida no Colégio Estadual Enéas Maria Filho (1° e 2°) grau: do colégio Municipal Vitorino Freire 1° grau, os que dei aulas e depois tive a honra de ser Diretora; e também o das aulas de reforço em minha residência. A todos o meu muito obrigada por terem me ensinado várias coisas, entre elas, as experiências vividas. Recebam o meu abraço, com votos de muito sucesso na vida de cada um de vossos familiares.
A todos os meus colegas de trabalho, o meu muito obrigada, pelo convívio, Estadual e Municipal, diurno e noturno de 1984 a 2015 com quem tive o privilégio de ensinar e de aprender alguma coisa, numa troca de amizade e carinho, que Deus, faz com que aconteça entre nós, seres humanos. As famílias de Raimundinho Araújo e Orizon Pereira (im-memória) obrigada pelo carinho e por nossa amizade, pois, somos irmãos. Ao povo da cidade, que me acolheu, com amor, respeito e me adotou, o meu muito obrigada a esses filhos de Tasso Fragoso MA e meus irmãos. Desejo sucesso a todos. Peço perdão, pelo atraso, é que não queria escrever.
A minha São Bento, jamais poderia esquecer de minhas origens, agradeço a querida família Guimarães por existir em seu meio e ter aprendido o be a bá da vida. Tendo orgulho por pertencer a esse meio onde formamos uma base sólida, que só o tempo pode demolir. Sou feliz porque pertenço a ti. Obrigada todos pelo que aprendi. Serei sempre grata; aos colegas de aula, aos vizinhos, conhecidos, amigos e professores, obrigada sempre.
Aos meus filhos, obrigada por serem o meu Porto Seguro. Alisson, Alanna e Gustavo. Aos meus queridos compadres e afilhados, o meu mais profundo amor e respeito e reafirmo os votos com Deus e vocês, todos em minhas orações.
Fico por aqui e digo a vocês que ora ler este texto, lembre-se, que as coisas ruins não vieram para ficar, e sim, para lhe ensinar algumas lições. Então nunca deixe de confiar naquele que lhe põe de pé, todos os dias e lhe dá a oportunidade, de tentar mais vezes, naquilo que está querendo “Deus” seja grato sempre. E siga fazendo o bem e lute pelos seus ideais que “Ele”, está observando e vai chegar a sua vez, de ser contemplado. Acredite! Não deixe as oportunidades passarem. A luta é árdua, mas, conseguirá superar todos os desafios que lhe forem propostos. O mundo, parece estar caminhando mais rápido do que em meu tempo. Mas, saiba que a contagem começa do número 1. E corram atrás de quantos vocês quiserem, pois ele é todo de vocês. Precisam ter primeiro uma boa bagagem, isto é, aprendam a subir a escada da vida, indo à escola, intensificando suas pesquisas, a internet está a seu alcance e gradativamente chegará ao topo, e posso dizer: “eu venci”, e não deixe que nada lhe desanime. Lembre-se que até um empurrão lhe coloca pra frente. E saiba que precisei passear no início, meio para então concluir tudo.
Agradeço a todos que fizeram parte de minha vida direta ou indiretamente e a todos que se dispõem a ler minha história.
• Autobiografada;
• Maria do Rosário de Fátima Campos da Silva (Tia Mariinha)
Graduada e Pós, em Matemática e apaixonada pelas letras.
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