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Personagem: Liliane Santos
Por: Liliane Santos , 15 de junho de 2025

Essa sou eu

Esta história contém:

Meu nome é Liliane Santos. Tenho 23 anos.

Sou ribeirinha. Sou negra. Sou ativista ambiental.

E sou filha da Água do Iriri.

Foi nas margens desse rio que aprendi a andar,

que ouvi os primeiros conselhos da minha avó,

que vi minha mãe lavando roupa com o rosto voltado pro céu,

como quem conversa com os encantados.

A água do Iriri não corre à toa.

Ela leva histórias, vidas, cicatrizes.

E eu carrego todas essas águas dentro de mim.

Não é fácil ser quem eu sou.

Sou jovem, mulher preta, da floresta —

e isso, para muita gente, já é um incômodo.

Falar em defesa do território, da vida, da justiça,

me transformou em alvo.

Já fui chamada de tudo:

inimiga do progresso, louca, rebelde.

Já me olharam como quem olha um perigo.

E já fui alvo de ódio — racismo, discriminação, insultos que doem mais que tapa.

Mas o Iriri me ensinou que quem enfrenta correnteza

não se curva com qualquer pedra no caminho.

A água sempre encontra um jeito de seguir.

Cada vez que tentaram me calar, eu me lembrei:

eu sou feita do rio.

E rio não aceita cerca.

Quando falo em justiça ambiental, falo de mim,

das meninas que vêm depois de mim,

dos peixes, das árvores, dos cantos do mato.

Quando me levanto, é com a força das águas.

E ninguém segura um rio quando ele decide correr.

Ser ativista é isso:

carregar no peito o peso e a beleza de um povo inteiro.

E lutar, todos os dias, pra que a água do Iriri siga limpa, viva e livre —

como nós.

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