DEDICATÓRIA
À Marilene.
À menina de sorriso luminoso que, em uma tarde de domingo de 1968, entrou em um salão de dança sem saber que mudaria para sempre o destino de um rapaz que se julgava livre, mas que naquela noite descobriu a mais doce das prisões: o amor.
À mulher que caminhou ao meu lado através dos anos, das dificuldades, das conquistas e das alegrias simples que constroem uma vida inteira.
À companheira que transformou sonhos em realidade, trabalho em dignidade, casa em lar e tempo em memória. Se esta história existe, é porque você existiu primeiro dentro dela.
E se minha vida teve sentido, foi porque a sua presença iluminou todos os caminhos.
Com amor eterno,
PREFÁCIO
Tempo, amor e memória.
Algumas histórias não nascem para serem escritas.
Elas nascem para serem vividas.
Mas de tempos em tempos, quando o silêncio da maturidade nos convida a olhar para trás, percebemos que certas lembranças carregam dentro de si algo maior do que a simples memória. Elas carregam significado.
Este livro não é apenas o relato de um romance.
É o testemunho de uma época, de uma geração e de um modo de amar que se construiu com paciência, respeito e permanência. Nos anos 1960, o mundo mudava rapidamente.
A música transformava costumes, a juventude descobria novos caminhos e o Brasil vivia seus próprios desafios históricos. Mas, entre todas essas mudanças, algo permanecia igual ao longo dos séculos: o encontro inesperado entre duas pessoas.
Este livro nasce desse encontro.
Um encontro simples.
Um olhar.
Um convite para dançar. Um beijo no rosto. E, a partir dali, uma vida inteira construída a dois.
MARILENE,
O Beijo que matou o Lobo Mau
ANO – 1968
Domingueira dançante, quarto dia do mês de agosto – Sede da General Severiano – Salão Social, muito rock’n’roll - Local onde íamos dançar e paquerar as meninas. Domingos que pareciam eternos.
Um milagre semanal – a juventude se encontrava com seus...
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À Marilene.
À menina de sorriso luminoso que, em uma tarde de domingo de 1968, entrou em um salão de dança sem saber que mudaria para sempre o destino de um rapaz que se julgava livre, mas que naquela noite descobriu a mais doce das prisões: o amor.
À mulher que caminhou ao meu lado através dos anos, das dificuldades, das conquistas e das alegrias simples que constroem uma vida inteira.
À companheira que transformou sonhos em realidade, trabalho em dignidade, casa em lar e tempo em memória. Se esta história existe, é porque você existiu primeiro dentro dela.
E se minha vida teve sentido, foi porque a sua presença iluminou todos os caminhos.
Com amor eterno,
PREFÁCIO
Tempo, amor e memória.
Algumas histórias não nascem para serem escritas.
Elas nascem para serem vividas.
Mas de tempos em tempos, quando o silêncio da maturidade nos convida a olhar para trás, percebemos que certas lembranças carregam dentro de si algo maior do que a simples memória. Elas carregam significado.
Este livro não é apenas o relato de um romance.
É o testemunho de uma época, de uma geração e de um modo de amar que se construiu com paciência, respeito e permanência. Nos anos 1960, o mundo mudava rapidamente.
A música transformava costumes, a juventude descobria novos caminhos e o Brasil vivia seus próprios desafios históricos. Mas, entre todas essas mudanças, algo permanecia igual ao longo dos séculos: o encontro inesperado entre duas pessoas.
Este livro nasce desse encontro.
Um encontro simples.
Um olhar.
Um convite para dançar. Um beijo no rosto. E, a partir dali, uma vida inteira construída a dois.
MARILENE,
O Beijo que matou o Lobo Mau
ANO – 1968
Domingueira dançante, quarto dia do mês de agosto – Sede da General Severiano – Salão Social, muito rock’n’roll - Local onde íamos dançar e paquerar as meninas. Domingos que pareciam eternos.
Um milagre semanal – a juventude se encontrava com seus sonhos.
Nosso grupo de rapazes e moças jovens que moravam nas imediações namoravam entre si, obedecendo os gêneros de cada um.
Rapazes e moças cheios de vida, com aquela mistura típica de coragem, vaidade e inconsequência que só a juventude conhece.
Frequentávamos a praia em frente a Princesa Isabel em Copacabana e fazíamos incursões pelo Carioca Esporte Club no Jardim Botânico.
A vida simples onde acreditávamos que o amor era apenas um jogo divertido.
Tempo bom! Bossa nova para paquera, Serestas e muito twist para diversão.
Naquele dia, eu paquerador e cheio de meninas pretendentes, não dispensava ninguém, elas me namoravam e eu nem sabia.
Surge então no meio de um outro grupo uma menina linda de minissaia com um sorriso esplendoroso que mexeu com meu coração.
Esqueci tudo, era como se a domingueira começasse agora.
Duas covinhas brilhavam quando ela sorria e não era para mim, era para as pessoas que com ela conversavam. Fiquei petrificado, tinha que conhecê-la, precisava conversar com ela.
Deixei os amigos, misto de “bichos” legais, dispostos a namorar muito, mas também a começar uma boa briga contra grupos rivais e fazer terminar em pancadaria o baile.
Não traziam sequelas, apenas nós entoávamos cantos de vitória e ganhávamos alguns arranhões sem consequência para aquele domingo.
Isso acontecia quando não havia emoção ou estava o baile muito ruim, sem possibilidade de grandes “amassos”.
E fui ao encontro dela, esperei uma música lenta, aquela para dançar de rostinho colado que sempre rolava em sequência de três canções e a chamei para dançar, ela olhou primeiro para o Manda Chuva do grupo, depois fiquei sabendo que era o irmão mais velho que vinha acompanhado da noiva para proteger e dar a família a certeza de que elas, todas as irmãs, voltariam incólume para casa.
E para minha surpresa ao começar a dança, cheio de emoção e com um cuidado extremo para não a magoar ganhei um beijo no rosto. Pronto, desmoronou meu coração, ali morria o último lobo mau. Cativo para sempre.
Ali morria o conquistador inconsequente, nascia um cativo para sempre. Caiu por terra o personagem que eu acreditava ser, o conquistador no jogo do amor. No lugar do lobo, nasce um homem apaixonado, cativo para sempre daquele sorriso com covinhas que havia parado o tempo.
Fomos para a varanda do salão, onde o ar da noite trazia o perfume distante do mar, conversamos muito, fiquei sabendo que ela se chamava Marilene e era a caçula de nove filhos de Laura, mulher forte que governava a grande família como mesmo amor que se governa um reino, e que aquele era o irmão homem mais novo, porém mais velho que as últimas três meninas, ou seja, ela era o número seis na linhagem sucessória.
O irmão, vigilante no papel de guardião, não era somente acompanhante – era uma espécie de sentinela do destino das irmãs.
Ele era então o irmão que se dispunha a trazer as meninas para a domingueira no clube e que todos moravam no bairro em uma casa de vila na São Clemente.
Começamos a namorar com o consentimento do irmão, primeiro no Botafogo e depois frequentando a casa dela, já como amigo de todos, incluindo namorados e namoradas.
Era um rubro-negro em festa de vascaíno. Tinha muito que sofrer com os irmãos dela para ganhar um espaço, sorte que naquele ano o Flamengo estava bem e pude me sair bem.
Ela tinha 15 anos completos em maio daquele ano e eu 20 que completaria em dezembro daquele mesmo ano. Nossa vida passou a ser só sonhos.
Ela estudava a noite no Largo do Machado, eu ia buscá-la, trocávamos beijos e planos. Promessas sussurradas e a certeza que a vida estava apenas começando.
Voltei a estudar e fomos juntos para o ensino médio estudar Contabilidade na Candido Mendes. Talvez porque, mesmo tão jovens, começássemos a entender que o amor também se constrói com responsabilidade, trabalho e projeto de vida.
Como qualquer classe média começamos a juntar renda para o casamento. Ela costurava para uma importante boutique e eu era bancário.
E surgiu então uma data, descobrimos que no dia 04 de agosto de 1973, estaríamos completando cinco anos de namoro, fiz meu pedido de noivado na festa de Natal reunindo as duas famílias.
Eram cinco anos de estória, de crescimento de descoberta mútua.
Ofereci as alianças e começamos a trabalhar na construção do nosso futuro. Começamos a juntar cada pequena economia como quem guarda sementes para um futuro jardim.
Não eram dois pequenos círculos de metal, eram promessas de caminhada em uma só estrada.
Não posso dizer que tive sorte, posso afirmar que escolhi muito bem, uma mulher parceira, trabalhadeira, dedicada, sincera e leal disposta a construir um verdadeiro lar.
Alguém que entendia que um lar não se constrói apenas com paredes e moveis, mas com dedicação, respeito, paciência e amor.
Juntamos nossas economias, alugamos um apartamento em Copacabana. Era simples, mas para nós um palácio, ali morava o nosso sonho.
Casamos acompanhados de amigos e torcedores por nossa felicidade. Um deles, Rodrigo, trouxe pequena bateria de bloco carnavalesco e saímos da Igreja São José da Lagoa sambando e fazendo um verdadeiro Carnaval em pleno mês de agosto.
Celebramos o amor e a vida.
Entramos na Vila em que minha agora esposa morava, ela de porta bandeira e eu de orgulhoso mestre sala - acompanhados de verdadeiro séquito desfilamos com uma vassoura da entrada da vila até a casa onde se realizava a festa de casamento.
Uma cena simples, porém, simbólica, varríamos o caminho de nossa estória.
E dali em diante resolvemos viver com a nossa filosofia. Que os problemas não nos roubem a capacidade de ser feliz.
Esquecemos os problemas e resolvemos curtir da forma que dava, passeamos pelo Maracanã e fomos ver jogos. Passeamos no Jardim Zoológico, Cristo Redentor, Jardim Botânico e subimos o Pão de Açúcar (naquele dia, Sugar Loaf).
Naquela época não haviam redes sociais, mas queríamos compartilhar a nossa felicidade com aqueles que torciam por nós.
Para mostrar aos amigos nossos passeios e os slides do casamento não tínhamos o espaço necessário e então com o auxílio de um equipamento apoiado na janela, projetávamos na parede lisa do prédio em frente as fotos de nossa felicidade. Muito vizinho participou mesmo sem querer de nossa fase de hostess.
E assim a vida foi passando. Com desafios, com tropeços e as dificuldades que toda estória conhece.
Hoje estamos nos aposentando das ginasticas da vida e deixando para os três filhos que sonham o que nós sonhamos. Agora nossas metas passam pela felicidade de filhos e netos presentes e os que virão.
Agora ao completar mais um ano de casamento de puro amor, de pura amizade e companheirismo quero expressar tudo que foi vivido através de letra e música que compus em ode a esse amor mostrando a ela e ao mundo a gratidão de uma vida plena de felicidade com os percalços que todos carregam mais que essa guerreira soube enfrentar.
Sinto então o desejo de transformar tudo que vivemos em música e assim fiz.
No you tube em @mestre azamba, poderão encontrar música que foi feita para minha amada, companheira (desde 1968) esposa (desde 1973) onde as palavras começam com a letra “M”. – Abaixo letra e cifra da música feita para Marilene por Hélio de Azambuja Rodrigues.
Ali estão as cifras e palavras que escrevi para aquele menina de minissaia que em uma domingueira em 1968, mudou o rumo de minha vida para sempre.
M – Música para Marilene
D
Musa menina Marilene
Bm
Maná maravilhoso,
Em
Manhã manhosa.
A7
Minha metade mulher,
D A7
Moça missão mãe.
D
Mel meigo
Melhor mutação
Bm
Mesma mensagem
Em
Maga mestra marfim
Manso manto
Maior morada
A7
Motivo mundo marido
D
Motriz mudança maior
Bm
Misterioso mimo
F#m
Mar move montanhas
Em A7
Musical murmurar
Am D7
Modelar misto momento
G
Meu mármore
A7
Meio melado
D A7 D
Môca moquinha.
Com o passar dos anos, aprendemos algo que a juventude raramente compreende.
O amor verdadeiro não vive apenas de grandes momentos. Ele se alimenta das pequenas permanências. Do café compartilhado em silêncio. Da preocupação quando o outro demora a chegar. Do cuidado nas doenças. Do riso inesperado em dias difíceis.
Aprendemos também que o tempo não é inimigo do amor.
Pelo contrário.
Quando o amor é verdadeiro, o tempo não o desgasta — o tempo o lapida.
Como o mar que transforma pedras brutas em seixos lisos e brilhantes, os anos foram polindo nossas diferenças, suavizando nossas arestas e revelando aquilo que realmente importava. Descobrimos que amar não é apenas caminhar juntos nos dias de festa.
Amar é permanecer.
É escolher a mesma pessoa todos os dias, mesmo quando a vida apresenta dificuldades ou incertezas.
E assim passaram-se décadas.
Vieram os filhos.
E com eles veio aquela estranha e maravilhosa sensação de que a vida havia se multiplicado.
Depois vieram os anos mais maduros, quando começamos a perceber que o tempo — esse escultor invisível — já havia gravado suas marcas em nossos rostos e em nossos cabelos.
Mas curiosamente, algo dentro de nós permanecia igual.
O mesmo olhar cúmplice.
A mesma amizade.
A mesma vontade de continuar caminhando lado a lado.
Hoje, ao olhar para Marilene, já não vejo apenas a menina de minissaia que me encantou naquele salão de dança em 1968.
Vejo também a mulher que atravessou comigo todas as estações da vida.
A jovem sonhadora. A esposa dedicada. A mãe amorosa.
A companheira firme nos momentos difíceis.
E percebo que o amor verdadeiro não é aquele que permanece igual ao longo do tempo.
O amor verdadeiro cresce. Ele se transforma. Ele amadurece. Ele ganha raízes profundas na alma.
Talvez seja por isso que, ao compor uma pequena canção para ela, senti necessidade de começar todas as palavras com a mesma letra.
A letra M.
M de Marilene.
Mas também M de mulher
de mãe, de mel, de mistério, de milagre.
Porque se existe algo que aprendi ao longo desses anos é que o amor não é apenas um sentimento. O amor é uma construção.
Hoje seguimos adiante. Talvez mais lentos nos passos, mas muito mais seguros na caminhada.
E quando olho para trás, para aquele domingo distante de 1968, percebo que ali, sem que eu soubesse, o destino havia aberto diante de mim a porta mais bonita da minha vida.
Bastou que eu tivesse coragem de atravessá-la.
E ela estava lá. Sorrindo. Com duas covinhas iluminando o rosto.
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