E se os direitos humanos não existissem?
Às vezes, ouvimos tantas críticas aos direitos humanos que esquecemos o quanto eles transformaram a vida das pessoas. Eles garantem dignidade, igualdade e proteção. Mas, sobretudo, nos lembram de que ninguém deve ser tratado como inferior por causa da cor da pele, da origem ou da condição social.
Mesmo com tantos avanços, o racismo continua presente, muitas vezes de forma silenciosa. É o chamado racismo estrutural: aquele que se manifesta em atitudes aparentemente comuns, mas que revelam preconceitos profundamente enraizados.
Sou uma mulher negra. Meu filho é pardo, de pele mais clara que a minha. Há alguns dias, fui levá-lo a uma consulta médica. Eu estava acompanhada do meu marido e da minha prima, que considero uma irmã. Em determinado momento, ela levava meu filho nos braços.
Do momento em que entramos no prédio até chegarmos ao consultório, vivi duas situações que me fizeram refletir profundamente.
A primeira aconteceu no elevador. Uma pessoa olhou para mim e perguntou se eu era a babá da criança.
A segunda ocorreu poucos minutos depois, já no consultório. O médico dirigiu-se à minha prima chamando-a de “mamãe do bebê”, ignorando completamente a possibilidade de que a mãe pudesse ser justamente a mulher negra que estava ao lado.
Alguns podem dizer que foram apenas enganos. Mas será que foram mesmo? Ou esses “enganos” revelam uma ideia construída pela sociedade de que uma mulher negra dificilmente ocupa o lugar de mãe daquela criança? De que ela estaria mais naturalmente associada ao papel de cuidadora do que ao de mãe?
Essas situações não me fizeram duvidar de quem eu sou. Mas me lembraram de que ainda existe um longo caminho pela frente.
Foi então que me peguei pensando: e se não existissem os direitos conquistados ao longo da história? E se pessoas negras ainda não tivessem garantidos, ao menos na lei, o direito à igualdade, ao respeito e à...
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E se os direitos humanos não existissem?
Às vezes, ouvimos tantas críticas aos direitos humanos que esquecemos o quanto eles transformaram a vida das pessoas. Eles garantem dignidade, igualdade e proteção. Mas, sobretudo, nos lembram de que ninguém deve ser tratado como inferior por causa da cor da pele, da origem ou da condição social.
Mesmo com tantos avanços, o racismo continua presente, muitas vezes de forma silenciosa. É o chamado racismo estrutural: aquele que se manifesta em atitudes aparentemente comuns, mas que revelam preconceitos profundamente enraizados.
Sou uma mulher negra. Meu filho é pardo, de pele mais clara que a minha. Há alguns dias, fui levá-lo a uma consulta médica. Eu estava acompanhada do meu marido e da minha prima, que considero uma irmã. Em determinado momento, ela levava meu filho nos braços.
Do momento em que entramos no prédio até chegarmos ao consultório, vivi duas situações que me fizeram refletir profundamente.
A primeira aconteceu no elevador. Uma pessoa olhou para mim e perguntou se eu era a babá da criança.
A segunda ocorreu poucos minutos depois, já no consultório. O médico dirigiu-se à minha prima chamando-a de “mamãe do bebê”, ignorando completamente a possibilidade de que a mãe pudesse ser justamente a mulher negra que estava ao lado.
Alguns podem dizer que foram apenas enganos. Mas será que foram mesmo? Ou esses “enganos” revelam uma ideia construída pela sociedade de que uma mulher negra dificilmente ocupa o lugar de mãe daquela criança? De que ela estaria mais naturalmente associada ao papel de cuidadora do que ao de mãe?
Essas situações não me fizeram duvidar de quem eu sou. Mas me lembraram de que ainda existe um longo caminho pela frente.
Foi então que me peguei pensando: e se não existissem os direitos conquistados ao longo da história? E se pessoas negras ainda não tivessem garantidos, ao menos na lei, o direito à igualdade, ao respeito e à dignidade? Quantas portas continuariam fechadas? Quantas vozes permaneceriam silenciadas?
Os direitos humanos não eliminam o preconceito. Mas eles oferecem instrumentos para combatê-lo, reconhecem nossa humanidade e afirmam que nenhuma pessoa deve ser discriminada por causa da cor da sua pele.
A luta por esses direitos não pertence apenas ao passado. Ela continua todos os dias, em cada denúncia, em cada debate, em cada oportunidade de educar para o respeito.
Porque o racismo nem sempre se apresenta em forma de ofensa. Às vezes, ele chega disfarçado de uma simples pergunta. De uma suposição. De um olhar.
E é justamente por isso que nunca podemos deixar de defender os direitos humanos. Eles existem para que histórias como a minha sejam cada vez mais raras e para que nenhuma criança cresça acreditando que a cor da pele de sua mãe define o lugar que ela ocupa na sociedade.
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